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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Viver possibilidades, Matrix e caminhar no fogo

A Matrix e o Neo, com a sua possível escolha entre a pílula vermelha e a azul, representam as duas hipóteses de vida, uma (azul) viver dentro do mundo fechado do córtex e a outra (vermelha) viver com a "cabeça" espreitando para além desse limite, olhando as possibilidades potenciais que nos envolvem e aonde pertencemos.

cena do filme Matrix
Quando Neo escolhe a pílula vermelha, escolhe aceitar a realidade da teoria-M, a teoria M(other) de todas as teorias ou M(atrix), uma variante da Teoria das Cordas da Física, com suas 10 dimensões e mais 1 (o tempo), ele escolhe entrar no mundo complexo das possibilidades em potencial.

O alquimista
Na prática, estas teorias ou hipótese científicas, sem entrar nas complexidades teóricas e matemáticas da Física (vide Einstein, Hawking, etc) e usando uma linguagem medieval, significam apenas um esforço de "esticar o pescoço para fora da normalidade" para encontrar  a "normalidade escondida". 
São uma variante moderna (dita cientifica) dos trilhos da alquimia medieval (dita não científica), mas com o mesmo objectivo: espreitar para além do óbvio, para o desconhecido.

Na verdade, de uma forma mais ou menos clandestina e perseguida, o ser humano sempre andou a pisar os limites do possível, entrando no aparentemente impossível.

Realmente o percurso de vida é apenas uma sequência de experiências, ou seja, uma sequência de vivências interpretadas pelo córtex. Interpretadas quer dizer conectadas a registos existentes em stock, e criadoras doutro registo. Portanto, repetir uma vivência é sempre criar uma experiência nova pois o stock a conectar já não é o mesmo, por isso a 2ª leitura de um livro nunca é igual à 1ª leitura.







Regressando ao Neo e à sua pílula azul, o que ela significa ?




O Olho e a TV


O olho não tem nada lá dentro excepto mecanismos para levar sinais eléctricos (estímulos) ao córtex. É uma espécie de antena a captar sinais para o aparelho de TV. Tudo acontece no cérebro e no aparelho receptor.



Depois dos sinais recebidos, quer o aparelho TV quer o córtex transformam esses sinais e criam um objecto virtual. 
Na TV esse objecto virtual (imagem, som) é transmitido para o exterior, mas no córtex é transmitido só para o interior, para si próprio. É um sistema em auto consumo, só o córtex vê o que produz

Segundo algumas teorias, ele projecta um holograma desse resultado e a nossa visão da realidade é a visão desse NOSSO holograma…cada um vê o que o córtex consente (como ex., a "cegueira à mudança").


Vendo o holograma como real: -"Hoje estás muito contente"
Por outro lado, a TV não tem consciência do resultado, mas o córtex tem, pois assiste ao que produziu e agrega-lhe conexões já existentes, tais como, nomes, emoções, significados, etc. É produtor e consumidor único em constante interacção…quando produz vê e altera se necessário.

Se o aparelho TV também visse a sua própria transmissão, acreditaria que o mundo exterior era o filme que passava no écran. Se todos os aparelhos de TV estivessem a receber os mesmos estímulos (sinais) do mesmo canal, todos concordariam que o mundo onde viviam era esse mesmo filme que estavam a ver. Seriam uma espécie de seres mergulhados no seu próprio umbigo, ou seja, seria o Neo do filme Matrix se tomasse a pílula azul.

Isto significa que, para a pessoa que dorme, o sonho construído no cérebro é tão real como a realidade construída no cérebro quando está acordado, ou como a realidade construída quando está drogado. 

Se, desde que nasce até que morre, sempre estiver a dormir, estimulado directamente no córtex a  viver através dos sonhos criados, … se acordar … e for estimulado indirectamente pelos sentidos, pensará que está a dormir e quererá voltar à situação anterior de "acordado". 

Filme Matrix, Neo, com pílula encarnada,
acorda e vê os outros a viver de sonhos
A conclusão que surge é fácil, pois é uma pergunta velha como a filosofia: -" Andamos acordados ou a dormir???"

Como resumo e mantendo a analogia, nós somos uma espécie de projector fílmico que faz tudo:

- recebe sinais,
- a partir deles constrói filmes,
projecta-os para si próprio,
- e conclui que os filmes feitos são imagem da realidade exterior. 

