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quarta-feira, 27 de maio de 2020

A Fisica e "trambolhão" mental: Eu sou o quê?

TEMA
O mundo é muito diferente se pensado com leis da Fisica Newtoniana (estilo séc XX) ou com leis da Fisica Quântica (estilo séc XXI)... e o socrático "Conhece-te a ti mesmo" entra em crise.

O problema é simples:
Temos um corpo feito de células (moléculas) que vivem de acordo com as leis Newtonianas. Mas as células são feitas de átomos cujas partículas sub-atómicas vivem de acordo com leis Quânticas.
Assim, EU SOU O QUÊ...(???)

...se, na verdade, sou um híbrido que vive em dois mundos, cada um deles com paradigmas e leis diferentes e que coexistem em harmonia.

Duas perguntas:

1ª - Poderei escolher e "saltar" da realidade física das moléculas para a realidade quântica das partículas sub-átomicas? 
2ª - Será disto de que falam experiências místicas (e religiosas) quer antigas quer actuais?

Foto de aura (energia electro-magnética: quântica ?!)
OBS- Durante este fotografar o pano de fundo era preto e, imediatamente após o disparo, foi esta a foto expelida pela máquina polaroide. 
Estive a checar fotos seguintes e nelas as pessoas eram envolvidas com cores e matizes diferenciadas.
Não tenho dúvida que a foto é uma evidência de algo... mas tenho dúvidas que seja prova de aura.

INDICE
1 -Introdução 
2 - Era uma vez... 
3 - Conclusão 

1 - Introdução
        

Estou contente com o meu choque cultural da passagem do séc. XX para o séc. XXI.
Graças à Ciência Fisica sinto-me um Galileu moderno a copiar o seu trauma de passar da Terra-plana para a Terra-redonda.

Todavia para o meu trauma não precisei de telescópio bastou-me um espelho. Olhei e vi o meu corpo fisico com suas moléculas, obediente à Fisica Neutoniana, mas sabia que ele continha o meu corpo quântico feito de quantum's e, estando ali não estava lá, vivia noutra realidade com paradigmas opostos.

Como analogia é como descobrir que um muro imóvel na verdade contém tijolos aos saltos e conexões diversas e podem estar entrelaçados a tijolos do outro lado da Terra*.

(*-) Ver experiências de Física Quântica (CERN - Laboratório Europeu de Física de Partículas)

Imaginar que se pode passar do estado newtoniano ao estado quântico por decisão pessoal é um sonho que alimenta uma vida. Pode não se encontrar a solução do "saltitar" entre eles, mas é excitante viver essa possibilidade da solução.

Alguns autores relacionam o corpo com as leis newtonianas e as ideias com as leis quânticas e o pensar com a dança quântica dos quantum's entre corpo e ideias, provocando efeitos soma-psiquicos e psico-somáticos, muitas vezes alcunhados de "milagres".

Este conjunto [corpo-ideias-pensar], trilogia de base quântica, poderá ser o núcleo duro dos misticismos*, (filosofias, religiões, mitos, crenças, shamanismos, etc) que desde a antiguidade até à época actual tem centenas de escolas e tendências, milhares de místicos e métodos de participar, rezar, meditar, treinos e ensinar.

(*-) Ver The Cambridge Handbook of Western Mysticism and Esotericism, Glenn Alexander Magee (Editor) 

Como exemplo uma pequena parte da "Arvore de Mitos e Religiões :


Desde a Pré-História que os humanos criaram métodos de ensino e treino para desenvolvimento do fisico-músculos (guerra, caça, etc) e da mente-ideias (falar com o "invisível", Deuses, etc) e criaram rituais e técnicas (canções, danças, rezas, meditações, etc) para integração dos dois.

Em síntese, a aplicação da trilogia [corpo-ideias-pensar] foi usada para criar, a par da materialização de comunidades humanas, como também, da sua espiritualização.

Como conclusão 

Se por um lado a Física Newtoniana "comanda" o corpo e a Física Quântica "comanda" as ideias, por outro lado, desde a Antiguidade, a quantidade e a complexidade dos métodos-técnicas de treinos musculares são mais reduzidos que os métodos-técnicas mentais.

Então, parece que, na prática, a coberto* de mitos, religiões, crenças, shamanismo, etc, as preocupações e variabilidade de resultados em áreas "¿quânticas¿" tiveram desde sempre uma maior incidência nas preocupações humanas**.

(*-)  Não considero aqui técnicas tribais e shamânicas com alucinógenos, cogumelos, ayahuasca, peiote, iboga, salvia, etc. Foram encontrados alucinógenos com 3000-2500 anos em escavações arqueológicas na America do Sul, Antilhas, Africa, etc, que ainda hoje fazem parte da cultura tribal, para efeitos EAC (ver Estados Alterados da Consciência; Altered states of consciousness: a book of readings, Editor Charles T. Tart, John Wiley & Sons, Inc.)

(**-) Rupert Sheldrake (biólogo) tem um livro interessante sobre meditação e vida humana, animais, plantas, sociedade, etc, "Science and Spiritual Practices" (through direct experience) com análises de práticas psicosomaticas e somapsiquicas de transformação do viver, por ex., meditação e mente (pag 23), rituais (pg 111), peregrinações (pag 162), etc, com uma extensa bibliografia final de 150 referências.


2 - Era uma vez... (alternativa 1)

...um senhor chamado Newton que criou a Física Clássica ao integrar Física e Matemática com fórmulas que se aprende na escola. Esta Física Newtoniana fez cultura "popular" e os seus quatro paradigmas invadiram o pensamento ocidental de Kant a Freud passando por Marx, Rousseau, etc, e criaram um senso comum quotidiano.

Este senso comum ocidental deu estrutura e compreensão não só ao mundo à nossa volta como a nós próprios no mundo. Sabemos o que é a matéria, a sandwich espaço-tempo e a dupla parado-movimento, e ainda a lógica causa-consequência e a sub-lógica passado-presente-futuro. 

Na verdade, toda esta Fisica Clássica do senhor Newton (...e Einstein?!) se baseia em quatro paradigmas:

- Realidade - mundo físico é concreto e objectivo;
- Localidade - tudo precisa de influência fisica para se mover;
- Causalidade - primeiro há causa e depois efeito;
- Continuidade - pressupõe que o tempo "não pára e não anda para trás"

É a Ciência Física do "senso comum" (dignificada pela Matemática) e o senso comum da "Física Newtoniana" (dignificado pela Educação) que passou das classes instruídas às classes analfabetas "encostada" ao óbvio dos 5 sentidos a garantir a validade*.

(*-) É interessante porque, historicamente, também foi o o óbvio dos 5 sentidos a garantir a validade da [Terra plana] e a impedir a aceitação da [Terra redonda, pelo seu não-óbvio].

Aplicando os quatro paradigmas a uma situação concreta:


- Realidade - 3 objectos concretos, distintos e objectivos: pistola, bala e alvo;
- Localidade - bala move-se por influência fisica da explosão na pistola;
- Causalidade - primeiro acontece a explosão depois a bala move-se e depois atinge o alvo;
- Continuidade - depois de alvo atingido é impossível des-atingir o alvo (fazer undo: anular o      feito).

Utilizando as leis de Newton é possível expressar todos estes processos em linguagem matemática (expressões, fórmulas, cálculos, etc).


 Era uma vez... (alternativa 2)

...um senhor chamado Planck que abre a porta à Física Quântica ao propor que a energia são "pacotes de quanta". Por exemplo, os fotões (átomos de luz) são quantas. Em simplex, tudo que é maior que um átomo é o mundo da Fisica clássica mas tudo que é menor que um átomo é o mundo da Fisica Quântica estraçalhando as leis da Fisica clássica.

