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quarta-feira, 30 de junho de 2021

Interesse, o segredo do aprender

Muitas palavras ditas não mostram as ideias… 
...escondem-nas…!!!
Uma questão a pensar:
A - As ideias nascem interessantes ?  ou
B - tornam-se interessantes ?

Qual escolhem ??? ...Sem pensar muito…escolham "A" ou "B"...!! 

PS - Convém sempre sabermos qual é o nosso ponto de partida, isto é, qual é o nosso neurónio "activo".

Todos sabemos que ensinar ideias interessantes dá boas aprendizagens, por isso os "pobres coitados" que têm que ensinar ideias não-interessantes têm uma vida profissional cheia de agruras. Esta é uma verdade "cientificamente" vivida e provada (?!?!?!).

Todavia, esta ideia bem "instalada" e aceite pertence aos mitos urbanos da cultura, pois difunde-se como alicerce base do ensinar/comunicar, orientando pais, professores, chefes, vendedores, casais, colegas,...

Na verdade esta "verdade", nascida deste mito, é uma armadilha que esconde o problema. 
Não há ideias interessantes nem não-interessantes, pois o interesse não está nas ideias, mas "está ou não está em quem as recebe". Ou seja, elas provocarão significado atractivo e são interessantes, ou não provocarão e são não-interessantes.
Exemplo:

Beijing, China,1942
Achariam esta ideia interessante e agradar-vos-ia recebê-la 
a acompanhar a prenda de um amigo???

Se não lêem chinês, duvido que a achem interessante, 
e não se preocuparão mais com ela e desejam que
o amigo "ganhe juízo"…isto é, o vosso córtex ficou-lhe imune.

Porém o vosso amigo, ou amiga, desejou-vos:
  Que milhares de bons presságios se juntem como uma nuvem 
  e se combinem em cem tipos de felicidade e vos façam
 viver facilmente uma nova primavera com todos os desejos do vosso coração.


Na verdade o interesse nasce no córtex do receptor pelo impacto "interessável" da mensagem recebida. Ensinar uma ideia com interesse para um aluno significa que, antes do ensino, o interesse já está instalado, ou seja, o trabalho principal do professor já foi feito por outrem ou, na sua falta, deve ser a sua primeira tarefa. 

PS - O interesse não nasce no cognitivo, no lógico, no moral, 
nos prémios-castigos, etc, nasce no afectivo.

Uma ideia só se torna interessante se tem "repercussões atractivas" na mente de quem a recebe. Criar este efeito é o principal problema de quem ensina/fala/escreve.

O interesse nasce da colagem do que é emitido à mente de quem recebe. Como a mente existe à priori, a ideia tem que ser veiculada de forma a se sintonizar com "aquilo que já lá está".
Exemplo:

A -   A igualdade entre um vendedor e um professor.

Dizia o vendedor:
- Com este carro, em 24 horas está em Paris !!!
Dizia o cliente com ar infeliz:
- Mas, eu não quero ir a Paris !!!

Dizia o professor de Física:
- Esta fórmula serve para calcular o tempo que leva a encher uma banheira a que se tirou a tampa.
Dizia o aluno com ar espantado:
- Porque é que não põem a tampa ???

A ideia central do vendedor, que é ser um bom carro, não "entrou" na mente do comprador, logo não foi criada a relação significativa "distância-tempo-potência" com o seu valor, deste modo ele não aprendeu como o carro é bom, tornou-se um "mau comprador" e o carro não foi vendido.

A ideia central do professor que era mostrar a utilidade da fórmula apenas significou para o aluno a parvoíce da "conversa", assim ficou sem interesse no ensino e procurou outras aprendizagens. 

A igualdade professor-vendedor é que ambos ensinam e ambos falham se não provocam interesse nos alunos e/ou compradores.

B -  A diferença entre um vendedor e um professor.

Quando nas vendas o comprador não aprende, a conclusão "oficial" é que o comprador é inteligente e o vendedor vende mal, isto é, ensina mal o interesse do produto, portanto a CULPA é do vendedor e talvez seja despedido. 

