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sexta-feira, 16 de junho de 2017

A guerra das torradas

ou a "Lógica no quotidiano" !!!

Hoje, houve um conflito no pequeno-almoço: uma torrada ou duas meias-torradas ?

A diferença é que a torrada são duas fatias de pão saloio e custa 2,7 euros e a meia-torrada é uma fatia e custa 2,4 euros.

O conflito era simples, o dono do café queria receber 4,8 euros por 2 meias-torradas e as duas clientes queriam pagar 2,7 euros por 1 torrada.

O interessante é que a discussáo sobre o preço desapareceu e transferiu-se para a análise de frases e a lógica de pratos.

A cliente:

- Eu pedi uma torrada para as duas !!!

O dono do café:

- E nós colocámos uma fatia em cada prato e levámos para a mesa, portanto, foram 2 meias-torradas. !!!

A cliente:

- Não foi ... foi uma torrada em dois pratos ... e o que pedimos foi uma torrada num prato… e se depois ambas comemos do mesmo prato, ou não, o problema é nosso.

O dono:

- Mas foi entregue o que pediram ... meia torrada para cada uma.

A cliente :

- Não sabe se eu só dava uma dentada,... nós queremos uma torrada para as duas e dividimos como queremos.

O dono: 

- Sim, mas uma torrada para duas é metade em cada prato, portanto, meia-torrada para cada.

A cliente:

- Portanto, não nos deram o que pedimos que foi uma torrada e não duas meias torradas... não temos que pagar, foi oferta... e agora queremos a torrada que pedimos. 

Os clientes interessados acompanhavam o debate e o resultado que iria ter. Talvez por isso a conversa continuou em surdina e não se percebeu a solução. Tudo terminou e as clientes sairam. Acabou assim a "guerra das torradas" com um acordo em privado. 

Porém, é possível tirar algumas conclusões acerca de "lógicas no quotidiano"e já há experiências a partilhar neste campo.

Para os clientes, cuidado com partilhas e ... pelo sim, pelo não, metam sempre a mão no prato do parceiro, nada de divisões, como nesta partilha de batatas fritas...


Neste caso o risco seria grande pois pagar-se-ia 5 pratos mal cheios de batatas ou discutir-se-ia "quantas batatas deve ter um prato".

Para os donos dos cafés a conclusão é que devem clarificar o regulamento com letreiros evidentes da burocracia em vigor:


Três Observações técnicas sobre o letreiro:

1ª - Não é uma "tasca" pois tem uma direcção e não um gerente;
2ª - São evoluídos pois escrevem segundo o "Novo Acordo Ortográfico", vide DIREÇÃO só com um "c";
3ª - Não se percebe se querem dizer " Não é permitido duas pessoas comerem no mesmo prato" ou se é um restaurante de antropofagia e avisam que para comer duas pessoas elas têm que vir cada uma dentro de um prato.



terça-feira, 13 de junho de 2017

O diferente, a vida e a sociedade

"Boat bird"- 190 Azulejos de feltro (felt tiles)
Preâmbulo
Apesar deste post ter sido detonado por uma pintura, ele não é sobre arte, seus aspectos artísticos, estéticos, comunicativos, etc, pois não me atrevo a tal, sou um simples "gourmet" do tipo "gosto… não gosto" e não um "chef", um artista ou comentador especializado.

O interessante é que o quadro, quando eu percebi a técnica utilizada, provocou em mim uma espécie de epifania centrada sobre o conceito "diferente", pelo que andei vários dias "embrulhado" com ele como  base positiva de relações amorosas e negativa do fomento do xenofobismo, racismo, etc, e também  impulsor de simples conflitos e "guerras" de comentários. 
Na prática, é a "gasolina" dos raciocínios quer se usem bem quer se usem mal.

Assim, este post não é sobre o quadro mas sobre o conceito de "diferente". Não são considerações estéticas e artísticas, mas considerações sociológicas sobre processos culturais e cognitivos.

As próprias imagens colocadas não pretendem constituir um todo esteticamente harmonioso (como na técnica do "boat bird") mas são simples reforços afecto-cognitivos dirigidos ao "hemisfério direito" do córtex para complemento do texto dirigido ao "hemisfério esquerdo"… e esperando que se integrem. Não pretendem ser arte apenas reforço da mensagem.