No mundo esclarecido no séc XX, EU vivo com os paradigmas de Realidade, Localidade, Causalidade e Continuidade, mas...

...os átomos são conjuntos de partículas Prótões (positivas), Electrões (negativas) e Neutrões (sem carga) que libertas das leis da Fisica clássica vivem de acordo com as leis da Física Quântica de paradigmas opostos...

...portanto, EU, existindo dentro do mundo da Física Clássica, tenho "dentro de mim" o mundo da Física Quântica de leis opostas... "Raisupartiça... @#%&¿... então, eu sou O QUÊ?"


Leis da Fisica Quântica

Os Paradigmas da Física Quântica não são apenas diferentes dos paradigmas da Física de Newton eles são o seu contrário, isto é, Não Realidade, Não Localidade, Não Causalidade, Não Continuidade.


Não realidade - O mistério da “experiência da dupla fenda” fase 1

Segundo Richard Feynman (fisico quântico) esta inexplicável situação da "dupla fenda" é comum a todas as partículas sub-atómicas e “destrói” o paradigma da realidade concreta e objectiva, um dos alicerces centrais da Física Clássica.

Em português-simples, é o facto de um fotão poder ser uma onda ou ser uma partícula (possibilidades) e “ele decidir” qual a possibilidade que vai ser real. 
Em esquema:
Um fotão pode ser um onda ou uma partícula
1  - Um fotão é emitido sobre um obstáculo que tem duas fendas;
2 - Ele poderá passar pelas fendas "sendo" uma onda por cada fenda, surgindo do outro lado como ondas que se interferem mutuamente e se projectam no écran-alvo como areas luminosas de intensidades diferentes em função das interferências havidas; ou então, passa como partículas projectando-se no écran-alvo como pontos de luz.

Não Localidade - Entrelaçamento quântico

Segundo Einstein, 300.00km/s é a velocidade da luz e é a velocidade máxima no universo.
Segundo a quântica [duas partículas separadas por grande distância podem afectar-se uma à outra no mesmo instante], portanto, a comunicação é mais rápida que a luz (há experiências concretas que o demonstram).
A comunicação instantânea é reivindicada por aborígenes australianos que assim trocam informações a grande distância*.

Será que o meu corpo quântico faz o mesmo? ...e comunica, a quem? À semelhança da "internet" farei parte de um "rede quântica"? De qualquer modo não penso que fosse má ideia, pois a "técnica" dos aborígenes australianos* podia substituir os telemóveis.

Há relatos investigados e estudados de relações próximas, íntimas e sincronizadas (Ex, mãe-filho), que têm intuições(?) deste tipo se vivem situações pessoais intensas. Será um "simples" caso de (clickar) fusão de bosões do mundo da quântica???

(*-)  Ver: "The song lines". Segundo relatos, os aborígenes australianos se culturizados (ou re-culturizados) com a cultura europeia, perdem essa capacidade.


John Bell, do CERN (laboratório europeu de física de partículas) provou que duas partículas permaneceram ligadas de uma forma fantasmagórica e inexplicável. As duas partículas formam um conjunto inseparável e. embora muito distantes, modificam-se instantaneamente de acordo com a alteração de um deles e "comunicam" isso ultrapassando a velocidade da luz.
O Paradigma da Localidade de Newton não "manda" aqui.

Não Continuidade - Heisenberg e Princípio da Incerteza

Por exemplo, num electrão quanto maior é a certeza da sua posição menos precisa é a certeza do seu nomentum (movimento, massa vezes velocidade) e vice versa.
Quer isto dizer que os quantum's do meu corpo sub-atómico fazem o que querem... isto é, se sei onde estão não sei o que vão fazem e, vice versa, se sei para onde vão não sei onde estão.

Isto parece as descrições que os Shamans fazem das viagens em EAC (Estados Alterados da Consciência*). Segundo a quântica [...partículas podem aparecer em lugares onde não têm o direito de estar de acordo com as leis da física clássica].

(*-) Estados Alterados da Consciência; Altered states of consciousness: a book of readings, Editor Charles T. Tart, John Wiley & Sons, Inc.

É o mundo da não-realidade, o mundo das possibilidades. Na experiência mental do "Gato de Schrödinger" (clickar), antes dele colapsar por ser observado, ele não está "vivo ou morto" mas sim está "vivo e morto".

Não causalidade - O mistério da “experiência da dupla fenda fase 2

Neste caso repete-se a experiência anterior mas com uma 3ª fase :

3 - Entre o obstáculo e o écran-alvo existe um "observador" (humano ou tecnológico) para confirmar se há onda ou partícula e, então, o comportamento do fotão altera-se num ou noutro caso.
Se é controlado funciona como partícula se não é controlado funciona como onda.


Além da estranheza destas diferentes consequências, o mais estranho é que a causa só existe DEPOIS da consequência, ou seja, aqui existe um paradigma consequência-causa (não causalidade) pois [...o que vai acontecer no futuro cria a consequência no passado].

Além disso, também aqui, ao contrário da Fisica Clássica, o observador faz parte (influi) na situação observada.
Segundo o biólogo Rupert Sheldrake, "The sense of being stared at", esta situação do observador-influenciar-a-situação-observada é comum em  animais e  indivíduos observados que têm muitas vezes a sensação (e a certeza) disso (pg 146, 149, 263).

Também, nas artes marciais há uma teoria que defende esta posição (saber antes).
Pessoalmente, durante 2 anos fiz treino militar de instrução de judo no C.E.F.A., (Centro Educação Fisica Armada, Prof Kiyoshi Kobayashi) e várias vezes treinei luta com olhos vendados. Esta forma sempre me encantou e espantou por movimentos inconscientes inesperados e inexplicáveis de tomar posição de contra-golpe antes do golpe.
Quando acontecia, apesar de parar e tentar analisar o sucedido, nunca percebi porquê, nem como.

3 - Conclusão

O pensar Newtoniano é do tipo "sou corpo e espírito" e, segundo as crenças, ou morrem os dois (ateu) ou morre o corpo e o espírito fica vivo* (crente) e, neste caso, o seu destino (céu, inferno, re-encarnação, húris, etc)  depende das crenças religiosas optadas. 

(*-) Espírito vivo pós-morte é ilógico porque se fica vivo é porque não está morto e morto-vivo é uma impossibilidade lógica a não ser nas possibilidades quânticas de sobreposição de estados, ver
"Gato de Schrödinger"(clickar). 

O pensar Quântico é do tipo "sou energia e consciência", com os quantum's a constituir as células. Uns teóricos têm a posição tipo religioso de [consciência expressa em energia] e outros a posição tipo  ateu [energia expressa em consciência].
Num caso ou noutro, esquecendo teologia, a questão é a conexão quantum's-consciência* e, operacionalmente, talvez mais atractivo é saber se é (ou não) possível treinar e usar as possibilidades quânticas do corpo???

(*-) ver "The self-Aware Universe", Amit Goswami, Ph.D. (Univ. de Oregon, USA) e 
"The quantum self", Danah Zohar, Bloomsbury Publishing, Cap 5- Consciência e cérebro

Uma hipótese para esse treino parece ser as técnicas de Meditação (clickar), inseridas, ou não, em religiões.

Há vários métodos e processos, antigos e modernos, com e sem tecnologias, negócios ou crenças,  religiosos ou ateus nas diversas culturas mundiais, separadas ou unidas no espaço e no tempo desde a antiguidade até hoje. 

O estilo normal é a meditação transcendental, todavia também, menos vulgar, existe a meditação potenciação que pode ser definida como "ouvir-se a si próprio"* deixando que, em "roda livre", as associações fluam na consciência e sejam acompanhadas, estruturadas e "teaser" doutras associações a caminho de um todo.
Este EAC é vulgar em artistas, inventores, etc, que na fase criativa vivem noutra dimensão.

