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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Checkar, recheckar, rerecheckar…SIM...NÃO…MAS...



Seattle Times, 1981
Steve Titus, em Outubro de 1980 foi acusado com provas e testemunhos ter violado uma jovem de 17 anos. Julgado em Tribunal é condenado.

Durante o julgamento, as "provas" acumuladas foram durante dias checkadas, re-checkadas, re-re-checkadas por advogados de acusação, advogados de defesa, pelo grupo de jurados e… a conclusão foi culpado e condenado. 

No ano seguinte, por pressão de uma investigação do Times, o verdadeiro culpado é preso e Steve Titus é solto. Não foi um fim feliz. 

Steve passou de saudável a doente, de parceiro feliz a solitário infeliz, de empregado a desempregado. Põe um processo à polícia e dias antes do julgamento morre com um ataque cardíaco por stress. Tinha 35 anos.
Comentário do
Sargento Detective Dave Hart, Policia de Seattle -"Sentimo-nos mal com o acontecido, mas acredito que todos tentaram fazer o seu trabalho".
PS - Se o seu trabalho incluía condenar inocentes, então tentaram e fizeram, se não incluía tentaram e não fizeram.

Fazer o seu trabalho é importante, checkar, re-checkar, re-re-checkar é prioritário, mas não fazer asneiras é o objectivo fundamental. Todavia, há imensos casos de inocentes considerados culpados e culpados considerados inocentes.

Gosto do termo "evidência" (USA: evidence),  em substituição do termo "prova".

"Evidência" é um vestígio que se destina a ser avaliado, susceptível de ser (ou não) prova de qualquer coisa, ou ser prova de SIM ou ser prova de NÃO.
Ou seja, é algo que se destina a ser pensado e ser (ou não) considerado prova como resultado desse pensar. Numa palavra, ser (ou não) prova é consequência do observador.

PS - Perspectiva Quântica: "O observador faz parte do observado" e não Perspectiva Newtoniana: "O observado é independente do observador".

O substantivo "prova" é um vestígio que já vem com "farda" de validado, é algo que à priori já vem vestido de certificação. Se não se concorda tem que se des-provar…e se não consegue, então, a ausência de des-prova é prova de validação. Anda-se pelo mundo fictício da ilógica.

O checkar, recheckar, rerecheckar com o seu SIM... NÃO… MAS... pode ser feito na perspectiva quântica (- Qual a minha influência pensadora??) ou na perspectiva newtoniana (- Sou neutro, só concluí o que lá está !!!).

Esta diferença implica técnicas diferentes.

Aprofundando:

Por um lado, quando se vai checkar, pode-se confirmar um ou dois níveis: 

- a fonte (origem) da evidência 
e/ou 
- o conteúdo da evidência.

Por outro lado, uma evidência é um registo, uma "pegada" deixada pelo acontecimento. Sendo assim, uma evidência tem que ter um suporte material que pode ser:

- marcas na realidade;
- escritos (papel, computador, quadro..);
- imagens (fotos, vídeos…)
- memória (testemunhos, reacções, emoções,…)
-…

em que qualquer deles é sempre resultado de uma "filtragem" (selecção de parcialidades) feita pelo seu autor. Ou seja, os conteúdos estão sempre directamente ligados à fonte, dependem desta. Não se podem separar.

Um exemplo:

Se eu fosse ao futuro e comprasse o jornal do dia seguinte onde vinha a notícia da minha morte, ao regressar ao presente, qual era a única certeza que tinha se soubesse que esse futuro não era alterável??

Se está a pensar que morreria no dia seguinte não é verdade, nunca teria essa certeza. O jornal não era prova disso, por muitos que check's e recheck's que fizesse.

A única evidência que teria é que tinha sido publicado no jornal.

Não se pode separar a noticia do observador que a escreveu, viu, testemunhou, seleccionou.

Conclusão

Checkar, recheckar, rerecheckar…SIM…

MAS… apenas para obter evidências para pensar e não para validar.

A noticia de jornal que apresentei no início (admitindo que a fonte Internet é verdadeira e eu transcrevi correctamente, o que terão que confirmar/checkar) não dá qualquer prova de verdade acerca do acontecido com o Steve Titus, que pode ser um mito dos média. A única confirmação é que saiu no Seattle Times.

A diferença de checkar para validar ou checkar para pensar foi agudizada com a Internet.

No PRÉ-INTERNET as informações valiam o que valia a fonte (o professor, os pais, as instituições, o governo, os lideres, etc). Quando a fonte era validada a informação era verdadeira. 
Se muitas fontes válidas validam então então a informação é a voz de Deus [vox Dei est].

Admitindo que se aceita o conteúdo, a angústia de aceitar uma informação como válida é resolvida se se conhecer as fontes onde se foi encontrada. Normalmente, estas fontes nunca são lidas porque não se pretende aprofundar, mas apenas garantir a validação.

É uma cultura do "pensar reduzido e validação intensificada". 

No PÓS-INTERNET a situação mudou…é cultura do "pensar intensificado e validação reduzida".

Não só se sabe que qualquer conteúdo depende do observador que seleccionou o "bocado" registado e esqueceu outros "bocados", como se sabe também que ao registar acrescenta detalhes pessoais, não só ao escrever na escolha de palavras, construção da frase, etc, como ao fotografar/filmar  no angulo escolhido, pormenor ou conjunto, etc, como até ao memorizar não vendo ou acrescentando pormenores, muitas vezes inconscientemente como no caso das testemunhas do Steve Titus, ou profissionalmente no caso de fotógrafos e realizadores de cinema.

Realmente as "provas" (com check e rechecks) não provam nada, a garantia do "His Master Voice" acabou. Checkar não são "provas de validar" são "evidências para pensar" e aqui os registos dos check's feitos são importantes para poupar trabalho pessoal de pesquisa. Ou seja, não substitui o trabalho pessoal de pensar, apenas facilita a obtenção de recursos para isso.

Para terminar um exemplo interessante.