Quando na escola o aluno não aprende, a conclusão "oficial" é que o professor ensina bem e o aluno aprende mal, logo a CULPA é do aluno e talvez seja castigado e se torne repetente até "aprender bem"

[...tenho alunos sem geito para inglês...], teologicamente, isto significa que Deus trabalha bem porque esses alunos não nasceram em Inglaterra onde todos que lá nascem têm feito para inglês e os que nascem na China têm geito para chinês, etc. Esta "parvoíce" só significa o baralhar ensino e aprendizagem.

Quando nas vendas se o comprador não está interessado, a solução "oficial" é simples [...interesse-o, para isso é que lhe pago...!!"

Quando na escola se o aluno não está interessado, a solução "oficial" é simples: "...ele é desinteressado, tratem-no, o professor é pago para ensinar...!!"

Todavia, nas vendas, quando são os clientes que procuram o produto, tecnicamente chama-se "fornecer compras" e não se chama "vender". Um fornecedor de compras é menos qualificado que um vendedor e ganha menos. As máquinas que "vendem" cigarros não vendem cigarros, fornecem cigarros. Qualquer "fornecedor de compras" é substituível por uma máquina.

PS - O SMAS não vende água fornece água, na verdade, os SMAS's não têm vendedores de água, a água engarrafada já tem.

A diferença entre um professor e a Wikipédia é que nesta o interesse é prévio à consulta, assim a Wikipédia, Google, etc, são apenas "fornecedores de informação" mas a função central do professor não é fornecer informação é provocar o acolhimento e a integração dela. 
A sua área não é ser "papagaio de informação" (com mais ou menos datashows), é ser facilitador dos alunos para a sua integração, o que tecnicamente se chama Pedagogia. 

Nos tempos actuais, para fornecer informação ele tem um ajudante "barato", a internet, o livro, o computador, os colegas, etc.
Tem também ajudantes pré-instalados nos alunos que são o interesse e a curiosidade vitalícios mas podem estar em coma, adormecidos, distraídos, destruídos. Uma ferramenta útil para os usar são as perguntas, essa espécie de ginástica para os neurónios.

Mas cuidado há várias espécies de perguntas, entre elas "as que activam" e "as que desactivam":

Basicamente, há 3 tipos:
A - as perguntas muito "inteligentes" (perguntas indutivas) que provocam as respostas "estúpidas" SIM, NÃO, POIS, usadas em Tribunais para enquadrar testemunhas ou na TV para exibição do entrevistador. 

B - as perguntas fast food "explicativas" (perguntas google) com significado standart para consumo imediato, tipo concurso cultural TV, ex "Hermengarda"... quem foi Hermengarda? e o Google responde, personagem do romance Eurico o Presbítero, de Alexandre Herculano.

C - as perguntas "incomodativas" (perguntas thunks) questões sedutoras, intrigantes, que nos afastam do nosso trilho (vide Ian Gilbert), espécie de ginástica para os neurónios abalando a rigidez do pensar.


Quando vou ao Café ninguém me vende um café apenas me fornecem um. Todavia se me chamam a atenção para um bolo novo e me convencem a experimentar, então sim, vendem-me um bolo. Nos Cafés, os empregados não vendem cafés…fornecem cafés e vendem serviço de entrega. 

"Terapia" num bar ??? 
Nos bons bares um barman não vende bebidas, fornece o solicitado e vende acolhimento, tipo terapia ao balcão. Num bar em Londres conheci um estudante português, com um part time nocturno como barman. 

Em conversa, confessou-me que não percebia nada de bebidas nem de cocktails, mas tinha na retaguarda um ajudante para lhe dar isso. 
Dizia que álcool e gelo eram iguais em todo o lado, o seu êxito estava no número de clientes que ficavam assíduos... eu, por exemplo, fiquei assíduo pois sempre que estava em Londres era um deles... e até me ensinou a "ler clientes" e a prever como agir.

RESUMO

A diferença entre fornecer uma compra (ou informação) e fazer uma venda (ou ensinar) é que nesta última tem que existir criação de interesse, enquanto que na primeira o interesse já está criado. 

Quer o professor, quer o vendedor são técnicos de criação de interesse.