(*-) Não confundir com "falar consigo próprio" pois este tipo costuma ser "diálogo de surdos".

A meditação transcendental sob forma estruturada encontra-se na índia (centrada no Budismo, Hinduísmo e Jainismo), Japão (Budismo e Xintoísmo), China (Budismo, Taoismo, Confucionismo), Europa no Cristianismo em suas diferentes denominações, Islamismo, etc.

Fazendo a diferença religiosa entre rezar ("falando" com Deus) e meditar ("ouvindo" Deus) encontrei alguns métodos, possíveis de agrupar em 5 categorias:

1) coloquial 
2) peticionário 
3) ritualista 
4) meditativo 
5) sentimental (feeling)

este último, muito antigo, existe em religiosidades de profunda misticidade apresentando conexões com as técnicas de estimulação subjectiva que, na perspectiva de potenciação, não vejo diferença entre rezar e meditar, nem a nível de processos nem de resultados, nem sequer em suas técnicas ritualizadas, ordenadas e pormenorizadas.

Não considerando as dezenas de formas de rezar, encontrei 43 (deve haver mais) técnicas estruturadas de modos de meditar.

Pessoalmente, dessas 43 formas de "meditar energia" há duas que acho interessantes, a yoga e o Zhen Zhuang (Tai Chi). Na verdade, contradizem o estilo de treino muscular vulgarizado do tipo "investir para ter mais", paradigma em que andamos viciados.

O método muscular normal resume-se em investir [...gastar energia para ter mais energia] e a isso alcunha-se de treino.
Este treino tem 3 fases:

1ª fase - Com esforços em actividades gasta-se a energia existente, às vezes até à exaustão;

2ª fase - "Falidos" de energia precisa-se recuperar, com a fase do descanso na esperança que o retorno venha com lucro. Se não vier, então, o descanso tem que ser maior ou é preciso gastar mais energia em actividades de recuperação, por exemplo, correr devagarinho.

3ª fase - Repetir "eternamente" este ciclo ou, então, perder-se-á tudo o que se lucrou.

Em resumo, são ciclos viciosos de gasto (investimento)/recuperação (lucro)*.

(*-) Toda a sociedade está "virtuosamente viciada" neste paradigma como com o legalizado ciclo de trabalho-férias.

No campo da energia o método tem o seu contraditório na variável idade. O problema é que com o andar dos tempos, a recuperação lucrativa da energia precisa ser cada vez maior e com lucro cada vez menor:

aos 20 anos, numa noite, recupera-se com lucro a energia de correr 5 km, 
aos 60 anos com prejuízo recupera-se a energia de correr 1 km.

ou seja, cada vez há menos energia para investir e cada vez mais os retornos vêm com prejuízos*.

(*-) Investe-se no trabalho para poder descansar e usufruir da vida, "sonhando" mais tarde na reforma investir no descanso para usufruir não-morrer.

Sobre a vantagem deste modelo, falo por experiência pessoal pois investi com intensidade muitas horas por dia a gastar energia em treinos e depois muitas horas por dia a recuperar em descansos, "esquecendo-me" de viver outras coisas.
Sinto-me enganado e frustado, os "recuerdos" (por ex., eu voando entre dois trapézios) não substituem a bengala.

Coliseu dos Recreios, G.C.P., anos 60
Na verdade, na idade "avançada" sinto-me igual a todos os que preferiram viver e não investiram em treinos ginásticos de "ser jovem". Ao estilo brasileiro eu pergunto "cadê o investimento?".

Decidi não tornar a cair no mesmo buraco, a energia que tenho não a estrago a investir em energia!!!.
Pesquisando técnicas de treino que deixam os músculos quietos e descansados, encontrei um modelo que me parece mais inteligente. O treino é muscularmente sossegado, sem gasto energético, mas mentalmente muito activo, ao estilo psico-somático. 

Em vez de treinar músculos esquecendo neurónios optei por treinar neurónios esquecendo músculos, e, talvez mitificando, posso frasear [esqueci o mundo newtoniano e focalizei-me no mundo quântico].

Árvore sobrevivendo
O tema é simples "...é ser como uma árvore", a base do treino é [...estar em pé imóvel exactamente como uma árvore mas pensando (meditando)]. Na verdade, as árvores não treinam o corpo e envelhecem ficando jovens... [as árvores não ficam velhas, ficam antigas].

Anos atrás, descobri em Londres o "Stand Still" [to be like a tree] (Zhan Zhuang).
O Stand Still é ficar 20 minutos imóvel em pé pesquisando, com todos os sentidos, as centenas de sensações interiores do corpo, desde a gravidade até passear mentalmente pela pele do corpo, órgãos e funções.

Por exemplo, o vulgar respirar é sentir seus ritmos e formatos no inspirar, expirar e apneias ou, sem movimento, deslocar o centro de gravidade para a frente, trás, esquerda e direita dentro da base de sustentação* (área dos pés no chão).

(*-) Andar para a frente é deslocar o centro de gravidade para fora da base de sustentação (à frente dos pés) e, para não perder o equilíbrio, mover o pé para a frente dando um passo. para alargar a base de sustentação.
Andar para trás ou para os lados é deslocar o centro de gravidade e o pé nessa direcção.
Se embriagado perde-se o automatismo deste equilíbrio. 

No "Stand still" as regras são simples, equilíbrio (centro de gravidade na base sustentação), relaxação muscular (nunca tensão mas tonus), respiração (Zhuang), visualização interior (Neiguan), sensação corporal (estimulação subjectiva, quinestesia) e controlo pela sensação interior.  

Após o inicio, se ao fim de poucos minutos (2/3) a sensação corporal é de menos cansaço e há mais energia e predisposição (e não vontade) de continuar... deve-se continuar pois vive-se o "treino de ganhar energia sem gastar energia"*.
Se a continuação é por imposição da vontade, deve-se descansar e recomeçar pouco depois para impedir o treino da "penitência" a gastar energia*.

(*-) A sensação obtida é muito parecida com a do "duche de chi (energia)" do Tai Chi.

A sequência é:

1º- começa-se cansado;
2º- experimenta-se 2 minutos;
3º- se apetece... continua-se... 
4º- durante 10 a 50 minutos enquanto
      não aparece a vontade a substituir o "apetite"*
5º- acaba-se cheio de energia.

(*-) Na verdade, no emprego o trabalho é impulsionado pela vontade e nas férias (hobies, etc) é impulsionado pelo apetite. Segundo biografias, os criadores de arte (artistas) são "viciados" no seu trabalho... náo têm emprego só têm férias 😄😄😄.


Gato no gym, criando energia com Yoga
Para terminar,

A questão "Eu sou o quê?" arrasta-me para pesquisas sobre o chamado "anormal" ou "fora do normal" pois eles talvez sejam nuances do "normal quântico".

A triologia mente-emoção-fé poderá ser um portal para abrir essa pesquisa, assim comecei com:
  
- a mente com o "L'impossible arrive", do psiquiatra (USA) Stanislav Grof;
- a emoção com "Molecules of emotion", da fisiologista (Univ Georgetown) Candace Pert;
- a  com "The Biology of Belief", do biologista molecular (Univ. Wisconsin-Medicina) Bruce Lipton.

Espero que este esforço de criar nova energia sem estragar a energia existente possibilite na próxima Passagem de Ano festejar dançando o tango:
Parede, 27 Maio 2020

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Agora vou alugar as facas…

Um recuerdo encontrado em fichas antigas (anos 70/80)…

No fim dos anos setenta, era responsável pela gestão provisional dos recursos humanos da Lisnave (cerca de 10.000 empregados) passando muito tempo em reuniões, conversas informais, comentários avulsos, etc, com empregados, grupos, comissões, representantes, delegados, etc. 