Andam na Internet dezenas de blogues, artigos, revistas, livros de autores conceituados (ex., Rupert Sheldrake, Ed. Piaget, Lisboa) sobre uma teoria da mudança social chamada "Os 100 macacos". 
O modelo baseia-se numa experiência de cientistas japoneses em 1952 que mudaram comportamentos alimentares de macacos isolados numa ilha.
A experiência que durou alguns anos, mostra a evolução da mudança na dinâmica inter-gerações. Em determinada altura apareceu também como conclusão o facto de ter existido a mesma mudança comportamental em macacos de outra ilha distante e isolada desta.

A partir daqui surgiu a hipótese de que, quando o número de indivíduos com comportamentos alterados ultrapassar um certo limite quantitativo, então outros indivíduos da mesma espécie fazem "naturalmente" a alteração.

Assim, esta experiência de 1952, começou a ser a base de muitas hipóteses de pesquisa e aprofundamentos sobre conexões, por ex., os campos morfogénicos do biólogo Sheldrake, as sobreposições quânticas ligadas às intenções, o efeito de rezas em grupo, etc.  

O interessante é que na experiência de 1952 essas conclusões não existiram. Simplesmente essa ausência de prova não prova que não seja possível a sua existência, como parece ter sido tentado com êxito na Televisão australiana com a difusão de símbolos.

Todavia, a cultura pré-internet ao ver que a experiência de 1952 nesse aspecto era um mito mediático, recusou também validar os campos morfogénicos, o que obrigou Sheldrake a vários debates e confrontações na TV, porque citava isso nos seu livro a propósito dos referidos campos.

Checkar não é importante para se ficar sossegado com a certeza da informação, é importante para facilitar saber para onde se vai. Com chekagem ou sem chekagem o importante é saber o que faço/penso com isto…e isto é que é importante.

A informação não é importante por causa de onde vem (checkar para validar), é importante por causa de para onde vai (checkar para usar). Pode vir de sítio errado e originar ir para sítio certo. 

A experiência de 1952 existiu ou não ? Não sei, mas interessa-me saber se os campos morfogénicos existem ou não. A TV Australiana preocupou-se em testar os campos? Não sei, mas se quisesse e pudesse testar iria bisbilhotar a TV australiana. O checkar dá-me um ponto de partida e não um ponto de chegada para descanso.
Checkar SIM… MAS para obter recursos para pensar e não para garantir a sua validação. 
Hoje o tempo do His Master Voice acabou… a não ser como um bom ponto de partida e não como um bom ponto de chegada.

A angústia de não saber se o Desconhecido é verdade (ou não) é o Sal da Vida.


domingo, 20 de outubro de 2013

Experiência com macacos e Democracia


Um grupo de cientistas foi contratado para ensinar, em poucos dias, um grupo de macacos a escrever à máquina.

Resolveram usar a técnica das boas dactilógrafas, em que cada um dos dedos da mão esquerda tecla em grupos de letras do lado esquerdo e os dedos da mão direita teclam em grupos de letras do lado direito.
Os polegares usam-se na tecla do meio (espaço).

Um método eficaz e eficiente de escrever à máquina.


Os macacos entusiasmaram-se e aprenderam rapidamente.
Os dedos acertavam nas teclas ensinadas, não trocavam de dedos nas teclas, sendo cada uma usada com o dedo correcto, não teclavam duas teclas ao mesmo tempo e as letras apareciam com rapidez no papel.

Fizeram-se testes reais de competição com dactilógrafas eficientes. 
Como resultado do treino, os macacos apresentavam uma velocidade de escrita superior ao das dactilógrafas e o tempo de aprendizagem necessário foi cerca de 50% inferior.

Os investidores e os cientistas estavam muito contentes com a experiência e as futuras potencialidades do uso das máquinas de escrever, considerando a futura mão de obra disponível.

Agora... o que foi difícil de ensinar aos macacos foi aprender a ler e a escrever.




Na democracia, em alguns países também se têm feito experiências científicas com insucessos semelhantes (felizmente não em todos).

Sendo a democracia uma técnica de decisão em conjunto, vários grupos de representantes são eleitos para esse trabalho.

Nos países em causa com experiências falhadas, os eleitos aprendem rapidamente as técnicas de consensos, negociação nos conflitos, utilização eficaz dos lobbies, fazer relações públicas e conversas diplomatas, criar rede de amizades, usar automóveis, roupas e hábitos de status elevado, falar em público, esconder bem os "telhados de vidro", guardar cartas na manga para épocas de crise, trocar favores, etc,...numa palavra, produzir decisões em comum.

Agora...aprender a decidir bem e não fazer asneiras é que não foi possível.

Assim, nestes casos, macacos e eleitos, têm um  diagnóstico semelhante.

1º - O problema não está nos macacos, nem nos eleitos;
2º - O projecto é que está definido com defeitos;
3º - A incompetência está em quem concretiza o projecto, os investidores no caso dos macacos e os eleitores no caso dos eleitos.

No caso dos macacos, o objectivo não era para aprender a escrever na máquina, era para aprender a escrever texto na máquina, isto é, não bastava escrever letras, era preciso escrever letras que dessem sentido às frases produzidas.

No caso da democracia, o objectivo não era para decidir em comum na Assembleia, era para  decidir BEM E NÃO FAZER ASNEIRAS nas decisões em comum na Assembleia.

Realmente, não há vantagem nenhuma em ter um sistema político que...

DEMOCRATICAMENTE faz ASNEIRAS nas decisões.

Democratas, ou não, asneiras são asneiras. As asneiras não passam a ter consequências boas pelo facto de serem decididas democraticamente, isto não é desculpa para parvoíces…antes pelo contrário, aumenta a culpa, isto é, a não-desculpa.

Penso que para resolver o problema, as análises a fazer não são sobre os eleitos, são sobre os eleitores.
Não serve de nada comparar eleitos do lado falhado com eleitos do lado com êxito, o que interessa é comparar os  eleitores de lado falhado com os eleitores do lado com êxito.

Tem que haver algum "cientismo" correcto nestes processos de diagnóstico.


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Viver possibilidades, Matrix e caminhar no fogo

A Matrix e o Neo, com a sua possível escolha entre a pílula vermelha e a azul, representam as duas hipóteses de vida, uma (azul) viver dentro do mundo fechado do córtex e a outra (vermelha) viver com a "cabeça" espreitando para além desse limite, olhando as possibilidades potenciais que nos envolvem e aonde pertencemos.

cena do filme Matrix
Quando Neo escolhe a pílula vermelha, escolhe aceitar a realidade da teoria-M, a teoria M(other) de todas as teorias ou M(atrix), uma variante da Teoria das Cordas da Física, com suas 10 dimensões e mais 1 (o tempo), ele escolhe entrar no mundo complexo das possibilidades em potencial.