Este post é um "recuerdo" desse deambular, o qual me trouxe algumas conclusões.

Como ponto de partida três premissas: diferente, vida e sociedade.

Diferente "cientificamente", é aquilo que não é considerado igual 😎.
A palavra chave nesta definição é "considerado". Na verdade, ser igual ou diferente resulta de uma prioridade mentalmente aceite, isto é, quando se compara dá-se preferência ao semelhante e chama-se igual ou dá-se preferência ao dissemelhante e chama-se diferente:

1 - A baleia é diferente da vaca porque anda na água e a vaca anda em terra;
2 - A baleia é igual à vaca porque ambas respiram no ar e são mamíferos.

Na realidade, todos os seres vivos têm factores iguais e factores diferentes uns dos outros. Por exemplo, não há dois bois iguais e a prova são as diferenças de preço porque são vendidos nas feiras. Os profissionais procuram confirmar se as suas diferenças justificam os preços, mas os amadores compram sem procurar as diferenças porque "bois são bois".

Vida "cientificamente", vida é uma harmonia de diferenças e não uma união de igualdades. Se essa harmonia sofre prejuízos de uma diferença, então a vida vai desaparecendo e a morte aproxima-se:

1 - Os rins são orgãos diferentes do coração e com ele coexistem em harmonia. Se os rins provocam prejuízos, a harmonia do conjunto desaparece numa situação conhecida como doença em que a vida é enfraquecida.

2 - Num transplante de orgãos no nosso corpo é preciso que ele aceite e integre um emigrante, um diferente nos ADN e crie harmonia com ele. 
Na verdade, as células corporais do dador têm um ADN diferente do ADN do receptor. Para não haver rejeição do orgão transplantado pode acontecer que surja uma "quimera humana", ou indivíduo com dois ADN, o que é possível por questões naturais na gestação do embrião ou artificiais no esforço da vida para integrar o diferente.

A vida não é xenofóbica… nela  os diferentes têm possibilidades de integração.

Sociedade "cientificamente", o seu progresso é a criação de diferentes. Quanto mais uma sociedade for evoluída maior é o número de diferentes que contém e mais intensa a sua diferenciação. Estes diferentes são chamados especialistas, nome moderno dos antigos artesãos.
Uma sociedade pouco evoluída é constituída por pessoas indiferenciadas, todas iguais.

1 - Uma ida ao médico significa apenas ir procurar alguém diferente de nós e isso exactamente porque  é diferente. Tem ideias, informações, destrezas, competências, etc, que não temos e por isso precisamos desse diferente. 
Se falar outra língua e tiver nascido noutro país, apenas existe a igualdade de ser da mesma espécie o que é suficiente para ambos, vide  os Médicos sem Fronteiras.

2 - Segundo alguns autores, a paixão tipo Romeu-Julieta acontece exactamente por causa das diferenças atractivas entre ambos que originam um fluir, uma corrente, à semelhança de um rio que a cria pelas diferenças entre a nascente e a foz.  Se essas diferenças desaparecerem fica apenas água estagnada.

Nesta perspectiva, as tentativas de igualdade entre ambos são formas de estagnar o fluir da paixão de que as rotinas são causa e consequência. A harmonia transforma-se em quietude e o equilíbrio em estagnação, na verdade, estar apaixonado pela imagem de si próprio dá segurança mas não dá alegria.

A união é integração de diferentes 
e não é ajuntamento de iguais

Em sociologia, o ajuntamento de iguais chama-se classe lógica, por exemplo, os peões que andam a pé e os automobilistas que guiam carros.

Estes ajuntamentos não precisam de comunicações, nem estruturas, nem "encaixes" de diferenças, etc, eles são uma "mole" amorfa que está junta apenas por coincidência de uma igualdade comum activa e onde diferenças são esquecidas:

Beber água em comum não cria uma união, apenas,
um ajuntamento (classe lógica: os que bebem água)
Para transformar uma classe lógica em grupo é preciso criar aquilo que ela não tem: "comunicação, encaixe de diferenças, estrutura, etc".