Mais tarde, fui requisitado a tempo integral por alguns Ministérios como consultor de recursos humanos e formação. Quando estava no Ministério da Reforma Administrativa, fiquei “temporariamente”  a funcionar num prédio antigo algures na “velha” zona de Santos/C.Sodré. 

Sendo "fan", a meio da manhã pelas 11:30, de um café-duplo-e-bolo tornei-me cliente habitual de uma pequena pastelaria de bairro, "familiar" e gerida por marido e mulher, que na prática era um ponto de encontro dos “vizinhos” daquela área.

Era uma pausa agradável com conversas individuais partilhadas em grupo num ambiente informal. Não havia mesas nem cadeiras, todos ficavam mais ou menos acomodados ao balcão. Eu acabei por ser uma espécie de “estrangeiro” aceite no grupo de clientes habituais e assistindo às suas conversas "pessoais" na "teia da internet" oral da vizinhança.

Na verdade, ao fim de alguns dias já me sentia incluído, relaxado e disponível, participando como ouvinte activo naquele "ameaço pré-Net" de internet social ao estilo "boca-a-orelhas". 

Interessado, procurava descobrir se, na verdade, era uma rede saudável de relações de vizinhança ou uma espécie de “Big Brother” negativo e artesanal da vida do bairro. 
Na prática não sentia que fosse um tipo de "bisbilhotices de aldeia" de coscuvilhices ácidas e críticas, mas sim, uma troca de "news" (notícias novas) inter-amigos e enriquecedora das relações, bem afastada do estilo "pasquim" de tabeloides jornaleiros e televisivos.

Como sociólogo e “pesquisador” de grupos, ficava espantado como estas “conversas privadas” passeavam pelo ar. 

Obrigado profissionalmente, e habituado, a captar os sociogramas grupais, isto é, a vida imersa das redes afectivas grupais*, o ouvir este “saltitar” natural de comentários e opiniões, numa internet aberta, presencial e oral, era uma experiência nova.

*- Qualquer organização (ou grupo informal) tem sempre três planos de análise, Organograma: relações de poder formais e informais, isto é, quem depende de quem, Funciograma: relações input-output, isto é, quem faz o quê para quem, Sociograma: relações afectivas, isto é, quem se conecta positiva ou negativamente com quem.

Gerir uma simples reunião (seja coordenador ou simples assistente) obriga a gerir os três planos, podendo ser feito por três assistentes em equipa, um Interfere (age), outro Regista e outro Observa.
Por experiência pessoal, um simples assistente com uma boa equipa pode ser mais eficaz para gerir a obtenção de objectivo pré-determinado (não me refiro ao objectivo oficial) do que o gestor instituído.
Por exemplo, o objectivo oficial (gestor instituído): definir data tem como objectivo real (assistente inserido) o atrasar 15 dias essa marcação. 
Conclusão, o falhanço do gestor instituído fazer o objectivo oficial é na sua vitória em auxiliar o assistente inserido a realizar o objectivo real.
(Ver Manuais de Condução Estratégica de Reuniões)

Normalmente, nas reuniões, nas conversas informais ou comentários saltitantes em corredores, refeitórios, transportes, etc, se, por acaso, "caçava" alguma "dica" importante, tinha o hábito de NUNCA escrever registos mas apenas memorizar,
por isso, trazia sempre comigo uma carteira de fichas-post it’s (que ainda hoje uso) para registar a "dica" na primeira oportunidade. Se ela era longa e fundamental... então, uma ida ao WC resolvia a questão*.

*- Se almoçar (ou acompanhar) ministros, administradores, adversários, etc, nunca convém (😇😇) simultaneamente, escrever e comer (ou acompanhar). Se em reuniões, um profissional não regista as "dicas" no momento em que surgem mas sim tempos depois para não informar que isso foi importante.

Ao fim de algumas semanas de cliente da pastelaria, já em conversa com o dono, curioso, perguntei-lhe porque me tratava por “chefe”. Atrapalhado, perguntou se me ofendia, respondi que não mas gostava de saber porquê.
Respondeu-me que, como trabalhava para o Estado e aparecia para beber café dentro do horário de trabalho, devia ser chefe. Eu fiquei de “boca aberta” pois não me sentia tão "transparente" e pensei “tenho que escrever isto, estes “Big Brothers” funcionam bem”.

Mas ele continuou: “…e como dantes era chefe na Lisnave!!!”. Agora, a minha boca aberta já não se fechou, mas mesmo assim consegui perguntar como sabia.
- “Foi o Zé, que mora ali na travessa, que me disse”, respondeu ele e continuou, “…ele é comunista, trabalhou na Lisnave e viu-o em reuniões,… disse que era OK”.

Agora, para tirar notas quase que fui ao WC, mas não o fiz, todavia à saída encostei-me a um candeeiro e escrevi 2/3 post it's, principalmente sobre a pesquisa que devia fazer na Direcção Geral onde estava agora. 
Realmente estes “Big Brothers” artesanais funcionavam bem e, tempo depois, tive a prova real numa outra experiência.

Numa manhã entrou uma vizinha com a filha, o dono cumprimentou-as e deu os parabéns a ela e à filha pelo netinho que ia nascer. 
Agora fomos três a ficar de “boca aberta”... não se notava nada. A filha muito encarnada calou-se mas a mãe perguntou como sabia.

Então, ele e a mulher, brincando pois conheciam-na de miúda, quiseram primeiro dar-lhe um beijinho de parabéns e depois explicaram.
Tempos atrás, o avô conversando com amigos disse que gostaria muito de ter um neto e até daria uma festa só com a notícia.

Ora o Manel, dono do talho, há alguns dias atrás dissera que o avô fora ao talho comprar carne mas não quisera o habitual, mas sim mais quantidade e melhor por causa de uma jantarada de família.
A conclusão era óbvia, devia ser sobre o “neto a chegar”. 

Elas riram, confirmaram e, então, receberam parabéns de outros clientes e alguns até com um beijinho porque a "...conheciam desde miúda".

Espantado pensei que parecia uma familia alargada a festejar porque, depois delas sairem, a "festa" continuou. Comparei isto com familias reais onde depois da atitude de "alegria e parabéns", em poucos segundos, essa máscara cai e surge a máscara do "está dito e adeus". 

Ás vezes entretenho-me a medir quantos segundos levam a desaparecer os sorrisos e a alegria expressos e a ficar a cara verdadeira do "estou-me nas tintas"... por vezes isso é instantâneo. 

Como aprendi na cultura africana, o rir e a alegria estão no corpo todo e nunca desaparecem de repente, vão desaparecendo. Na cultura europeia ri-se com os músculos zigomáticos da cara, ao estilo liga-desliga do vendedor, e o corpo fica ausente da emoção.

Pensando sobre isto escrevi alguns post it's. Conclui que há diferenças entre “Big Brother” e “Brother BIG”.
O grupo da pastelaria tinha uma rede de relações-informações a circular entre todos ao estilo "família alargada", criando assim uma rede dominada por um NÓS que todos compartilhavam*, e transformavam um possível “Big Brother” em um real “Brother BIG”.

*- Tecnicamente, e sociologicamente, não convém confundir partilhar e compartilhar. O compartilhar contém o partilhar mas o partilhar não contém o compartilhar.
Se tenho um bolo posso partilhá-lo em pedaços iguais (ou diferentes) por três pessoas, mas se tenho um bolo, eu e três pessoas podemos compartilhá-lo em pedaços iguais (ou diferentes), ou seja, compartilhar significa que todos ficaram a usufruir da nova situação.

Segundo M. P. Follett, o compartilhar fica com a lei da situação a dominar todos os intervenientes. Dar esmola é partilhar dinheiro com o estilo “toma lá e ADEUS” pois quem dá e quem recebe não  ficam a usufruir a mesma situação.  
Dar dinheiro ao filho para comer gelado é partilhar dinheiro, mas ir comer gelados com o filho é compartilhar dinheiro.