O alquimista
Na prática, estas teorias ou hipótese científicas, sem entrar nas complexidades teóricas e matemáticas da Física (vide Einstein, Hawking, etc) e usando uma linguagem medieval, significam apenas um esforço de "esticar o pescoço para fora da normalidade" para encontrar  a "normalidade escondida". 
São uma variante moderna (dita cientifica) dos trilhos da alquimia medieval (dita não científica), mas com o mesmo objectivo: espreitar para além do óbvio, para o desconhecido.

Na verdade, de uma forma mais ou menos clandestina e perseguida, o ser humano sempre andou a pisar os limites do possível, entrando no aparentemente impossível.

Realmente o percurso de vida é apenas uma sequência de experiências, ou seja, uma sequência de vivências interpretadas pelo córtex. Interpretadas quer dizer conectadas a registos existentes em stock, e criadoras doutro registo. Portanto, repetir uma vivência é sempre criar uma experiência nova pois o stock a conectar já não é o mesmo, por isso a 2ª leitura de um livro nunca é igual à 1ª leitura.







Regressando ao Neo e à sua pílula azul, o que ela significa ?




O Olho e a TV


O olho não tem nada lá dentro excepto mecanismos para levar sinais eléctricos (estímulos) ao córtex. É uma espécie de antena a captar sinais para o aparelho de TV. Tudo acontece no cérebro e no aparelho receptor.



Depois dos sinais recebidos, quer o aparelho TV quer o córtex transformam esses sinais e criam um objecto virtual. 
Na TV esse objecto virtual (imagem, som) é transmitido para o exterior, mas no córtex é transmitido só para o interior, para si próprio. É um sistema em auto consumo, só o córtex vê o que produz. 

Segundo algumas teorias, ele projecta um holograma desse resultado e a nossa visão da realidade é a visão desse NOSSO holograma…cada um vê o que o córtex consente (como ex., a "cegueira à mudança").


Vendo o holograma como real: -"Hoje estás muito contente"
Por outro lado, a TV não tem consciência do resultado, mas o córtex tem, pois assiste ao que produziu e agrega-lhe conexões já existentes, tais como, nomes, emoções, significados, etc. É produtor e consumidor único em constante interacção…quando produz vê e altera se necessário.

Se o aparelho TV também visse a sua própria transmissão, acreditaria que o mundo exterior era o filme que passava no écran. Se todos os aparelhos de TV estivessem a receber os mesmos estímulos (sinais) do mesmo canal, todos concordariam que o mundo onde viviam era esse mesmo filme que estavam a ver. Seriam uma espécie de seres mergulhados no seu próprio umbigo, ou seja, seria o Neo do filme Matrix se tomasse a pílula azul.

Isto significa que, para a pessoa que dorme, o sonho construído no cérebro é tão real como a realidade construída no cérebro quando está acordado, ou como a realidade construída quando está drogado. 

Se, desde que nasce até que morre, sempre estiver a dormir, estimulado directamente no córtex a  viver através dos sonhos criados, … se acordar … e for estimulado indirectamente pelos sentidos, pensará que está a dormir e quererá voltar à situação anterior de "acordado". 

Filme Matrix, Neo, com pílula encarnada,
acorda e vê os outros a viver de sonhos
A conclusão que surge é fácil, pois é uma pergunta velha como a filosofia: -" Andamos acordados ou a dormir???"

Como resumo e mantendo a analogia, nós somos uma espécie de projector fílmico que faz tudo:

- recebe sinais,
- a partir deles constrói filmes,
- projecta-os para si próprio,
- e conclui que os filmes feitos são imagem da realidade exterior. 

Noutras palavras, o "acreditar" normal é acreditar que o cérebro vê "O" real. Conclusão interessante mas sem bases lógicas:

- "Se for daltónico com o verde, é o mundo que não tem verde ou é o córtex que tem bugs?"

Se a resposta for que são problemas do córtex, então a pergunta lógica imediata é: 

- "Então, porque é que são os outros casos que estão correctos?"

Se a resposta for porque a maior parte vê verde, então numa região em que os daltónicos forem maioritários (modificações genéticas) é a região que não tem verde? Se aparecerem mais minoritários que vêem verde, a região já tem verde?

Se o critério cientifico de validar a verdade é a quantidade de opiniões concordantes, então a religião verdadeira é a que tem mais crentes? No tempo de Cristo, Ele era minoritário, então não era verdadeira?
Ou seja, a creditação do(s) Deus(es) é por maioria humana? Nunca ouvi falar deste critério religioso.

Convém não se perder a lucidez lógica. É bom não esquecer que a maioria democrática não identifica o correcto, identifica o acordo. Pode haver uma maioria de 100% e isso significar apenas 100% de acordo na asneira. 
Tecnicamente,…estão democraticamente certos no processo e democraticamente errados no resultado.







Regressando ao Neo e à sua pílula vermelha, o que ela significa ?





O córtex e o queimar


A pílula vermelha significa criar condições para sair do fechamento do mundo virtual do córtex e "saltar" para o exterior, passeando pela Matrix, colapsando possibilidades. Numa analogia alquimista é "esticar o pescoço para fora da normalidade".

De um modo simplista significa "decidir a escolha de uma possibilidade". Simplesmente, por detrás desta simplicidade, o  "decidir" é complexo. Ele é o fulcro da questão.

Alguns autores falam (em tradução livre minha ) de "decisão embebida", significando uma decisão que "agarra o corpo e a mente" e não funciona apenas "da boca para fora". É uma decisão com consciência cognitiva impregnada de emoções.

Com maior ou menor intensidade, pelo menos uma vez na vida, todos temos uma decisão destas. Ela é  uma espécie de fronteira entre o ANTES  e o DEPOIS e é "decidida a ferros". Os bons realizadores de cinema fazem-nos viver estas decisões na vida de protagonistas e são normalmente cenas significativas do filme.