As ideias não possuem interesse em si próprias, ele aparece como consequência do modo como a sua transferência (comunicação) se faz, criando ou não uma "ponte" com o ouvinte. 

Este processo de transferência pode provocar três situações:

1 -  estabelecer uma expectativa atractiva (curiosidade), originando o INTERESSE;
2 -  criar uma expectativa negativa (repulsa) provocando ANTI-INTERESSE;
3 -  ser neutra, não afectar (indiferença) surgindo DES-INTERESSE. 

Um professor incapaz de criar interesse é como um vendedor que só sabe fornecer compras, ou um médico que só receita o que se pediu, ou pais que ensinam matando alegria de estar aprendendo. 
Qualquer um deles é incompetente e prejudicial se não alterar o modus faciendi

Na pedagogia há algumas regras simples: 

- Fazer "ancrage afectiva" (prender com anzol), fazer "pstt...pstt...", isto é, activar a curiosidade por sintonias com o já existente, ex: [dinossáurios, já pensaste numa galinha tamanho de um elefante? O que pensas dos ovos? (perg. thunk)]    - tempo 30 segundos -

- Fazer "ancrage" cognitiva, fazer "flip...flip", isto é, colagens sucessivas à informação já existente, criando conexões de segurança e compreensão, ex: [dinossáurios: já viste uma lagartixa e um crocodilo?  O que pensas dum crocodilo com tamanho e velocidade de um camião? (perg. thunk)]  - tempo 30 segundos -

- Construir uma teia de compreensões sucessivas desde o existente "já aceite" até ao "ainda desconhecido" e deve ter três condições: 
3.1 - ser curto-rápido (short);
3.2 - ser concreto, "palpável";
3.3 - ser uma narrativa.

A narrativa é uma espécie de "simulador de voo" que contém entretenimento e instrução.
É a linha condutora que dá estrutura ás partes, que transforma uma manta de retalhos numa pintura.

Desde a antiguidade que as histórias, parábolas, mitos são os veículos que divertindo dão instrução. Todos os guias, dos religiosos aos turísticos, o fazem. Na sua base existe uma espécie de conhecimento intuitivo dos neurónios espelho de [...o corpo imitar o que está vendo...*]. 
* - Às vezes ver futebol na TV... faz dar pontapés no ar.

Quando as crianças pedem uma história, na prática estão a dizer "diverte-me e ensina-me o que sabes!". A história da "Gata Borralheira" não é para divertir é para ensinar o papel social da mulher a ser doméstica, mas não por escravatura mas por amor... se pobre é doméstica na cabana, se rica é doméstica no palácio.

Tecnicamente, as histórias activam neurónios espelho. O ouvinte é passivo a nível dos neurónios, mas activo nos neurónios espelho pois ao visualizar a história está a incorporar sequências instrutoras.



quarta-feira, 16 de junho de 2021

Aprender e intenções


A vida é um jogo de intenções e é deste jogo que nasce o aprender






Por ex., entre a curiosidade (intenção) e a internet (intenções emitidas) nasce o prazer de SABER (AhAh... aprendi)!
Esta perspectiva arrasta três vírus culturais actuais que nos parasitam o pensar sobre ensinar alojados em FORMAR, INFORMAR e AULA. Um pequeno passeio turístico sobre os três vírus.


A - FORMAR 

Qual é a igualdade e a diferença entre uma maçã e um professor??



A igualdade é que com ambos se pode, ou não, aprender, e a diferença é que só o professor pode ensinar, a maçã não pode. 

Uma história simples conta que quando Newton estava debaixo de uma árvore e uma maçã lhe caiu na cabeça, ele teve um "relâmpago" na mente e nela fez nascer a ideia da gravidade, ou seja, uma aprendizagem nasceu. 

A maçã ensinou-o?? A maçã coitada não fez "ensinança" alguma, apenas se limitou a fazer o que as maçãs fazem há milhares de anos: caem das árvores. 
Tudo aconteceu na cabeça do Newton pois apenas com um "relâmpejar neural" privado e secreto isso foi criado, isto é, ele aprendeu e, nestes casos, só o próprio o sabe e às vezes nem mesmo ele.*
* - Algumas aprendizagens negativas não conscientes têm efeitos no futuro, Freud chamou-lhe traumas.