Talvez uma história de “Brother Big” !!

Noutra manhã entrou um “estrangeiro”... mas desconhecido. 
Aproximou-se do balcão, pediu duas carcassas embrulhadas e, também embrulhados, 10 g de fiambre e 10 g de queijo flamengo. Quando tudo foi entregue, pediu um copo de água e perguntou quanto era, pagou.

Depois, pediu uma faca emprestada e lentamente tirou uma carcassa do embrulho e cortou-a ao meio, desembrulhou o fiambre e o queijo, colocou alguns bocados de cada um na carcassa já cortada e começou a comer a sandes-mista feita.

Na pastelaria as conversas pararam, o dono apoiou os cotovelos no balcão, pôs o queixo nas mãos e ficou a observar. Ninguém falava, todos olhavam cliente e dono.
Passados alguns minutos, acabou de comer, bebeu água, agradeceu, deu “Bons Dias” e foi-se embora.

No meio do silêncio criado, todos olhávamos o dono, esperando. Finalmente ele disse “Da próxima vez alugo a faca…” e começou a arrumar as chávenas de café, a mulher foi lá para dentro e os clientes habituais foram saindo...  eu também.

Curioso… fiquei nas redondezas mas nada aconteceu, quando entrou um cliente tudo ficou normal, por isso regressei ao trabalho pensando "...raisupartiça que tinha acontecido??? 
O que me espantou foi a reacção grupal, parecia sincronia de militares treinados.

Durantes dias andei à caça de migalhas informativas de um eventual "evento ou trauma" de conhecimento grupal que justificasse esta sintonia de comportamentos e atitudes do tipo "nada aconteceu" e "nada há para falar" quando era habitual conversar sobre as "coisas" que sucediam.

Posteriormente, fiquei à espera de conversas ou comentários sobre o assunto, mas tal não aconteceu e nunca me atrevi a lançar o tema.

Se tivesse que fazer uma reunião com uma comissão de moradores daquela área, era fundamental obter previamente esta informação, saber o máximo sobre os sociogramas existentes é indispensável. 
A raiz da atitude daquela comunidade “natural” devia ser uma raiz estruturante da teia “amigos de peito” (ver Prof Jorge Dias) que era tão comum no passado em Portugal, raiz essa assumida e nunca expressa nem ensinada mas aprendida por “respiração cultural".

Nunca consegui descobrir "o porquê" e acabei por passar para a DGAP no edifício da Av. 24 Julho e tudo ficou resumido a um recuerdo de... "Agora vou alugar facas..."

sábado, 14 de março de 2020

A vida é caminhar aos SSSSSSSS - 1ª Parte

A vida nunca é caminhar em linha recta mas para uns "aproxima-se", planeiam aos 5 anos (eles ou família) e aos 50 anos confirmam o êxito do plano.  Para outros tudo acontece aos SSSS (contravoltas), planeiam uma coisa e sucede outra ao "contrário"... foi o meu caso. 
Na verdade a vida não nos traz problemas traz-nos situações diferentes e os problema vêm das escolhas que nelas fazemos. Quer o SIM, NÃO ou NIM podem trazer problemas... não temos solução.

Mas penso que a meu respeito o Plano dos Deuses teve SSSSSS (contravoltas) a mais. Dois exemplos, começar e depois deixar de ser militar.

1ª Parte - Ser Militar

Pois é verdade, como oficial dos Quadros Permanentes a minha carreira militar começou como “desertor”. 

Bom aluno no Liceu (Quadro de Honra), aos 16 anos tudo mudou com a ida para a Faculdade de Ciências. Numa escala de 0 a 20 as minhas frequências eram 4 e 5 valores. A manhã resumia-se a, muito concentrado, jogar xadrez na Associação Estudantes, as tardes a ler livros (seleccionados e reservados) na antiga Biblioteca Pública no Largo das Belas Artes no Chiado perto do clube ginástico G.C.P. onde passava o resto das tarde e noites (até 23:00h) a treinar ginástica aplicada:


Esta vida calma e rotinada tinha uma “ameaça”. Nos anos 50, para os homens aos 21 anos a “tropa” era obrigatória, ou seja, dentro de 4 anos o meu planinho seria destruído.

Um dia, na Associação Estudantes apareceu um panfleto do Ministério do Exército propondo uma nova solução que estava a começar, o CEPM (Curso Especial de Preparação Militar). 
Isto significava que estudantes universitários poderiam fazer a "tropa" aos bochechos em fins de semana sendo alunos universitários nos outros dias. Como vantagem, far-se-ia assim o C.O.M. (Curso de Oficiais Milicianos), ser-se-ia promovido para fazer o resto do tempo obrigatório num quartel em Lisboa.
Uuuhauu… era a minha solução, safar-me-ia da "tropa" dos 21 anos sem alteração de vida. Acreditei, replaneei e inscrevi-me como voluntário e ingressei no CEPM em Caçadores 5 (Lisboa). 

Tudo correu bem. Dois meses depois estava farto.
Parecia outra vez a Mocidade Portuguesa onde "vestido de verde" passava a vida em marchas e marchinhas, porém, na época, com 12 anos, descobri que a Vela da Mocidade Portuguesa na praia de Algés permitia fugir e, a Vela fosse o que fosse, seria melhor.
Inscrevi-me e funcionou... adeus militarices.

Assim, por "experiência" acumulada, comecei à procura de soluções. Alguns instrutores "fans" de ginástica conheciam-me e comecei a ajudar e exemplificar exercícios para se criar um grupo de exibição para o juramento de bandeira.
Consegui algum crédito e obtive algumas dispensas (documento justificativo de falta) para um ou outro treino de fim de semana no GCP.

Um dia, devido a uma época de saraus e campeonatos consegui algumas dispensas seguidas para poder treinar e participar… estava livre daquilo.
O problema foi que me "esqueci" do CEPM e nunca mais lá fui.

Três meses depois, aprumadinho e fardadinho de soldado-cadete, reapareci em Caçadores 5 para continuar o CEPM… e surpresa minha... fiquei preso, estava na lista de desertores.

Começou um "diálogo" civil-militar na interpretação de um "equívoco semântico" do problema.
Havia duas perspectivas. Numa, a militar, eu tinha dado 3 meses (90) de faltas à instrução militar, na outra (a minha) eram só 12 (3x4) faltas pois no resto da semana eu era civil e estava na Faculdade.

Estávamos em 1955 e a "fronteira quartel-universidade" era um protocolo de "máscara democrática" do tipo "és acusado (culpado) mas podes defender-te". 

Detido, na 2ª feira e por escrito, solicitei ir às aulas alegando que, de acordo com o documento assinado, só era militar aos fins de semana e agora já era 2ª feira.
Não tive resposta mas "constou-me" que o meu pedido tinha piorado o clima e um PM aconselhou-me a estar quieto.

Mais tarde fui chamado e apresentaram-me duas soluções. Numa era considerado desertor e o normal seria ficar preso no forte de Elvas, a outra era ser considerado faltoso e seria detido na unidade por dois a três meses.
Ainda com restos do protocolo "és acusado (culpado) mas podes defender-te", deram-me algum tempo para pensar, mas a escolha feita teria que ser assinada.

Quando fui outra vez re-chamado, respondi que não me parecia possível ser desertor pois isso acontecia quando aos 21 anos não se cumpria a lei de incorporação e eu só tinha 17 anos e portanto não podia ter abrangido por essa lei.

Pelo outro lado, eu tinha-me matriculado (hoje penso que a palavra foi errada) num curso militar só aos fins de semana portanto no resto da semana era civil. Assim eu tinha 12 faltas "justificadas" com antecedência pelo documento que possuía, um impresso adaptado doutras situações apenas com um vago "durante treinos para campeonato", datado, assinado e carimbado.