Uma "decisão embebida" é aquela que tem "double bind", isto é, um duplo vínculo conteúdo-atitude. 
Como analogia, a comunicação verbal tem sempre "colagem" à comunicação não-verbal, a palavra está sempre "colada" à atitude e esta é dominante no resultado. Palavras apaixonadas não funcionam com atitudes de aborrecimento.
A "decisão embebida" tem a mesma dinâmica.

Segundo pesquisas e hipóteses explicativas, e de um modo simplificado, a "decisão embebida" exige uma intensa integração cognitiva e emotiva, intensificadora da bioelectricidade nos neurónios. Este aumento provoca um alargamento e potenciação do electromagnetismo corporal, alargando o seu campo e modo de interferência no exterior (vide Física do electromagnetismo e indução). 

Em resumo:

Na pílula azul o que existe é "decisão zombie" onde o campo electromagnético não é intensificado, com a pílula vermelha vai existir a "decisão embebida" que cria um campo electromagnético intensificado:

com "decisões zombie"                   com "decisões embebidas"
possibilitando condições de colapsagem da possibilidade optada.

Em situações de crise as "decisões embebidas" surgem naturalmente, mas na rotina diária andamos vivendo de "decisões zombie" características da pílula azul.
Porquê ?

Porque uma baseia-se em "opções" (a zombie)  e a outra em "intenções" (a embebida). A intenção é uma opção integrada em atitude.
Não é um problema de vontade, pois não é a vontade que provoca intenção é a intenção que origina a vontade, do mesmo modo que não é falar-bem que cria expressão não-verbal, é a expressão não-verbal que origina o falar-bem.
É importante não trocar causa com consequência porque senão as formações são inócuas.

Um exemplo da colapsagem da possibilidade "correr saudável" pode ser obtido observando  "atletas de domingo" a correr nas ruas das localidades.

Se se reparar na sua leitura corporal, uns correm com "decisões zombie" arrastando o corpo atrás dos pés, exibindo Kalimeros em penitência. Outros, com "decisões embebidas" nos músculos, orgãos e mente, mostrando claramente como os pés "obedecem" ao corpo-mente unido na intenção de correr,  numa imagem de BipBip's em desafio.

Andar 50 metros no estilo BipBip é melhor que correr 1 Km no estilo Kalimero. Uns vivem o prazer e a alegria do movimento a caminho da juventude, os outros vivem o esforço de sacrifício e obrigação a caminho da velhice.


Na prática

Decidir de um modo ou outro não tem o mesmo resultado. As opções não são harmónicas a 100% nos factores envolvidos, isto é, elas contêm factores pró e factores contra não resolvidos a nível pessoal.
É a diferença entre a opção: -"Vou tentar…" com dúvidas endémicas a nível da atitude e a opção - "Vou fazer:.." com uma atitude bem definida, mesmo que em qualquer delas existam ainda dúvidas a nível do conteúdo optado.
Como exemplo:

Um jovem tem medo de saltar de uma rocha (ou prancha) para a água, apesar disso quer fazê-lo. Tem assim uma opção cognitiva clara mergulhada em contradição confusa na atitude, quer mas não quer (tem medo).

Enquanto assim estiver o bloqueio na atitude manter-se-á no momento de saltar. O normal é passar imenso tempo hesitando saltar, acabando por fazê-lo tipo "zombie" ou "saco de batatas" (principalmente se pressionado, diplomaticamente dito motivado), solução muito adoptada por monitores, família, etc. É um processo de regressão.

Pelo contrário, na "decisão embebida", momentos antes (2s,3s) ainda afastado do local de execução, ele tem que ter a atitude de "Vou fazer" e, no caminho para o local, mentalmente já está fazendo…saltar é apenas a continuação.

Agora, com medo ou sem medo, fá-lo-á consciente, pensando. Não é zombie", nem "saco de batatas", é pessoa. Coragem não é … não ter medo, fechar os olhos e fazer. Coragem é pensar, abrir os olhos e fazer, com medo ou sem medo. É um processo de progressão.



Uma aplicação: "O fogo queima"

Por experiência e normalidade social pôr a mão no fogo queima.
Assim, andar sobre o fogo é uma escolha possível ou é uma parvoíce evitável?
Com o preparo necessário é uma possibilidade de escolha humana ou milagre/prenda divina?

Porém…



…desde a idde Média até aos dias de hoje que se fala em "andar no fogo", quer em milagres divinos, quer em curiosidades a estudar.

A hipótese é simples:

Se pés descalços andarem no carvão de coque em brasa a 550ºC, queimam-se ou não ?
Se não, porquê???




Para experiência pessoal fiz o "caminho do fogo" e foi realmente possível, mas ainda hoje pergunto/pesquiso: Porquê? Como?

foto pessoal
Não estava drogado, não houve rezas aos deuses, não houve slogans nem marchas motivantes, nem obediências a "q'ridos líderes".

Houve uma preparação de 2 horas, constituída por alternância de activações, estiramentos, relaxações, concentração, visualização de movimentos e posições, tudo em ambiente de música suave.
Depois fomos para o campo, com a indicação de que a decisão de fazer (ou não) seria tomada lá.
Os que decidiram fazer e foram aceites…andaram os 10 metros no carvão (500/600ºC) e ninguém se queimou.
No meu caso pessoal, depois de fazer, fiquei entusiasmado e voltei para o início, querendo repetir. Não me deixaram dizendo que o "mood" (estado mental ??) tinha desaparecido.

Ainda hoje tento reconstituir como me sentia para decidir fazer (e que foi reconhecido) e que depois não existia. Realmente, recordando, sinto que, antes e depois, estava em "mood" diferente…mas ainda hoje tento definir o quê, qual a diferença e como posso repetir.

Vendo hoje os estudos sobre a "intenção" e a "zone", ambas pressionando a atitude inserida em emoção como criadora e intensificadora de campos electromagnéticos, é uma possibilidade possível. Eu lembro-me que momentos antes, descalço na relva e preparado para entrar, "eu via-me/sentia-me a andar no carvão" e começar "o caminho do fogo" foi apenas continuar a andar…daí eu querer depois repetir a passagem para sentir a mudança.
Aceitando esta hipótese, a experiência foi apenas andar dentro de um campo electromagnético intensificado:


Para terminar


As possibilidades estão aí, o século XXI abriu a porta com a quântica, a neurociência, universo como holograma, a Física das cordas, mas o desafio é que o ser humano e sua consciência estão no centro e não é só em filosofias, porque as possibilidades estão em cada minuto do nosso quotidiano.