Na escola, o professor emite ensinos (prelecção) fazendo uma aula cheia de "ensinanças". Na perspectiva da eficácia o problema é simples...

...se estas "ensinanças" não provocam "relâmpagos criativos" nas mentes dos alunos e eles não criam novas "conexões neurais", houve ensino mas não houve aprendizagem. 
Porém, poderão ser criadas outras aprendizagens tipo [...isto é uma chatice e quero fugir daqui...] ficando desmotivado e desatento da aula e motivado e atento a outras áreas, exterior, jogos, colegas, sonhos, etc*.

* - O ser humano se não está morto nunca estará desmotivado (sem intenções), apenas estará motivado por algo diferente, desmotivado não existe, é um bug cultural: o suicida está motivado (tem a intenção) de não estar vivo.

O ser humano tem sempre activo o mecanismo de aprendizagem, pois todo o estímulo o afecta quer sendo ACTOR quer sendo ESPECTADOR, tira conclusões e aprende consciente ou não. Uma história: 

O pai do Zézinho ensina 2 filhos, um por ser protagonista e outro por ser espectador da acção educativa:


Lamentava-se o Zézinho:

- Pois é, eu estudo, tenho boas notas, e o cabulão do meu irmão num teste tem uma nota positiva e o pai oferece-lhe logo um fim de semana no Algarve.
Vou passar a ser também um cabulão, senão… só apanho sol na varanda.


Conclusão:

Da "ensinança" do pai não sei o que o irmão do Zézinho aprendeu (nem o pai sabe) pois ele pode deixar de cabular, continuar a cabular ou só estudar quando quer ir ao Algarve, ou etc,.
Mas o Zézinho com sua conclusão mostrou que, por ser espectador, aprendeu as vantagens de cabular para obter do pai o que quer.

Possivelmente e sem ter disso consciência, aprendeu também a expandir essa conclusão para a vida futura numa espécie de trauma Freudiano positivo(??), talvez a ensinar aos filhos, que o importante não é o próprio actuar mas sim obter as respostas que quer dos outros, ou seja, as suas próprias intenções* dependem das intenções dos outros. 
Esta aprendizagem poderá tornar-se uma [...arma de dois gumes para andar no fio de navalha entre a pomba e o vampiro relacional*].

* - Ver livros do perito consagrado Dale Carnegie com suas receitas, mézinhas e truques relacionais de "como usufruir dos outros".


B -INFORMAR 

Qual é a igualdade e a diferença entre um chinês e um português??



Prevendo o desastre com o camião, o chinês grita várias vezes em chinês a palavra CUIDADO mas isso é apenas um DADO transmitido e não é uma informação transmitida.
Na verdade, o dado transmitido só terá sentido se a mente do ouvinte lhe incorporar também o significado de cuidado e assim transformar o dado em informação mas isso só acontecerá se quem ouve souber chinês... doutro modo as palavras gritadas serão apenas gritaria sem sentido.

Em simplex, palavras sonorizadas ou escritas em chinês SÃO DADOS que só têm significado para quem saiba chinês, isto é, quem tenha o seu córtex a elas estimulável e lhes "associe" a intenção* inerente, deste modo surgirá a INFORMAÇÃO  correspondente.

* - Ver Sistemas de informação e Sistemas de Dados: o empowerment das pessoas, NelsonTrindade, Paula Silveira, Cap. 17, obra colectiva "Sistemas de Informação Organizacionais", Ed. Silabo, Lisboa, Dez 2005.

A igualdade entre o português e o chinês é que ambos constroem INFORMAÇÃO a partir de DADOS VERBAIS e a diferença é que... um só o faz em português e o outro só o faz em chinês*.

*- O namoro entre um português e uma chinesa, ignorantes da língua do outro, hoje é possível, fácil e eficaz se conversarem face-a-face usando os dicionários dos telemóveis para o fluir de significados entre si ... às vezes até dará casamento.