O silêncio ficou pesado e longo... e entre os que tinham autorizado e dado a dispensa e os que decidiriam o que fazer... as hierarquias pensavam.

Incomodado e sem perceber bem onde estava metido resolvi ajudar expliquei umas "contitas" que tinha feito.
Sendo militar aos fins de semana seria preso aos fins de semana, logo 2 meses de detenção seriam 60 fins de semana e o ano só tem 45 semanas, portanto, a solução podia ser "chumbar" neste CEPM e, obrigatoriamente, recomeçar no próximo ano.

Tudo piorou bastante e com um grito ordenaram à Policia Militar (PM) para me levar. Fiquei à espera “em-banho-de-maria” sob o controlo espantado dos PM a olharem para um "universitário burro".

Fui re-re-chamado e a solução era simples e, militarmente, óbvia. Eu era um soldado-cadete incorporado numa situação de C.O.M. parcealizado. Considerando as faltas e o insucesso resultante, seria transferido para o normal C.O.M. de Artilharia na Escola Prática de Vendas Novas.

Com uma Guia de Marcha na mão, um bilhete de comboio e um aviso-de-amigo, "se não me apresentasse iria parar à prisão de Elvas", aos 17 anos dei entrada na Escola Prática de Artilharia em Vendas Novas, Alentejo:


Acomodado numa caserna com vários "soldados-cadetes" dos 22 a 32 anos... disse adeus a Lisboa, xadrez, livros e ginástica. Não era mau era só "diferente", mas estava farto.

Alguns co-recrutas mais velhos tinham nas redondezas uma carrinha Volkswagen em standby para escapadelas clandestinas para a “vida nocturna” de Évora que, nos anos 50 e depois da uma da manhã , era só para "connaisseurs", pois turistas nicles, népia.

Tenho poucas lembranças dessas escapadelas que às vezs aceitava, excepto imagens de casas "perdidas" no campo em sítios escuros, decoradas com mantas penduradas a criar "gabinetes" para "conversar" e claro tabaco e alcool.
Não fumando e não bebendo restavam-me as "conversas intelectuais"... realmente não era um hobby "brilhante" para des-stressar. Só a excitação da saída e entrada e a calma das viagens me animavam um pouco.

Um dia recebi a notícia que a Escola Naval ia abrir concurso para admissão de cadetes, sendo obrigatório a nota final do Liceu (que a minha era alta), ter o máximo de 18 anos e fazer provas físicas.
Concorri e fui admitido. 

Uuuhauu… estava livre daquilo... porém os Deuses deram-me outra SSSS (contravolta)...

Durante o período de provas físicas na Escola Naval, ainda estava alojado em Vendas Novas e cumprindo o C.O.M. pois só tinha dispensa para os dias de provas. Um dia em conversa com um oficial instrutor fui informado que não havia possibilidade legal para a minha transferência do Exército para a Marinha, pois só era possível do Exército para a Força Aérea e, talvez... se aviador, desta para a Aviação Naval na Marinha... portanto, mesmo que passasse não seria transferido.

Portanto tive que re-planear e concorrer não para Marinha mas para Aviação Naval. Foi possível e fiz inspecções médicas no Hospital Militar da Estrela e fiquei apto para aviador. Fui transferido de Exército (Artilharia) para a Força Aérea (quartel do Monsanto) onde estive algum tempo há espera da transferência para a Aviação Naval (Marinha) como cadete e futuro aviador naval.

Outra SSSS (contravolta) dos deuses... e mais tarde a Aviação Naval foi extinta e passei para Marinha como oficial dos Quadros Permanentes (na época para a vida inteira), tudo porque planeei fugir "à tropa" com uma escapada temporária... humor irónico dos deuses (e claro deusas)!!!.

Conclusão

Por causa de uma ligeira distração (algumas faltas) passei de um militar de CEPM temporário para um militar dos Quadros Permanentes para a vida inteira.

A vida é sempre feita de pequenos solavancos desprezáveis e com efeitos deterministas. Aprendi e como hobby ando a pesquisar recuerdos à procura destes solavancos com consequências de 180º no caminho da vida... e já descobri meia dúzia*.

* - O que me deixa intrigado... quem seria eu, hoje, se eles não tivessem existido?

Por exemplo,
nos anos 50 e 60, nos três ramos das Forças Armadas (Exército, Marinha, Força Aérea) para os Oficiais dos Quadros Permanentes os pedidos de demissão estavam completamente proibidos e bloqueados.

Devido a outras SSSSS (contravoltas) nos meus 12 anos de oficial militar, muitos em África, e devido a uma certa SSSSS (contravolta), um simples "quid pro quod militar", fui preso e investigado.
No longo "debate", no qual estive apoiado por dois advogados civis pro bono, a situação era "confusa" pois "parecia" que na forma usada era militarmente culpado mas no conteúdo era militarmente correcto.

A solução não era fácil pois a situação era militarmente incómoda para o futuro, pois um oficial que, por escrito, participa do comando passa a futura "persona non grata" como subordinado, principalmente se "o fumo tinha fogo".
Algumas alternativas foram faladas (nunca propostas) mas, por mim, não aceites.

Em Mar.1968 numa reunião privada de duas horas com o Ministro da Marinha, Almirante Pereira Crespo, após uma interessante troca de ideias, entreguei o meu Pedido de Demissão que foi aceite e prometido que seria aprovado no prazo de dois anos, mediante certas condições que aceitei e cumpri.

Realmente, ano e meio depois, em fins de Dez 1969, de surpresa, o meu pedido de Demissão foi aceite. Em Jan.1970 comecei o Novo Ano como civil... outra vez... mas agora casado, com filhos, sem dinheiro e desempregado!

Dois meses depois, em Março de 1970, sou convidado para ingressar no Ministério da Educação Nacional (Ministro Veiga Simão), tomando posse como técnico superior*. Fiquei responsável a nível nacional por projectos de dinamização do sector escolar Primário e Secundário na área Educação Física com financiamento do FFD (Fundo Fomento Desporto).
Gostei do trabalho, correu bem, sendo algumas vezes entrevistado por jornais e TV:

*- PS - Em 1972, com a "moribunda" "Primavera de Marcelo Caetano", os projectos definharam e fiquei limitado a gestões burocráticas... farto de papelada, pedi a demissão da carreira de funcionário público do MEN (Ministério de Educação Nacional).
Com pouco dinheiro, neste período, divorciado, vivi acampado numa tenda durante ano e meio no parque de campismo do Monsanto, onde no verão os meus filhos iam ficar comigo nos fins de semana... divertiam-se.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Ciência do Namoro em coloquial batepapo



O Romeu encostou-se à Parede
e ficou em CONTACTO!!!!

O Romeu encostou-se à Julieta
e ficou em INTIMIDADE!!!!



Na verdade, nem um "abrutalhado" genuíno dirá "...o Romeu encostou-se à parede e ficou em intimidade", pois até ele "sente" que contacto e intimidade não significam o mesmo e a parede não fomenta intimidades.

Porém, um "abrutalhado" mesmo educado pode, ao pé da sua Julieta, só conseguir sentir "contactos" e isso por pressão de convulsões hormonais... mas é sina que, às vezes, isso descambe em violações!!!

Fiquei preocupado e comecei a tentar desvelar a diferença, separando o trigo do joio.
Porque é que as paredes dão contactos e os humanos dão intimidades ...e às vezes só dão contactos?
Será desta dupla possibilidade que, umas vezes, surgem casamentos e, outras, divórcios?

Por exemplo, num casamento em conflito, duas amigas conversam:

- Fico zangada quando me vou deitar e ele trocou as almofadas!.
Espantada a amiga pergunta:
- Mas, as almofadas não são iguais?
- 😖&¿¿;!@;$!#%... são!!!... mas é o cheiro!!!!
As intimidades eram impossíveis.