Por exemplo, no amorfismo das classes lógicas peões e automobilistas um atropelamento pode "acordá-los" e transformar a indiferença mútua em diferenças em conflito.

Será suficiente reduzir o espaço de cada classe lógica, apertando os seus membros uns contra os outros, criando contactos "ombro-a-ombro". Estes contactos corporais são comunicação com mensagens afectivas de força e propósito. Esta técnica foi usada por grupúsculos em Maio 68, é usada em "manifs" pelos elementos de enquadramento e até pela polícia em táticas erradas de contenção para impedir conflitos... é o mesmo que "apagar fogo com gasolina".

Na verdade, o "ombro-a-ombro" cria comunicação, sensação de pertença, estrutura e objectivo. A energia grupal circula e com palavras de ordem a acção detona-se, os diferentes integram-se e a luta nasce. O ajuntamento passou a união.

As diferenças "encaixam" e não é por coincidência, é por intenção,
é  uma UNIÃO onde se trocam mensagens que se integram entre si.
A vida e as sociedades não são ajuntamentos de iguais, mas sim, são integração de diferentes, não resultam de moles amorfas e "cegas" mas de [… diferentes independentes com dependências mútuas], por exemplo:

- a floresta são árvores juntas mas diferentes entre si (coqueiro e palmeira), 
- o coqueiro tem "partes" juntas mas diferentes entre si (folhas e tronco), 
- o tronco tem partes juntas mas diferentes entre si, casca (suber, tecido morto) e miolo (tecido vivo), 
- o miolo tem partes juntas mas diferentes entre si, xilema (transporte de baixo-cima) em equilíbrio com floema (transporte de cima-baixo);
- etc etc

A vida e as sociedades são um caos organizado por diferentes integrados entre si

Quanto mais evoluída é a sociedade, maior é a sua quantidade de diferentes e menor os seus indiferenciados (vide o actual aumento de escolaridade) e também a diferenciação é cada vez maior  (vide o aumento de especialidades num hospital).

Na antiguidade, a arca de Noé era uma solução lógica pois, para manter e aumentar  os "embarcados", era só deixá-los existir, comer e reproduzir. Reconstruir o perdido não precisava de especialistas diversificados, o Noé e sua família eram suficientes:


Porém,  fazer hoje uma Arca de Noé não tem a mesma lógica,


o problema não é a quantidade-qualidade dos "embarcados", é a quantidade-qualidade das pessoas diferentes necessárias para a reconstrução. A meia dúzia do tempo de Noé tem que ser substituída por centenas de milhares de diferentes, os especialistas necessários.

Por exemplo, para reproduzir um automóvel é necessário milhares de pessoas diferentes com suas diferentes tecnologias (hard e soft), desde a recolha e tratamento de combustíveis, borracha, metais,..., até ao fabrico de componentes electrónicos, eléctricos, vidros,..., sua montagem, aferição e operacionalização.
Só um simples rádio,
Um rádio de 1940
exige dezenas de técnicos e tecnologias diferentes para ser construído.

A sociedade de hoje exige milhares de diferentes especialistas que, em harmonia e consonância de seus actos, precisam de se manter diferentes. Mesmo a sua substituição por robots iguais obriga a existir diferentes a montante e jusante se a sociedade quer continuar a existir. A diferenciação é fundamental para existir união e não ajuntamento.

Na união há integração no conjunto 
e diferença na unidade


No "boat bird" os seus 190 "Azulejos de feltro" em seu conjunto constroem um equilíbrio e uma harmonia, mas cada azulejo tem sua "individualidade própria", uma diferença particular com seu significado. 
São diferentes, continuam diferentes mas são iguais como fazedores do painel

De um certo modo, são uma expressão pictórica da vida e da sociedade pois também lá [… cada unidade tem uma diferença própria mas no conjunto as suas participações integram-se harmoniosamente umas com as outras].