Na verdade, as palavras faladas/escritas são apenas DADOS [...ruídos sem alma...*] pois sem conhecer a língua desconhece-se a intenção inerente à palavra usada e não há INFORMAÇÃO.

*- ou seja, [...quando a diferença não provoca diferença...], segundo P. Watzlawick.

Saber uma língua é conhecer os significados das suas palavras, isto é, saber passar da palavra-dado à palavra-informação, ou seja, não é saber a gramática, saber ler, falar ou escrever, pois cegos, mudos e analfabetos podem conhecer várias línguas.

Mas a relação palavra-dado e palavra-informação é ainda mais complexa. 


Conseguem ler a INFORMAÇÃO deste telejornal? 
Penso que não, portanto são apenas dados de que não extraem qualquer informação (significado). Para o fazer teriam que saber ler o Gaélico Escocês e então perceber a intenção significativa de cada palavra.
Obs. É apenas a metereologia para o dia seguinte, anunciando bom tempo.

Quando a palavra vai para a tela TV é apenas um dado (sem alma), sem significado. Só se for ouvida por um ouvinte que lhe atribua um significado dos possíveis armazenados na sua memória, então passará a informação. 

Diferentes informações significa diferentes significados atribuídos, por exemplo, a notícia "A  Hermengarda é uma boa garota profissinalizada" criará informações distintas num português e num brasileiro, pois a palavra "garota" em Portugal e Brasil tem simultaneamente significados comuns e distintos, desde o inócuo a não inócuo.

Este quid quo pro dado-informação pode suceder com qualquer estímulo recebido pelo córtex desde gestos, palavras, descrições, fotos, comportamentos, etc. 

Exemplo com uma foto:
A Maria (pessoa casada) foi jantar com um homem, alguém viu, tirou uma foto e divulgou na empresa. 
Este DADO saltitou no rumor grupal e nasceram quatro INFORMAÇÕES consoante os significados atribuídos por quem viu, sejam esses significados verdadeiros ou não:

Surgiram adeptos defendendo a sua versão com "argumentos" que garantem que aquela evidência (dado) afinal é prova (informação).

Segundo a célebre afirmação de P. Watzlawick a - informação é uma diferença que fez diferença -, ou seja, houve um vestígio de algo (o dado) que foi parasitado por um significado (verdadeiro ou não) e se tornou a diferença renascida da anterior diferença e, então, chamada informação.

Este processo afinal é a essência da investigação criminal e a essência dos tribunais:

Começa-se por procurar vestígios do evento criando uma base de DADOS. 
A esses vestígios - EVIDÊNCIAS - "colam-se" significados, às vezes vários para o mesmo dado, criando INFORMAÇÕES, às vezes várias para o mesmo dado.
Estas informações são investigadas e validadas e serão as PROVAS da culpa ou da inocência.
A essência do Tribunal é fazer o julgamento culpa-inocência, ou seja, gerir o confronto Tese-AntiTese, Defesa-Acusação, sobre validades de dados, evidências, informações, provas, relatos.
 
Na verdade, toda a dinâmica do DADO-SIGNIFICADO-INFORMAÇÃO acontece escondido dentro do cortex dos protagonistas mas, às vezes, pistas expressivas conseguem escapar*, exemplo:
*- A psicanálise é uma técnica de "bisbilhotar este escondido.


1º caso, não há dúvida que os "dados recebidos" ficaram "dados mortos e enterrados" sem nenhum significado produzido.
    

2º caso, não há dúvida que o "dado tigre" recebido pelo gato detonou um significado explosivo ficando activo, vivo e criou "informação".

As duas alternativas, dado-morto e dado-vivo no ouvinte fazem toda a diferença para no aprender se situar no memorizar ou no compreender:

C -AULAS

A sua antiga base era "O prof. fala, aluno ouve e aprende o que ele diz", 

a sua base actual é "O prof. fala, aluno pensa e aprende o que pensou"


A diferença é enorme pois o "fazedor" (formador???) da aprendizagem não é cérebro do professor é o cérebro do aluno... e com cérebros parados ninguém aprende... dormindo  com máscara de acordados ou não:


Na verdade, uma aula é uma conversa e uma conversa não é uma dança de palavras mas sim uma dança de significados. O que isto quer dizer?