Se estiver vivendo paixões, interessa clarificar se é com pacotes de contactos ou com fluidez de intimidades e a questão a investigar com urgência é saber se "Raisopartiça..!@;$!#%... isto é devido a contactos ou a intimidades?

Não encontrando o fio da meada para descobrir as diferenças, resolvi regressar à infância, usar o seu direito de fazer perguntas "parvas" e ir atrás delas para descobrir o mundo.

Assim perguntei "O que fazem os humanos de diferente quando estão em contacto ou em intimidade?".

Não obtive conclusões, apesar de ser uma pergunta importante na pesquisa de detalhes quotidianos para  obter pormenores como o já citado do cheiro da almofada.
Na verdade, em situações concretas [...o não-consciente tem razões que a razão desconhece].

Sem conclusões a pergunta foi alterada para "Porque afirmam AGORA já não é como dantes e quero divorciar-me!".

Esta questão também não deu conclusões. O que encontrei foi o blá...blá... costumeiro de telenovelas "românticas" e o pst...pst...pst  chamariz dos adeptos de filosofias leigas e religiosas e suas terapias.

Porém outra pergunta "parva" não me largava, "Porquê a Julieta dá contactos ou intimidades mas a parede só dá contactos?
Esta pergunta arrastou outra mais operacional "De que são feitas as paredes e os humanos?" e de repente um caminho se abriu pois decidi começar pela FÍSICA.

Sejamos lógicos, afinal tudo começa e acaba no corpo físico pois é ele que faz contactos ou intimidades.
Na verdade, mesmo as "intimidades" solitárias (masturbação) com bonecos plásticos, filmes, fotos, etc, não são intimidades reais mas sim contactos que no córtex são embrulhados em "sonhos virtuais" com aparência de realidade, processo semelhante às sensações ainda existentes com membros amputados.

Deste modo a Física surge como um caminho lógico para encontrar as diferenças, conectá-las com Biologia, Psicologia, Teologia, Sociologia, etc, e construir alguma compreensão.

Um plano começou a nascer e memórias escolares da Biologia e Física vieram do passado e "colaram-se" a perspectivas actuais para o futuro, em especial aos estudos sobre "Física Quântica e Consciência".

Como síntese pode resumir-se que os humanos são feitos de orgãos, estes de tecidos que são conjuntos de células e estas de átomos. Por sua vez a parede é feita de pedras, estas de minerais constituídos por diversos elementos e todos feitos de átomos.

Ou seja, a conclusão é fácil, Romeu, Julieta e Parede são feitos de átomos e os átomos são pacotes de partículas Quantum's, portanto todos são saquinhos de Quantum's, ou seja, nada justifica a diferença de uns terem intimidades e outros contactos.

Regressei à estaca zero com a alternativa do amor e namoro serem apenas mitos culturais (tipo Pai Natal) para embelezar a procriação e o negócio de casamentos e divórcios.
Porém, esta conclusão do sexo humano ser apenas uma espécie de cio embrulhado em míticos amores e crenças espirituais ou outras, não me agradava.

Recordei a Física Quântica, essa nova "Alice, no País das Maravilhas" (Lewis Carroll) onde o "espelho" (átomo) permite passar entre dois mundos diferentes, cujo modelo é fácil de aventar, pois é como se, afinal, só existisse um MUNDO mas constituído por dois mundos inter-penetrados, solidários, com um portal (átomo) para passar de um para o outro:

⏩ Um, maior que o átomo, é o real onde tudo existe, obedece às Leis de Newton e vai do "Tudo ao átomo", é o mundo da Física.
⏩ Outro, menor que o átomoé a matéria-prima que o constitui, obedece às Leis da Quântica e vai do "átomo ao Tudo", é o mundo da Micro-Física.

O paradoxo destes dois mundos, diferentes em suas leis (às vezes opostas) e processos, é que são "felizes" em conjunto, harmonizam-se e sincronizam-se.

Numa definição poética [...estar no real é ter a Quântica cá dentro, estar na Quântica é estar dentro do real...], assim vivem os calhaus desde a areia aos astros e os viventes desde os humanos às bactérias:



Agora, focalizado na Quântica e recusando a possível e desagradável igualdade entre contacto e intimidade, fiz a última e residual pergunta, "No interior dos átomos, as partículas Quantum's são todas iguais??".

Com surpresa a resposta foi NÃO.



Segundo a Quântica, as partículas Quantum's podem ser de dois tipos: fermiőes (ex. electrões) e bosões (ex. fotões) e a diferença é importante pois os átomos da parede têm fermiões e os átomos dos humanos, cães, gatos, cavalos, etc, têm bosões.

Uhau!... há luz ao fundo do túnel! ...afinal talvez se possa gostar, por e com intimidade, de pessoas, cães, gatos, tartarugas, etc... não estamos limitados a contactos. 


As partículas Quantum são uma coisa engraçada, sendo [energia e informaçãopodem aparecer no estado partícula ou no estado onda, elas "decidem" em qual. Em esquema:

e quando no formato onda:

se se encontram, em função de suas variáveis (amplitudes, fases, comprimentos onda, etc) podem somar-se, subtrair-se, anular-se, etc, criando uma onda diferente sem destruir as existentes, pois ao afastar-se retomam o seu formato inicial. 
Num exemplo da Física escolar, eis ondas a encontrar-se, somar-se, afastar-se, separar-se:


Na Quântica,  os Quantum's fermiőes (ex. electrões: parede) são "anti-sociais", isto é, não gostam de fundir as suas ondas e sobrepor funções, portanto não criam a unidade conjunto que coexistiria sem ambas se anular.
Portanto, não há intimidades só contactos, ou seja, não há um NÓS, há um [eu sou EU e tu és TU...].

Porém, os Quantum's  bosões (ex. fotões: humanos, cães, gatos) são "gregários", isto é, adoram fundir as suas ondas e sobrepor funções, portanto criam a unidade conjunto que coexiste com ambas sem as anular... talvez uma espécie de EU que coexiste harmoniosamente com os sub-EU's sem os anular.

Portanto, pode haver intimidades, ou seja, há um NÓS, há um [eu sou EU, tu és TU e nós somos NÓS...]. Mantém-se porém como possível a opção contacto do estilo fermião.
Em exemplo, pode haver intimidades com apaixonados e casamentos, mas também pode haver desapaixonados com contactos e divórcios.

Esquema de Romeu e Julieta e seu encontro-intimidade por fusão de bosões:


Porém apesar desta possível conclusão, fiquei com uma pedra no sapato. 

Esta "história" do EU do namoro ser uma espécie de SUPER EU dos sub-EU's dos namorados, parece-me uma "dica" dum Tio Ninhas, ao estilo de contradições "lógicas(?)": [...na Democracia somos todos iguais mas há uns mais iguais que outros e mandam, chamam-se eleitos].

Resolvi aprofundar e encontrei a curiosa questão dos EU's na "cirurgia do corpus callosum".

O corpus callosum é uma espécie de trança que liga e faz a comunicação entre os nossos dois hemisférios: o esquerdo e o direito.
Nos destros, o esquerdo é mais lógico, melhor em matéria de cálculo e sede exclusiva da fala; o direito é mais musical, mais intuitivo, o centro da imaginação espacial. Nos canhotos é o inverso.

Em alguns casos de epilepsia muito violenta, os médicos descobriram que algum alívio poderia ser obtido se o corpus callosum fosse cortado. Não se detectaram efeitos colaterais, excepto anos depois em testes com resultados assombrosos.
A bisseção cerebral do callosum resultara em bisseção da personalidade e onde antes havia um EU agora havia dois que se desconheciam.