Vendo com lente, dentro dos pequenos azulejos de feltro há diversos mundos a descobrir para além do seu papel no conjunto. No exemplo dos dois pequenos azulejos, num encontra-se o olhar observador do cão e no outro a suave festa da mão ao pássaro.
No conjunto, cada detalhe tem um mundo de diferenças próprias de que, de forma pessoal co-existem sem lutas e sem prejuízos com todos os outros. Assim, é uma sociedade, assim é a Democracia.

A essência da Democracia é a votação e eleição do NOSSO diferente representante para em conjunto com o VOSSO diferente representante, unidos e em harmonia concretizarem a melhor solução para todos. Paradoxalmente, surgiu e adoptou-se que:
a melhor solução para esta integração de diferentes… é serem todos iguais…😡😳 

solução tecnicamente chamada de partido único. 
Se houver muitos partidos cada um constituído por iguais por natureza ou por disciplina partidária, bastará existir um só representante com o respectivo "peso numérico para a votação", correspondente ao número de iguais representados. Será mais económico, debates mais rápidos, menos conflitos e discussões mais óbvias.

Sob ponto de vista lógico, o conceito é divertido porque [… se é partido único já não é parte de nada (partido) é inteiro] ou na linguagem de Duverger é a "Democracia governada", ou seja, deixou de ser Democracia porque por essência a Democracia é governante e para se governante ela precisa do conjunto dos eleitos diferentes.

Do mesmo modo que não se matam doentes quando que não se sabe curá-los, também, se os diferentes eleitos não sabem estar em Democracia, a solução não é matar a democracia é mudar o eleitos.
Quando nos debates democráticos existe luta entre diferentes e ele procuram prejudicar os não-iguais, esse conjunto não é união mas ajuntamento, uma espécie do que existe num armazém de sucata: tudo junto sem união entre si.

Dada a mobilidade destes "painéis de feltro":


eles poderiam ser um bom um bom símbolo de que aquele espaço é para ser uma DEMOCRACIA:


e se não tiver sido uma Democracia, o coordenador da reunião mandaria recolher o símbolo:




segunda-feira, 29 de maio de 2017

A boneca aprisionada

A boneca triste
Uma manhã triste no café pois vivia-se uma 2ª feira despovoada, mesas vazias, clientes fugidios.

Numa mesa afastada, uma mãe, trinta anos(??), corpo amorfo e "embotado" mas com cara tensa e vincada, rotinadamente, "aperfeiçoa" a filha de um ano, sentada sobre a mesa.

Mecânica e suavemente, alisa a renda do vestido, corrige um cabelo fora do sítio, limpa um sapato e, com gesto brusco, ajeita-lhe um braço… e, assim, o tempo passa numa constante correcção de pormenores… mas, e a criança?

Imóvel, estática e quieta, de expressão parada, olha em frente e devagar mas sem olhar, a mão aproxima-se da caixa dos guardanapos. Com gesto rápido, a mãe afasta a caixa e põe-lhe o braço, "como deve ser" na posição anterior. Fiquei a pensar, seria autista????

Um estranho (60 anos??) senta-se na mesa ao lado com jornais e revistas. A criança e o estranho olham um para o outro, ela estica a mão na sua direcção, palra e ri-se. Ele dá-lhe um postal que tira da revista e que ela aceita e depois oferece. Começou uma brincadeira de "toma lá, dá cá", em que ele se ri e ela também… divertem-se. O "autismo" desapareceu.

Uhau…afinal não era autista... era só uma "boneca aprisionada", engaiolada.

Quando trabalhei no Hospital Júlio de Matos, no Centro de Saúde Mental Infantil de Lisboa, encontrei crianças com comportamentos semelhantes, mas não tinham esta instantânea alegria e disponibilidade com estranhos. 

Aqui, não me parecia que fosse a mesma situação pois não devia ser um problema interior mas apenas o resultado de um problema exterior, uma defesa instintiva de "prisioneiro versus o perseguidor-carcereiro", reconhecível em crianças, adultos e animais (particularmente cães) nesta situação.

Entretanto, a mãe, "agitada", dizia "- Desculpe! Desculpe! Querida,.. olha para mim, olha para mim,..." mas a criança não ligava, continuava a sorrir e a brincar ao simples "toma lá, dá cá". Tinha encontrado um amigo.