Dança-de-significados é cada interlocutor partir sempre do significado que pensa ter vindo do outro apesar de ter sido ele que o escolheu entre os seus conhecidos e depois responde-lhe em concordância. 

Por ex., "Como está???" pode significar interesse na saúde do outro ou protocolo de venda para "anzolar" afecto ao possível comprador, podendo haver des-sincronismo (natural ou provocado) entre ambos:
 
Manhã, 10 horas, um telefonema:
- Daqui Endesa, Bom dia, então como está? 
- Não muito bem, as dores nas costas aumentaram! 
- (silêncio....)Ahhh! mas não sou médica!
- Umm, Umm..., então enfermeira Endesa, pode ligar para ele?
- (silêncio)(silêncio....) Daqui é a electricidade Endesa.
- Há avarias?? Uuumm..., pode chamar uma enfermeira???
-- (silêncio)(silêncio)(silêncio)(silêncio)

A chamada cai, telefone fica desligado!!!

Neste quid pro quo, tecnicamente, chamado "saída pela tangente" pois simultaneamente está e não está síncrono, é sempre interessante a expectativa de assistir como o outro tenta sincronismo ou desiste.

Em síntese

Uma aula não é um dança de palavras "eu digo e tu ouves", é uma dança dança de significados "eu proponho e tu escolhes".
Em esquema um exemplo com a palavra ANTIGUIDADE:


Repare-se que o DADO Antiguidade com seus multi-significados origina três informações diferentes consoante o significado usado/escolhido.

Nós aprendemos porque ouvimos ou aprendemos porque pensamos??? Ouvir muitos telejornais é aprender muito ou des-saber muito? 

No século XXI, a principal questão é: - Estar-se-á aprendendo com a mesma velocidade com que o mundo muda?
Em séculos passados o aprendido numa geração servia ainda a muitas gerações no futuro, hoje os netos ensinam os avós a usar o telemóvel. 
O importante não é o que se sabe, mas a velocidade com que se aprende o que não se sabe. O motor deste “empurrão” é a angústia de identificar  - O que é que eu não sei???, ou seja, a curiosidade é uma capacidade que não pode ser definhada, pelo contrário deve ser intensificada e potenciada desde a pré-primária até na 3ª idade.

O produto de uma aula não é memorizar para papaguear ou repetir é ficar com curiosidade e caminhar para  O que eu não sei!

Em conclusão, 
a diferença entre viver e vegetar é que

Se a vida é um jogo de intenções, a curiosidade é a sua energia e pensar é o seu suporte.

"O que eu não sei!!!" O vício da curiosidade


Incomodado com a invasão da Teoria Quântica aos meus paradigmas físicos tipo Newtonianos, resolvi ler um pequeno livro (268 pág): “
Taking the Quantum Leap - The new Physics for non-scientists” de Fred Alan Wolf .

Depois de o ler, fiquei indeciso - "Agora saberei mais ou saberei menos da Teoria Quântica?? ou não saberei nada?"

Resolvi ver a bibliografia do livro e os 90 títulos que lá estavam confirmaram-me que dantes "eu era insciente mas agora era ignorante, pois agora sabia que havia muito que não sabia". A minha curiosidade ficou irritada.

Sem desistir, mas interessado em Pedagogia resolvi estreitar a procura e foquei especificamente esse tema. Assim, comprei o livro - “The beginner’s guide to Quantum Psychology” de Stephen Wolinsky, PH.D - com apenas 174 páginas. No fim, a bibliografia de aprofundamento mostrou-me mais 80 títulos.

Decidi abandonar o aspecto geral e aprofundar a pedagogia para o século XXI.  Comprei um livro base - “The accelerated Learning Handbook” de Dave Meier, já mais especializado, estilo prático com 250 páginas. O livro era interessante e com uma Bibliografia, reduzida mas seleccionada de 130 títulos.

Durante a leitura do livro, houve um tema que me interessou bastante que foi o “fluir da experiência” e que me atraiu a curiosidade e o interesse. Fiquei contente pois tinha encontrado um ponto de partida, um ponto de vista para me posicionar.