No cérebro normal, os dois hemisférios trocam informações entre si, comportando-se, portanto, como uma unidade coordenada; no entanto, se separados por procedimento cirúrgico, perdem essa habilidade.
Literalmente, o EU-mão-direita não sabe o que o EU-mão-esquerda faz. Se se colocar um objecto entre as duas mãos, o indivíduo não o encontra porque [...desconhecendo a outra mão não sabe onde é o meio].
A pessoa que tinha um EU, agora tem dois que se desconhecem (vide Fritz Perls, Gestalt Terapy).

Fiquei a pensar, todos nós temos vários EU's?
O EU angustiado, o EU contente, o EU pentiadinho de fato e gravata de 2ª a 6ª feira, o EU desgrenhado de calças rotas ao sábado e o EU aos pulos e berros no futebol ao domingo, etc?

Vivermos connosco próprios deve ser uma aventura constante a entrechocar EU's e não temos consciência disso. Namorar deve ser só ter mais um EU a "dois" nessa bagunça mas que vive de acordo e negociação ao estilo "quem manda aqui?".

Sociologicamente, para facilitar namoros e casamentos, surgiram automatismos sociais tipo patriarcado, matriarcado, mulher-objecto, etc, ou seja, cria-se um NÓS namoradeiro tipo "um manda e o outro obedece".

Politicamente, hoje estes automatismos estão postos em causa e esta "guerra" é aproveitada como mercado para angariar votos, disfarçadamente chamou-se "Problema do Género".
A solução de dois iguais a decidir não faz parte de padrões culturais instalados, como exemplo a actual Democracia, organização de [iguais com uns mais iguais que outros] que têm várias alcunhas "Presidentes, Secretários, Contactos, etc".

Outro dia num jornal alguém achava estranho marido e mulher pertencerem a partidos diferentes, não sei se as regras partidários proíbem isso, mas o perigo é real. Pode haver espiões maritais escutando o  Eu politico do outro a sonhar alto*.
* - Mas ter amantes também tem este perigo, convem ir ao médico ou usar mordaça.

Conclusão

Afinal namorar é ter intimidades, ou seja, é ter outro EU (este colectivo) em acção no pacote pessoal de Eu's.
Este EU-NÓS, criado por via Quântica ao sobrepor ondas bosões, arrasta efeitos psicológicos, sociológicos, políticos, sociais e até religiosos.

Tudo isto não me incomoda desde que não me cortem o corpus callosum.


Fire walking

Ref. in: Pinçamentos: Ciência do namoro en coloquial bate-papo ( depois clickar em "Aperitivo mental")

Como exemplo “meditativo”, considere-se dois mundos, a Macro-Física e a Micro-Física.

⏩ O mundo da Macro-Física gerida pelas Leis de Newton, funciona desde "o Tudo ao átomo", sendo o átomo o elemento base a constituir esse mundo.

⏩ O mundo da Micro-Física, gerida pelas Leis da Quântica, que são diferentes e às vezes opostas e contraditórias às Leis de Newton, funciona dentro dos átomos, desde "o átomo ao Tudo", sendo as partículas quantum's, [...energia e informação...] o elemento base a constituir esse mundo.
Ou seja, no limite, desde os humanos até aos animais, astros e calhaus tudo é constituído por "quantum's" (energia e informação).  

Assombrosamente, [...as Leis de Newton funcionam bem e são alimentadas e suportadas pelas Leis Quânticas que às vezes as contradizem e opõem...] MAS coexistem, inter-penetram(-se) e inter-dependem(-se), numa espécie de irmãos siameses.

Como exemplo ad hoc e numa síntese rústica, nós, humanos e outros seres vivos, somos seres híbridos enraizados e que vivem simultaneamente nesses dois mundos de leis diferentes.
Por um lado, somos células do mundo MacroFísico e obedecemos às leis de Newton e, por outro lado, somos partículas quantum's do mundo MicroFisico e obedecemos ás Leis Quânticas. 

O paradoxo interessante é que estes dois sub-mundos humanos são "geridos" por "algo" misterioso a que chamamos EU. Quando este EU desaparece chama-se morte e os dois sub-mundos separam-se, o corpo (celular) torna-se cadáver (celular) e as células transformam-se, todavia se inexplicavelmente ficam inalteráveis considera-se "milagre".
No sub-mundo quântico, as partículas quantum's mantém-se inalteráveis (?) e "emigram(?)".


Respondendo ao espanto, um exemplo com ...os meus pés em duas situações... que, integrando a MacroFisica e a MicroFisica e enquanto vivo, se podem considerar uma unidade inseparável e híbrida de células/átomos e de partículas quânticas, ambos mantidos "ajuntados" (keep together) pelo meu EU.


Se, enquanto vivo, os meus pés queimam-se com fogo, todavia, se o meu EU morrer (o que quer que isso seja) esses dois mundos separam-se.
Se o corpo (já sem o meu EU) for incinerado os pés (e suas células) ardem com o calor, mas partículas quantum não seguem esse destino.

Porém e todavia,

Em 2001, nos Alpes Italianos, participei num Encontro onde fiz a experiência de "andar descalço sobre fogo".
Na prática, era um corredor com 1 metro de largura e 10 metros de comprimento, feito com carvão de coque em brasa (500ºC???) que se devia percorrer descalço.

Itália, 2001
Entre algumas dezenas de participantes, uma dezena tentou a travessia.

Ainda hoje, não sei explicar. Depois de acabar, estava tão espantado olhando para os meus pés "normais", esbranquiçados e frios que voltei ao principio para repetir e observar bem.
O monitor não consentiu, dizendo que já tinha perdido o "modus-atitude"... (o que quer que isso fosse).

Houve uma preparação prévia nas 2 horas imediatamente anteriores mas só fiquei com lembranças dispersas dessa preparação, mas um conselho ficou bem claro por insistido e treinado durante esses tempo: "devagar, firme, pensar e sentir a sola dos pés pisar o chão".

Não se rezou nem cantarolou cânticos "espirituais" ou "motivacionais" tipo equipa de futebol, não se comeu, bebeu ou fumou drogas ou quejandos.
Houve activação física, estiramentos, flexibilidade, ritmos, coordenação neuro-muscular, controlo respiratório, quinestesia. etc, mas tudo normal e conhecido das yogas, artes marciais, meditações, etc.

Nunca consegui reconstituir a estrutura dessas 2 horas de preparação apesar das longas pós-conversas de curiosidade. Acabei por ter a oferta de dois CD's de ritmos musicais utilizados (batidas binaurais??) também vulgares em sites da internet.

Durante a preparação, o monitor avisou que na altura poderia impedir alguém de fazer a travessia se não o sentisse em condições. Na altura, dos que fizeram a preparação alguns não tentaram, mas dos que tentaram todos a fizeram com êxito, ninguém foi impedido excepto eu com a minha 2ª tentativa.

Não percebi o critério, nem o sintoma, mas hoje penso que era recusado o estilo "É pra fazer??? Cá vou Eu!!!", dos "desenrascadinhos de Ego molinho".

Durante anos comprei livros e fiz downloads de artigos sobre "fire walking", mas nenhum me convenceu, eram do estilo de aprender a "nadar em seco"... faltava o essencial.

Recruta: aprender crawl por "nadar em seco"
Conclusão 

Posteriormente, e até hoje, na perspectiva da quântica ficaram-me duas perguntas não respondidas:

⏩- Na altura do "fire walking", terá existido um método psico-fisiológico para alteração do controlo quântico dos meus pés? Qual o método e principalmente qual o processo?

⏩- Será possível com preparação Yoga, QiQong ou StandStill, respiração, meditação, visualização, imaginalização, etc, reconstituir a alteração quântica, se foi isso o que aconteceu?
Porém até agora, apesar das experiências, não obtive qualquer resultado,... excepto algumas queimaduras com velas.