Podemos não tomar a pílula vermelha do Neo da Matrix, mas pelo menos não tomemos a azul.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A vida e o jogo das possibilidades, Newton ou Quântica?

Ando entusiasmado a aprofundar "O universo como holograma", pois sinto-me como o Neo do filme "Matrix" a escolher a pílula encarnada e não a azul…ou seja, sinto-me a pôr os "neurónios fora da calha" e não só "fora da caixa"(out-of-box).
Na prática, muitas vezes fica-se fora da "caixa" mas dentro da "calha", isto é, pensa-se o mesmo noutra situação diferente.

PS - Facto muito comum com políticos pois, quando estão fora da caixa-ditadura e já na caixa-democracia, continuam a pensar e actuar na "calha-autoritária".


Matrix, ou útero em latim (mater+ix), é o local onde existem todas as possibilidades para o novo ser a ser criado, ou seja, qualquer um pode "ser nascido", todos são possíveis. 
Todavia, assim que uma possibilidade é colapsada passa de possibilidade a realidade. 
Engravidar é fazer o colapso da 1ª possibilidade das muitas possíveis e iniciar o caminho de "colapsagem" das seguintes até morrer de velho. 
O filme "Matrix"(Útero) é um filme sobre o "campo de possibilidades" da vida, o seu útero. É uma boa porta de entrada para se pensar sobre o universo como possibilidades potenciais.

O esquema normal da vida (modelo newtoniano) é uma linha recta ou quebrada entre o nascer e o morrer:
Porém segundo a quântica a vida é uma sucessão de possibilidades colapsadas em cada momento, em função das possíveis existentes na matrix e da intenção do observador ao seleccionar uma. Em esquema:

isto é, o caminho continua a ser uma linha quebrada (a preto), simplesmente em cada momento (a encarnado) tem que existir uma decisão sobre as possibilidades existentes (a verde) e escolher uma. Escolhida esta, no momento seguinte a lista das possibilidades existentes é diferente da que existiria se tivesse escolhido outra.
Por exemplo, neste momento quer:

- continuar a ler ?
- parar ?
- ….

Se escolheu "continuar a ler", vai agora escolher:

- voltar atrás ?
- seguir em frente ?
- pôr música ?
- pôr-se de pé ?
- ….

Se escolheu "parar", vai agora escolher::

- pensar sobre o que leu ?
- tirar notas ?
- telefonar para contar a um amigo ?
- esquecer tudo?
- ….

Se escolheu "pensar sobre o que leu", vai agora escolher::

- pensar sobre a sua validade teórica ?
- pensar sobre a sua aplicação à vida passada ?
- pensar sobre a sua aplicação à vida futura ?
- pensar sobre o que concorda e não concorda?
- ….

Em cada alternativa, as alternativas são infindas (é a Matrix com suas possibilidades).
Viver é fazer escolhas em cada momento quer disso tenha, ou não, consciência e sempre com a certeza de que a escolha é UNDO (impossível de desfazer). Pode-se refazer, emendar, completar, destruir, etc, mas nunca poderá des-acontecer o que já aconteceu… tem que se continuar a viver com essa escolha e suas consequências.

O modelo quântico é angustiante e atraente. Trás a alegria da decisão e o risco de decidir.
Quando se diz que "sorte é quando o preparo encontra a oportunidade" está errado, pois "sorte é quando a decisão é correcta considerando o preparo existente e a oportunidade encontrada". O ponto central não é o encontro preparo-oportunidade (perspectiva newtoniana) é a decisão de qual a possibilidade que vai usar nesse encontro (perspectiva quântica).

Bisbilhotando para trás a vida pessoal (e de amigos/as), por vezes há uma forte sensação (feeling/intuição) de alterações (decisões) que foram tomadas e que significaram volte-faces "drásticos" no caminho da vida, ao escolher certas alternativas entre as existentes. A Matrix estava lá e a consciência dela também.

Isto não significa que tempos depois não haja arrependimento ou satisfação pela decisão tomada. Porém a gama de possibilidades continua aberta e disponível para regressar a situações antigas, acontecimento vulgar, por exemplo, na violência doméstica ou na droga quando regressam depois de ter saído. Mas, esta não é a questão. A questão não é o regresso, é a decisão de regressar.

A técnica da existência de "padrinhos" no caso da droga, isto é, de amigos que funcionam como Alter-Egos lúcidos para apoio no caminho da recuperação, é uma solução usada. Simplesmente, há duas alternativas.
Uma é apadrinhar a lucidez em ficar longe das tentações, outra é apadrinhar a lucidez em decidir "NÃO" perante a tentação. No primeiro caso isola da tentação, no segundo caso gere a proximidade à tentação, até esta gestão deixar de ser necessária.

No primeiro caso não há fortalecimento há afastamento, no segundo caso não há afastamento há fortalecimento (esta diferença também existe no caso da violência doméstica, ou do não-estudo).

As técnicas também diferem. No 1º caso baseiam-se em "controlos policiais de protecção", no 2º caso em "estratégias experienciais de desenvolvimento". Aparentemente, a 2ª técnica é mais arriscada do que a 1ª técnica.

A resposta é: -"SIM e NÃO!!"

Os "controlos policiais de protecção" são menos arriscados no presente e mais no futuro, mas as "estratégias experienciais de desenvolvimento" são mais arriscadas no presente e menos no futuro. As primeiras são mais confortáveis para os "padrinhos" (técnicos, família, amigos, instituições, etc), as segundas são mais inconfortáveis e/ou angustiantes.

A diferença é viver com o modelo "causa-consequência" da perspectiva newtoniana, onde "o outro obediente é o meu conforto", ou viver com o modelo "livre nas possibilidades" da perspectiva quântica, onde "o outro autónomo é a minha alegria".