Noutras palavras, o "acreditar" normal é acreditar que o cérebro vê "O" real. Conclusão interessante mas sem bases lógicas:

- "Se for daltónico com o verde, é o mundo que não tem verde ou é o córtex que tem bugs?"

Se a resposta for que são problemas do córtex, então a pergunta lógica imediata é: 

- "Então, porque é que são os outros casos que estão correctos?"

Se a resposta for porque a maior parte vê verde, então numa região em que os daltónicos forem maioritários (modificações genéticas) é a região que não tem verde? Se aparecerem mais minoritários que vêem verde, a região já tem verde?

Se o critério cientifico de validar a verdade é a quantidade de opiniões concordantes, então a religião verdadeira é a que tem mais crentes? No tempo de Cristo, Ele era minoritário, então não era verdadeira?
Ou seja, a creditação do(s) Deus(es) é por maioria humana? Nunca ouvi falar deste critério religioso.

Convém não se perder a lucidez lógica. É bom não esquecer que a maioria democrática não identifica o correcto, identifica o acordo. Pode haver uma maioria de 100% e isso significar apenas 100% de acordo na asneira. 
Tecnicamente,…estão democraticamente certos no processo e democraticamente errados no resultado.







Regressando ao Neo e à sua pílula vermelha, o que ela significa ?





O córtex e o queimar


A pílula vermelha significa criar condições para sair do fechamento do mundo virtual do córtex e "saltar" para o exterior, passeando pela Matrix, colapsando possibilidades. Numa analogia alquimista é "esticar o pescoço para fora da normalidade".

De um modo simplista significa "decidir a escolha de uma possibilidade". Simplesmente, por detrás desta simplicidade, o  "decidir" é complexo. Ele é o fulcro da questão.

Alguns autores falam (em tradução livre minha ) de "decisão embebida", significando uma decisão que "agarra o corpo e a mente" e não funciona apenas "da boca para fora". É uma decisão com consciência cognitiva impregnada de emoções.

Com maior ou menor intensidade, pelo menos uma vez na vida, todos temos uma decisão destas. Ela é  uma espécie de fronteira entre o ANTES  e o DEPOIS e é "decidida a ferros". Os bons realizadores de cinema fazem-nos viver estas decisões na vida de protagonistas e são normalmente cenas significativas do filme.

Uma "decisão embebida" é aquela que tem "double bind", isto é, um duplo vínculo conteúdo-atitude. 
Como analogia, a comunicação verbal tem sempre "colagem" à comunicação não-verbal, a palavra está sempre "colada" à atitude e esta é dominante no resultado. Palavras apaixonadas não funcionam com atitudes de aborrecimento.
A "decisão embebida" tem a mesma dinâmica.

Segundo pesquisas e hipóteses explicativas, e de um modo simplificado, a "decisão embebida" exige uma intensa integração cognitiva e emotiva, intensificadora da bioelectricidade nos neurónios. Este aumento provoca um alargamento e potenciação do electromagnetismo corporal, alargando o seu campo e modo de interferência no exterior (vide Física do electromagnetismo e indução). 

Em resumo:

Na pílula azul o que existe é "decisão zombie" onde o campo electromagnético não é intensificado, com a pílula vermelha vai existir a "decisão embebida" que cria um campo electromagnético intensificado:

com "decisões zombie"                   com "decisões embebidas"
possibilitando condições de colapsagem da possibilidade optada.

Em situações de crise as "decisões embebidas" surgem naturalmente, mas na rotina diária andamos vivendo de "decisões zombie" características da pílula azul.
Porquê ?

Porque uma baseia-se em "opções" (a zombie)  e a outra em "intenções" (a embebida). A intenção é uma opção integrada em atitude.
Não é um problema de vontade, pois não é a vontade que provoca intenção é a intenção que origina a vontade, do mesmo modo que não é falar-bem que cria expressão não-verbal, é a expressão não-verbal que origina o falar-bem.
É importante não trocar causa com consequência porque senão as formações são inócuas.

Um exemplo da colapsagem da possibilidade "correr saudável" pode ser obtido observando  "atletas de domingo" a correr nas ruas das localidades.

Se se reparar na sua leitura corporal, uns correm com "decisões zombie" arrastando o corpo atrás dos pés, exibindo Kalimeros em penitência. Outros, com "decisões embebidas" nos músculos, orgãos e mente, mostrando claramente como os pés "obedecem" ao corpo-mente unido na intenção de correr,  numa imagem de BipBip's em desafio.