No livro, o autor citado que mais me atraiu foi Mihaly Csikszentmihalyi - “Flow: The psychology of optimal Experience”- um livro difícil de encontrar, mas que por pesquisas na NET e “trocas informativas” por e-mail, encontrei um em 2a mão (USA). Comprei, estudei  as suas 250 páginas e a bibliografia de 500 títulos.

Conclusão:

Para aprender algo sobre Teoria Quântica e a “aprendizagem acelerada” a minha curiosidade levou-me a estudar 4 livros, num total de 942 páginas: 268+174 +250+250, que me abriu um mundo desconhecido de não-conhecimento de 800 livros: 90 +80+130 +500.

Esses 800 livros, com uma média de 250 pág. por livro, significavam que tinha uma ignorância de 200.000 pág. de informação, isto é, tinha passado de insciente da Fisica Quântica a ignorante de 200.000 pag. de ideias desconhecidas.
O estudar, se não for decorar para "palavrear", tira-nos presunção e dá-nos humildade.

No pensar Zen, a sabedoria é saber que nada sabe, pois [...qualquer aprender nem sequer é um grão de areia na praia do saber...], quanto mais se sabe, menos se sabe... [o ignorante ao adquirir saber fica mais sábio, o sábio ao adquirir saber fica mais ignorante...].

O exemplo descrito é a situação normal no século XXI que, com milhões de livros, e-papers, artigos, blogs, etc, publicados, é [...um oceano de ideias] onde nos afogamos só à sua superficie, pois é indiferente para o afogado afogar-se na banheira ou no oceano com 5 Km de  profundidade.

Só em 2019 (USA) foram vendidos 690 milhões de livros impressos e a Google em Out. 2015 informou que o total de livros digitalizados foi mais de 25 milhões.
Isto coloca uma pergunta incomodativa, porque se a informação cresce exponencialmente,:

Como é que um "sábio" pode andar actualizado? ou, filosoficamente,
Que sabedoria não actualizada ensinam os professores? e as -... universidades?

Um exemplo simples, com números que ficam muito aquém da realidade (Vide Alvin Tofler “O choque do futuro”.).
Imaginemos uma universidade em Portugal que todos os anos adquire 10% dos novos livros técnicos publicados e cuja quantidade duplica todos os anos. O que acontecerá?

Em gráfico:

Começando o gráfico com 10.000 livros novos publicados e a universidade adquirir 10% deles (1.000) isso "retira" 9.000 livros novos do acesso dos alunos a novas actualizaçoes.
Mantendo o ritmo de os livros novos e as aquisições duplicarem sempre, no último 5º ano a universidade adquire 32.000 livros novos e "retira" 288.000 livros novos do acesso a novidades pelos alunos.

Na idade média com poucas novidades e reduzidas aquisições era um equilíbrio aceitável mas no sec. XXI com a explosão do conhecimento é drástico,

Em resumo, na totalidade em 5 anos, a universidade equipou-se com mais 63.000 livros novos para criar competências nos seus formados mas retirou-lhes 567.000 livros de novas informações de modelos, teorias, hipóteses, etc,... ou seja, recém formados e já desactualizados.

A pergunta, talvez simples demais, é "- Nesta situação a universidade estará preparando os alunos para caminhar para o futuro ou "cegando-os" ao futuro???

É óbvio que a solução não é comprar a totalidade do que é publicado, mas também não me parece que seja recusar o problema, em conclusão, o paradigma da formação tem que ser mudado.

No séc XXI, o poder cultural deixou de ser posse para ser movimento, deixou de ser armazenar para ser caminhar, deixou de ser “guardar” para ser fluir... ou seja, a universidade tem que ser outra, o ensinar não é "despejar" e, fundamentalmente, aprender não é "engolir".

A universidade deve ser "expansão" da curiosidade e fornecer modelos e apoio para a usar no oceano de conhecimentos que anda à solta por aí e cada vez mais é mais profundo.

Acabar a formação não é o seu fim, na verdade é o verdadeiro inicio do seu começo.