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Comunicação e anatomia

O ser vivo "está feito" para comunicar e o ser humano em particular tem potencialidades desconhecidas nesse campo, não só individuais desde empatias a possíveis telepatias, como colectivas desde o medieval pombo correio até ao actual telemóvel. 
As comunicações entre humanos expressam-se entre verbais e não-verbais, variando estas entre sonoras e musculares, não esquecendo físicas (vestuário, penteados, maquilhagem,..), contextuais (decoração de  casa, tipo de automóvel,...), sociais (grupos de pertença, amigos, local de férias...) e até imagens pessoais difundidas (verdadeiras e/ou falsas). 

A sua complexidade é grande não só pelo grande número de variáveis em jogo, como por integrarem factores instintivos e factores aprendidos (culturais), e oscilarem entre controlos automáticos e controlos conscientes.

O espantoso é que tudo funciona com simplicidade compreensiva não só do lado de quem "está dançando" uma comunicação (parafraseando Watzlawick) com o outro como também do lado do outro que "está re-dançando" uma resposta.

Só a comunicação humana não-verbal e corporal usa mais de 650 músculos esqueléticos em torno de 200 articulações, cujo domínio permite expressar mensagens, não só entre humanos, como entre humanos e animais. 

Só a nível do rosto, este vive de dezenas de microdecisões que enviam dezenas de mensagens por segundo, as chamadas expressões faciais, que todos fazemos e todos recebemos e percebemos. Mesmo quando se compreende "errado", o espantoso é que houve compreensão, ou seja, recepção e uso.

O complexo instrumento das comunicações faciais tem este aspecto muscular:


com cuja manipulação, desde pequenos, conseguimos dar mensagens de alegria e tristeza, amor e ódio, apoio e ataque. Desde há milhares de anos que a sobrevivência usa este instrumento.

Um bom jogador de poker tem que ser um bom profissional no seu uso, pois deve conscientemente não dar mensagens que não quer dar e também dar mensagens que quer dar. 
Um actor de teatro tem que ter este profissionalismo bastante apurado, dominado e versátil, pois as suas mensagens (representação) têm que ser claras e eficazes.

Para o seu uso, o truque de que nos socorremo,  normal e inconscientemente, é simples: 

não pensamos nisso e deixamos que as nossas emoções façam a gestão.

Por emoções estou a considerar a tradução energética dos significados que o córtex atribui aos sinais recebidos e que "gerem" os sincronismos das micro decisões expressivas.

O lapsus linguae foi bem estudado por Freud que segundo ele nunca é acidental, é expressão de sentimentos reprimidos pelo inconsciente ou conscientemente banidos sem sucesso. Em poucas palavras, utilizando um ditado popular,  é quando "a boca foge para a verdade".

Chamar a este acontecimento "acto falhado" é mesmo realmente um "acto falhado" porque de falhado ele não tem nada. Na verdade é um "acto com sucesso" em fugir à censura, à prisão imposta à livre expressão. Chamar-lhe "falhado" é mostrar que se considera o "viver censurado" como uma normalidade de êxito.

A conclusão é que, em qualquer forma de comunicação, pelos seus interstícios, as emoções e os verdadeiros significados existentes deixam-se vislumbrar.  É esta a aventura de comunicar com outro…bisbilhotá-lo e ser por ele bisbilhotado.

A actividade educativa da expressão corporal não é um treino de mímica é um treino de significações a vivê-las e percebê-las, é viver com a imaginação no mundo das emoções. Daí a motivação e as implicações que estas actividades detonam nos grupos.

Quando numa simples conversa com outro se, de repente, se sentir indisposto(a) não se preocupe com a "anatomia pessoal", preocupe-se antes com as emoções que, à sua revelia, "engoliu" e estão a "explodir" dentro de si.

Na gíria profissional "acabou de engolir uma pastilha psicológica e são os seus efeitos orgânicos". Procure descobrir qual foi a mensagem negativa que o seu cérebro leu, deu uma resposta emocional e disso não tem consciência.
Não tome uma aspirina…tome antes uma "revisão da conversa".

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Ver e olhar, o treino possível



Vejo com os olhos e 
olho com o cérebro.
Pensar é ver com o olhar.

Quando um antílope vê um reflexo amarelo na folhagem…normalmente transforma-se em almoço do leão, porém se olhar em vez de apenas ver o reflexo de fuga é imediato.

A diferença entre ver e olhar é primordial para a sobrevivência e significa que olhar é  construir um significado para o que se vê.

Mas esta não é a questão fundamental porque fazê-lo é um reflexo automático da nossa programação genética, pois "quando vemos…olhamos sempre", ou seja, há sempre um significado que lhe é ajustado.
A questão é - "Qual é a lucidez deste ajustamento ?".

Quando esta lucidez é feita de "óbvios em stock", isto é, de cassettes papagueadas quer sejam sociais, políticas, religiosas ou mesmo comerciais, ou de "palavras do dono", isto é, papagueando opiniões do "Super Ego exterior" ou "Pai Cultural" (complexos de Édipo ou Electra mal resolvidos??), o olhar existe mas usa óculos escuros com cor prédefinida. Em resumo, esse olhar não é de confiança se não tira os óculos.

Criar esta lucidez no olhar é uma actividade formativa fundamental que as crianças gostam de fazer pois abre-lhes a porta da passagem entre vegetar e viver.

PS - Viver é criar significados ao que se vê, ouve, cheira, faz, sente, prova, pensa.

Uma técnica de treino que está a ser usada é a "leitura" de desenhos e pinturas.

Um exemplo:
(Litografia de Paul Klee)

- "Já viram ???…e então???"

Com uma pergunta propositadamente tão vaga, os circuitos neurais têm dificuldade em encontrar conexões. O "ver" existe mas o "olhar" custa a aparecer fora do óbvio: 

- "É desenho com riscos!"

ou da opinião de críticos: 

- "Aaahh! é Paul klee, então…!"

Mas com perguntas mais orientadas:

- "É homem ou mulher ???"

- "É dia ou noite ???"

- "Está calor ou frio???"


Algumas respostas de significados possíveis começam a aparecer (ver no fim).

O interessante é que o cérebro "olha" e encontra respostas à revelia do cognitivo consciente, agarrando conexões que muitas vezes não se sabe como aparecem.

A resposta é "homem" ou "mulher"? Porquê ? O que sente/pensa para dizer isso ?
É Dia ? ou Noite ? Porquê ? 
Está Calor ? ou Frio ? Porquê ?

