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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Checkar, recheckar, rerecheckar…SIM, sim…MAS, mas...



Seattle Times, 1981
Steve Titus, em Outubro de 1980 foi acusado com provas e testemunhos ter violado uma jovem de 17 anos. Julgado em Tribunal é condenado.

Durante o julgamento, as "provas" acumuladas foram durante dias checkadas, re-checkadas, re-re-checkadas por advogados de acusação, advogados de defesa, pelo grupo de jurados e… a conclusão foi culpado e condenado. 

No ano seguinte, por pressão de uma investigação do Times, o verdadeiro culpado é preso e Steve Titus é solto. Não foi um fim feliz. 

Steve passou de saudável a doente, de parceiro feliz a solitário infeliz, de empregado a desempregado. Põe um processo à polícia e dias antes do julgamento morre com um ataque cardíaco por stress. Tinha 35 anos.
Comentário do
Sargento Detective Dave Hart, Policia de Seattle -"Sentimo-nos mal com o acontecido, mas acredito que todos tentaram fazer o seu trabalho".
PS - Se o seu trabalho incluía condenar inocentes, então tentaram e fizeram, se não incluía tentaram e não fizeram.

Fazer o seu trabalho é importante, checkar, re-checkar, re-re-checkar é prioritário, mas não fazer asneiras é o objectivo fundamental. Todavia, há imensos casos de inocentes considerados culpados e culpados considerados inocentes.

Gosto do termo "evidência" (USA: evidence),  em substituição do termo "prova".

"Evidência" é um vestígio que se destina a ser avaliado, susceptível de ser (ou não) prova de qualquer coisa, ou ser prova de SIM ou ser prova de NÃO.
Ou seja, é algo que se destina a ser pensado e ser (ou não) considerado prova como resultado desse pensar. Numa palavra, ser (ou não) prova é consequência do observador.

PS - Perspectiva Quântica: "O observador faz parte do observado" e não Perspectiva Newtoniana: "O observado é independente do observador".

O substantivo "prova" é um vestígio que já vem com "farda" de validado, é algo que à priori já vem vestido de certificação. Se não se concorda tem que se des-provar…e se não consegue, então, a ausência de des-prova é prova de validação. Anda-se pelo mundo fictício da ilógica.

O checkar, recheckar, rerecheckar pode ser feito na perspectiva quântica e então SIM ou na perspectiva newtoniana e então NÃO interessa.

Esta diferença implica técnicas diferentes.

Aprofundando:

Por um lado, quando se vai checkar, pode-se confirmar um ou dois níveis: 

- a fonte (origem) da evidência 
e/ou 
- o conteúdo da evidência.

Por outro lado, uma evidência é um registo, uma "pegada" deixada pelo acontecimento. Sendo assim, uma evidência tem que ter um suporte material que pode ser:

- marcas na realidade;
- escritos (papel, computador, quadro..);
- imagens (fotos, vídeos…)
- memória (testemunhos, reacções, emoções,…)
-…

em que qualquer deles é sempre resultado de uma "filtragem" (selecção de parcialidades) feita pelo seu autor. Ou seja, os conteúdos estão sempre directamente ligados à fonte, dependem desta. Não se podem separar.

Um exemplo:

Se eu fosse ao futuro e comprasse o jornal do dia seguinte onde vinha a notícia da minha morte, ao regressar ao presente, qual era a única certeza que tinha se soubesse que esse futuro não era alterável??

Se está a pensar que morreria no dia seguinte não é verdade, nunca teria essa certeza. O jornal não era prova disso, por muitos que check's e recheck's que fizesse.

A única evidência que teria é que tinha sido publicado no jornal.

Não se pode separar a noticia do observador que a escreveu, viu, testemunhou, seleccionou.

Conclusão

Checkar, recheckar, rerecheckar…SIM…

MAS… apenas para obter evidências para pensar e não para validar.

A noticia de jornal que apresentei no início (admitindo que a fonte Internet é verdadeira e eu transcrevi correctamente, o que terão que confirmar/checkar) não dá qualquer prova de verdade acerca do acontecido com o Steve Titus, que pode ser um mito dos média. A única confirmação é que saiu no Seattle Times.

A diferença de checkar para validar ou checkar para pensar foi agudizada com a Internet.