Andar 50 metros no estilo BipBip é melhor que correr 1 Km no estilo Kalimero. Uns vivem o prazer e a alegria do movimento a caminho da juventude, os outros vivem o esforço de sacrifício e obrigação a caminho da velhice.


Na prática

Decidir de um modo ou outro não tem o mesmo resultado. As opções não são harmónicas a 100% nos factores envolvidos, isto é, elas contêm factores pró e factores contra não resolvidos a nível pessoal.
É a diferença entre a opção: -"Vou tentar…" com dúvidas endémicas a nível da atitude e a opção - "Vou fazer:.." com uma atitude bem definida, mesmo que em qualquer delas existam ainda dúvidas a nível do conteúdo optado.
Como exemplo:

Um jovem tem medo de saltar de uma rocha (ou prancha) para a água, apesar disso quer fazê-lo. Tem assim uma opção cognitiva clara mergulhada em contradição confusa na atitude, quer mas não quer (tem medo).

Enquanto assim estiver o bloqueio na atitude manter-se-á no momento de saltar. O normal é passar imenso tempo hesitando saltar, acabando por fazê-lo tipo "zombie" ou "saco de batatas" (principalmente se pressionado, diplomaticamente dito motivado), solução muito adoptada por monitores, família, etc. É um processo de regressão.

Pelo contrário, na "decisão embebida", momentos antes (2s,3s) ainda afastado do local de execução, ele tem que ter a atitude de "Vou fazer" e, no caminho para o local, mentalmente já está fazendo…saltar é apenas a continuação.

Agora, com medo ou sem medo, fá-lo-á consciente, pensando. Não é zombie", nem "saco de batatas", é pessoa. Coragem não é … não ter medo, fechar os olhos e fazer. Coragem é pensar, abrir os olhos e fazer, com medo ou sem medo. É um processo de progressão.



Uma aplicação: "O fogo queima"

Por experiência e normalidade social pôr a mão no fogo queima.
Assim, andar sobre o fogo é uma escolha possível ou é uma parvoíce evitável?
Com o preparo necessário é uma possibilidade de escolha humana ou milagre/prenda divina?

Porém…



…desde a idde Média até aos dias de hoje que se fala em "andar no fogo", quer em milagres divinos, quer em curiosidades a estudar.

A hipótese é simples:

Se pés descalços andarem no carvão de coque em brasa a 550ºC, queimam-se ou não ?
Se não, porquê???




Para experiência pessoal fiz o "caminho do fogo" e foi realmente possível, mas ainda hoje pergunto/pesquiso: Porquê? Como?

foto pessoal
Não estava drogado, não houve rezas aos deuses, não houve slogans nem marchas motivantes, nem obediências a "q'ridos líderes".

Houve uma preparação de 2 horas, constituída por alternância de activações, estiramentos, relaxações, concentração, visualização de movimentos e posições, tudo em ambiente de música suave.
Depois fomos para o campo, com a indicação de que a decisão de fazer (ou não) seria tomada lá.
Os que decidiram fazer e foram aceites…andaram os 10 metros no carvão (500/600ºC) e ninguém se queimou.
No meu caso pessoal, depois de fazer, fiquei entusiasmado e voltei para o início, querendo repetir. Não me deixaram dizendo que o "mood" (estado mental ??) tinha desaparecido.

Ainda hoje tento reconstituir como me sentia para decidir fazer (e que foi reconhecido) e que depois não existia. Realmente, recordando, sinto que, antes e depois, estava em "mood" diferente…mas ainda hoje tento definir o quê, qual a diferença e como posso repetir.

Vendo hoje os estudos sobre a "intenção" e a "zone", ambas pressionando a atitude inserida em emoção como criadora e intensificadora de campos electromagnéticos, é uma possibilidade possível. Eu lembro-me que momentos antes, descalço na relva e preparado para entrar, "eu via-me/sentia-me a andar no carvão" e começar "o caminho do fogo" foi apenas continuar a andar…daí eu querer depois repetir a passagem para sentir a mudança.
Aceitando esta hipótese, a experiência foi apenas andar dentro de um campo electromagnético intensificado:


Para terminar


As possibilidades estão aí, o século XXI abriu a porta com a quântica, a neurociência, universo como holograma, a Física das cordas, mas o desafio é que o ser humano e sua consciência estão no centro e não é só em filosofias, porque as possibilidades estão em cada minuto do nosso quotidiano.

Podemos não tomar a pílula vermelha do Neo da Matrix, mas pelo menos não tomemos a azul.

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