A resposta não é importante (não há certo ou errado nesta actividade), ela é apenas o detonador da etapa fundamental: pensar o porquê dessa resposta. É aqui que está o treino, é aqui que estão os mecanismos de construção da lucidez no olhar… "os neurónios têm razões que a razão desconhece."

Se libertos das formatações do "óbvio" e/ou do "Super Ego exterior", as respostas mais frequentes são:

- Ser mulher, pois há sugestão de saia junto aos pés, de ser um vestido no peito e barriga, o chapéu feminino e cabelo comprido;
- Ser dia, pois há a ideia de Sol com raios tangenciais e óculos escuros
- Estar calor, pois há vê-se a paisagem com dificuldade como quando o ar está muito quente. 

E já agora…- "É nova ou velha ????"  Porquê ??

Nas crianças, se habituadas e treinadas no "olhar", a sua autonomia pessoal é uma capacidade em desenvolvimento imparável.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Autárquicas, independentes e neurociência

Hoje, transplantar orgãos é uma acção quase totalmente aceite na sociedade. Desde rins a corações, é uma actividade médica rentável e com divulgada implantação.
Cada um de nós se questionado, normalmente responde que "se necessário, para si ou para um familiar, em princípio aceitaria".
Porém, se existisse a possibilidade de transplante do cérebro a recusa seria quase imediata com um assertivo "não".
Porquê ??

Ainda hoje, o cérebro é considerado algo muito privado apesar de, desde o inicio da civilização, ele ser um orgão muito perseguido para ser alterado para um assertivo "obedeço".
Os métodos utilizados foram variados, desde físicos (tortura, encarceramento, expulsão, electrochoques, etc) até químicos (drogas) passando por relacionais (conversas, psicoterapias, chantagens, etc). O poder sempre gostou de obedientes à sua volta.

Basicamente o objectivo era sempre o mesmo, modificá-lo por processos indirectos. Ou seja, ele estava "protegido" por um castelo inviolável (o crâneo) que não permitia acesso directo e quando permitia era no sentido de "tirar algo" e não de "pôr qualquer alteração pré definida". 
Mesmo a lobotomia de Egas Moniz não dava "um querer", mas apenas dava hipóteses de "não-querer" (abúlico). No dizer de alguns críticos da época, depois da lobotomia, tudo continuava na mesma mas a posição era diferente: "- Je m'en fiche", ou em português vernáculo: "Estou-me nas tintas".

PS - A frase apaixonada "Amo-te do coração", considerando que ele é transplantável, devia passar a ser "Amo-te do cérebro" (até agora não transplantável).


A actual questão da Assembleia da República de passar a ter "independentes" é um problema tão  antigo como a civilização, pois é o "velho" aforisma de "és livre desde que faças o que te mando".
Na prática, a pertença política exige um "transplante de cérebro".

Por outro lado a necessidade de "independentes" significa que actualmente há falta deles, ou seja, há excesso de "dependentes".


Todavia, estes dois conceitos têm significados distintos mas relacionáveis.

A - dependentes-independentes na origem: acesso por via partidária ou por via extra-partidária;
B - dependentes-independentes no funcionamento: ou seja, com ou sem "transplante" cerebral. Por outras palavras, terem (ou não) sofrido as técnicas de controlo cerebral usadas desde o inicio da civilização e terem (ou não) sido modificados para "sou livre desde que faça o que me mandam".

Considerando as actuais regras institucionais dos partidos, o "obedece" é obrigatório. Se esta transformação tem "bugs" e ele não-obedece isso é grave, mas apenas sofrerá algumas represálias de re-educação. Porém se des-obedece isso é grave e mortal. Neste caso, a expulsão é a consequência, mas  em Democracias "duras" poderá ir até à prisão, tortura ou morte.

Porém, não nos deixemos enganar, alterar a origem não altera este segundo aspecto.

Pelo facto de ser "extra-partidária" (independente) na origem não significa que depois fique independente no funcionamento. 
A questão que se coloca é: - Agora que é independente, estará independente ou a "obedecer" a quem ?

Nesta solução, como diz o ditado popular: - "Não se pode tratar a dor na perna pondo remédio nas calças!!!"… ou seja, não vai funcionar.

O centro do problema está nas decisões individuais tomadas na Assembleia (qualquer que seja a origem), portanto, a solução passa por uma avaliação da responsabilidade das decisões que deve ser agudizada em "tempo real" e não esquecidas ou só feita nas "calendas gregas".

Regressando ao "controlo de cérebros", até agora as suas tentativas têm sido feitas por processos indirectos, porém com a neurociência abre-se um novo campo de actuação.

Segundo a Google, numa análise baseada no aparecimento do conceito "neurociência" no massmedia, só a partir de 1970 é que existe um desenvolvimento significativo da sua notoriedade:


Isto significa que, para além de controlo cerebral indirecto pelos métodos tradicionais, um possível controlo directo pela neurociência começa a aparecer e a invadir as áreas da teoria cientifica.
Não só governos, militares e políticos em geral se mostram interessados, como já invadiu áreas colaterais, como por exemplo o neuromarketing, com o chamado "sell-to-cell".

A conclusão é que é urgente para a sociedade resolver o problema da independência do funcionamento da sua gestão, não perdendo tempo com soluções placebo. É preciso procurar soluções vindas do futuro e não ficar preso a modelos de dependência vindos do passado, antes que seja tarde.

Se olharmos para a aceleração da curva de desenvolvimento da neurociência é óbvio que o problema irá afectar não só os nossos filhos e netos, mas também a nossa própria geração.

Há diferença entre "teoria científica" e "hipótese científica", a segunda é preliminar em relação à primeira. As teorias científicas são estruturas bem estabelecidas, suportadas por experimentos e verificações diversas. As hipóteses científicas são explicações com algum suporte, mas ainda sem o nível de consolidação de uma teoria.

Muitas vezes os massmédia divulgam hipóteses científicas com o rótulo de teorias cientificas. No caso da neurociência com a sua complexidade, esta confusão é mais vulgar do que se desejaria, inclusive com a sua introdução em temáticas fílmicas sem o devido cuidado.