No PRÉ-INTERNET as informações valiam o que valia a fonte (o professor, os pais, as instituições, o governo, os lideres, etc). Quando a fonte era validada a informação era verdadeira. 
Se muitas fontes válidas validam então então a informação é a voz de Deus [vox Dei est].

Admitindo que se aceita o conteúdo, a angústia de aceitar uma informação como válida é resolvida se se conhecer as fontes onde se foi encontrada. Normalmente, estas fontes nunca são lidas porque não se pretende aprofundar, mas apenas garantir a validação.

É uma cultura do "pensar reduzido e validação intensificada". 

No PÓS-INTERNET a situação mudou…é cultura do "pensar intensificado e validação reduzida".

Não só se sabe que qualquer conteúdo depende do observador que seleccionou o "bocado" registado e esqueceu outros "bocados", como se sabe também que ao registar acrescenta detalhes pessoais, não só ao escrever na escolha de palavras, construção da frase, etc, como ao fotografar/filmar  no angulo escolhido, pormenor ou conjunto, etc, como até ao memorizar não vendo ou acrescentando pormenores, muitas vezes inconscientemente como no caso das testemunhas do Steve Titus, ou profissionalmente no caso de fotógrafos e realizadores de cinema.

Realmente as "provas" (com check e rechecks) não provam nada, a garantia do "His Master Voice" acabou. Checkar não são "provas de validar" são "evidências para pensar" e aqui os registos dos check's feitos são importantes para poupar trabalho pessoal de pesquisa. Ou seja, não substitui o trabalho pessoal de pensar, apenas facilita a obtenção de recursos para isso.

Para terminar um exemplo interessante.

Andam na Internet dezenas de blogues, artigos, revistas, livros de autores conceituados (ex., Rupert Sheldrake, Ed. Piaget, Lisboa) sobre uma teoria da mudança social chamada "Os 100 macacos". 
O modelo baseia-se numa experiência de cientistas japoneses em 1952 que mudaram comportamentos alimentares de macacos isolados numa ilha.
A experiência que durou alguns anos, mostra a evolução da mudança na dinâmica inter-gerações. Em determinada altura apareceu também como conclusão o facto de ter existido a mesma mudança comportamental em macacos de outra ilha distante e isolada desta.

A partir daqui surgiu a hipótese de que, quando o número de indivíduos com comportamentos alterados ultrapassar um certo limite quantitativo, então outros indivíduos da mesma espécie fazem "naturalmente" a alteração.

Assim, esta experiência de 1952, começou a ser a base de muitas hipóteses de pesquisa e aprofundamentos sobre conexões, por ex., os campos morfogénicos do biólogo Sheldrake, as sobreposições quânticas ligadas às intenções, o efeito de rezas em grupo, etc.  

O interessante é que na experiência de 1952 essas conclusões não existiram. Simplesmente essa ausência de prova não prova que não seja possível a sua existência, como parece ter sido tentado com êxito na Televisão australiana com a difusão de símbolos.

Todavia, a cultura pré-internet ao ver que a experiência de 1952 nesse aspecto era um mito mediático, recusou também validar os campos morfogénicos, o que obrigou Sheldrake a vários debates e confrontações na TV, porque citava isso nos seu livro a propósito dos referidos campos.

Checkar não é importante para se ficar sossegado com a certeza da informação, é importante para facilitar saber para onde se vai. Com chekagem ou sem chekagem o importante é saber o que faço/penso com isto…e isto é que é importante.

A informação não é importante por causa de onde vem (checkar para validar), é importante por causa de para onde vai (checkar para usar). Pode vir de sítio errado e originar ir para sítio certo

A experiência de 1952 existiu ou não ? Não sei, mas interessa-me saber se os campos morfogénicos existem ou não. A TV Australiana preocupou-se em testar os campos? Não sei, mas se quisesse e pudesse testar iria bisbilhotar a TV australiana. O checkar dá-me um ponto de partida e não um ponto de chegada para descanso.
Checkar SIM… MAS para obter recursos para pensar e não para garantir a sua validação. 
Hoje o tempo do His Master Voice acabou… a não ser como um bom ponto de partida e não como um bom ponto de chegada.

A angústia de não saber se o Desconhecido é verdade (ou não) é o Sal da Vida.


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