Com o desenvolvimento acelerativo existente, à  medida que as pesquisas sobre neurociência aumentam a complexidade também aumenta. As novas hipóteses descobertas em vez de consolidar o que existe, abrem novas possibilidades e enfraquecem as existentes, ou seja, cada vez mais a complexidade é maior…"o que se aprende num ano, nega o aprendido nos anos anteriores."(parafraseando Kathleen Faylor).

Pensa-se que a neurociência pode mudar as tecnologias e também os dogmas e desejos das pessoas que as usam, já se discute "neurolaw", neuromarketing", "neuroeducation", etc, entrando no campo do controlo das memórias, sonhos, pensamentos e desejos das pessoas.

Para uma sociedade gerir a sua Democracia têm que sair do primitivismo dos modelos da "Idade Média" com a sua Inquisição física e psicológica, e "agarrar" as amplas possibilidades abertas pelos finais do século XX, com a neurociência e a quântica.

As tecnologias e seus suportes teóricos são instrumentos, eles dependem do modo como se usam. Se a medicina aumentou os níveis de saúde possível nas sociedades também nos trouxe os "Drs. Mengele" com seus aspectos negativos. Isto não invalida a medicina, invalida os Drs. Mengele. Não se pode confundir instrumentos e pessoas.

Criar independência no funcionamentos da Assembleia da República não é uma opção, é uma exigência…JÁ!!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Autárquicas e curvas em Ssss

(Continuação de "A Vida vive-se aos Ssss")

Nas ultimas eleições autárquicas, os independentes "invadiram" os territórios partidários.
Apareceram gritos de "Aqui Del Rei" que "o mundo está louco".

No modelo da mudança social, expresso em curvas em Ssss, existem 3 momentos de percepção da possibilidade de mudança:

A - Só vê quem pode
O diagnóstico dos processos em curso exige análises prospectivas e inferências significativas a partir dos ténues sinais existentes.

B - Só vê quem quer
A transformação aumenta e os sinais tornam-se não só visíveis como conspícuos. É preciso andar muito distraído para deixar de ver o que anda a saltitar à volta.

C - Só não vê... quem não quer


A mudança já existe e funciona em muitos aspectos. Os sinais já são numerosos, nítidos e óbvios.
O sistema social já, parcialmente, adoptou vários aspectos e começou não só a desejar como a exigir a transformação. A instalação começou…mas a "contra-instalação" também iniciou bloqueios e regressões. 

Quando a mudança não está apenas circunscrita a um espaço delimitado, mas já tem movimentos pulverizados no contexto envolvente, a dinâmica acelera-se.
Parafraseando A.Toffler, a vaga de mudança já salpica tudo à sua volta.

No caso concreto do estilo de "fazer política", e no plano cultural, a internet trouxe uma linha de força importante que é "a comunidade de diferentes", agora com uma população de 1.700 milhões (2009) superior  ao país mais populado com 1.400 milhões (China).

Nestes movimentos de mudança social, as raízes históricas são importantes como aceleradoras ou bloqueantes da transformação.

Ainda em referência à alteração do estilo de "fazer política", a Europa/USA dos anos 30 vivia de uma cultura social, política, organizacional e económica dominada pelo paradigma do "grupo como conjunto de indivíduos iguais".
Porém hoje, esse paradigma tem-se modificado para "grupo como conjunto de indivíduos diferentes", com as consequentes alterações dos estilos do viver em organizações.

No caso português, o 1º paradigma sempre esteve minoritário na cultura portuguesa desde D.Afonso Henriques, integrando "diferentes" (árabes e judeus), até ao período pós-descobrimento oficializando a "igualdade de diferentes" (indus, africanos e índios Brasil). 
A consequência, nos séculos XIX e XX, foram "atrasos" na adopção eficaz(??) e eficiente(??) dos modelos correspondentes à "formatação de clones nas organizações".

Porém, o novo paradigma "grupos como conjuntos de diferentes" é sintónico com a tradição cultural portuguesa. A criatividade, inovação, rentabilização em formas novas, o conhecido "desenrascanço" português está muito perto das técnicas organizacionais do "open style".

A invasão de independentes nas eleições autárquicas não é "doença política" é "vitalidade política saudável". É só ler a História portuguesa e "ler" a vaga de mudança que se passeia pela Europa e USA e só não vê... quem não quer.

Um pequeno video (4 minutos) sobre as curvas em Sss e os partidos:


clickar

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A vida vive-se aos "Sss's" (video, nova versão)


A vida não tem uma lógica rectilínea de causa-consequência como dizem as perspectivas Newtonianas. A vida é um "surfar" nas curvas da mudança que nos envolvem, escolhendo nós, em cada momento, "onde pôr o pé para o próximo passo". Como diz a perspectiva quântica, nós vamos colapsando possibilidades existentes.

Na vida a mudança não se faz em linha recta, mas aos Sss's. É preciso ir mudando ao sabor das oportunidades, sem nunca perder a orientação. Não é um problema de vontade, mas sim de lucidez de escolha das possibilidades.

A mudança à nossa volta também não segue caminhos "rectilíneos", mas sim caminhos de curvas que "nascem, vivem e morrem" e que, em cada momento, nos propõem encruzilhadas de várias curvas parciais em estadios diferentes, com as quais é possível fazer a passagem final.

O datashow em anexo explicita a dinâmica das mudanças sociais utilizando curvas em Sss's, o seu nascimento, maturação e morte, seus pontos de opções e possibilidades.

Pensar a mudança como "vontade pura" é como pensar o nadar como um problema de vontade. Em ambas tem que existir opção pessoal, mas o "caminho é feito pela lucidez das pequenas mudanças para o construir"…e no fim, descobre-se que a mudança foi feita.

Uma experiência pessoal interessante é pensar a vida passada e as opções que nela foram feitas, comparando-as com as que na altura foram recusadas,  imaginando:

- "Se tivesse escolhido outra, onde estaria EU AGORA ???",

…é como ir ao cinema e ver um filme da própria vida pessoal com vários "takes" diferentes.

É sempre interessantes mudar neurónios !!


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PS - O modelo permite compreender a mudança em jogo clara no movimento de independentes versus partidos nas eleições autárquicas, ou uma alternância entre dois modelos.