A minha melancólica estranheza foi que ele, um estranho, era mais pai do que ela era mãe e, principalmente, porque a criança, ainda sem saber falar, já sabia reconhecer e optar pela diferença!!!
Na verdade, desde a nascença que o afecto se reconhece e sente pela pele, quer nos humanos quer nos animais ou, como se diz na cultura USA, o afecto existe "by the skin and not by the book", isto é, existe "pela pele e não pela cabeça com suas regras".

Raizupartiça,…o que acontece aos humanos?

A minha manhã de relaxar "conversando" com a torrada tinha acabado. Regressei a casa e fui "desabafar' com o tablet.

Na verdade, estas inovações modernas substituem com eficácia o confessionário e/ou o psicanalista, pois o tablet não me sugeriu que o problema era meu, dado que ninguém tinha reparado, nem me impôs penitências a cumprir, nem comprimidos a tomar, nem traumas de infância a pesquisar.

Em consequência, ficou-me o remorso de ter consentido pois não usufruí daquelas "bengalas" de SOS (confissão ou psicanálise) para o aliviar… assim, lá tenho que me aguentar a mim próprio.



sábado, 27 de maio de 2017

Avó e neta


Café da manhã, na esplanada a neta choramingava porque queria andar a passear e a avó queria que ela estivesse "sentada como uma senhora". Entre "brincos e chorincos" a luta continuava e a avó "atacou" dizendo:

- Se não estás sossegada .... eu já não gosto de ti!

A neta resolveu a questão:

- Não faz mal ... vou ao supermercado e compro outra!

A avó ficou a choramingar e a neta foi passear pela esplanada!

Fiquei espantado, como é que uma criança de 7 a 8 anos adquiriu técnicas correctas de luta contra a perseguição-assédio a controlar a vida do outro.

Na verdade, o ataque da avó foi uma técnica muito usada nestes casos e chama-se "chantagem afetiva". 
A defesa da neta é uma técnica raramente usada por adultos pois, nestes casos, limitam-se a guerras de impropérios e à primária argumentação do "disco rachado", ou seja, dizem sempre a mesma coisa de forma monocórdica, i.é., tocam sempre a mesma corda (vide debates TV).

Pelo contrário, a neta com seus poucos anos de idade, usou a "saída pela tangente",  com um "go in" incorporado que funcionou. 
O que mais me espantou foi a continuação. Na verdade, o choro da avó não funcionou como pressão afectiva para submissão, pois a neta usou a técnica do "tu não existes", técnica preferencialmente aconselhada nestes casos de "chantagem psy" quer seja cognitiva ou afectiva, que é a preferida dos perseguidores/assediadores ou, dizendo em francês, dos "emmerdeurs" (a tradução portuguesa não é elegante mas, intuitivamente, é óbvia).

No caso da neta, ela usou o método da "saída pela tangente" que consiste em, num ponto da lógica usada pelo outro, fazer uma inflexão noutra lógica diferente que o coloca fora da jogada e resolve o problema.
Ela usou a asserção "recurso estragado substitui-se no supermercado", eventualmente aplicado na família para alimentos estragados e, criativamente, utilizado aqui.

Por sua vez, sem o saber, detonou na avó um "go in". Esta técnica associa um processo cognitivo com um afectivo, em que este detona um "curto circuito" mental  susceptivo de bloquear o sistema, ficando este sem programa operativo. É uma espécie do "écran azul" do windows quando fica inoperativo e obriga a reiniciar.
Exemplo:

Um dia na FNAC, entrei comendo uma pequena tablete de cereais. De repente ouvi atrás de mim um "berro" dizendo "Ehhhh… não pode estar a comer". Era o porteiro, híbrido com segurança, que me apontava o dedo. 
Em vez do método usual de debate político (vide 25 Mai 17) resolvi conversar ao estilo de dois adeptos de futebol do mesmo clube.

Voltei atrás e perguntei "suavemente" - O que chama comer?.
Os olhos "pararam" e ficou com o ecran azul do windows à procura de programa. 
Resolvi ajudar:
- É dar dentadas ou mastigar?
O azul do programa mental ficou cinzento escuro, a alternativa não era óbvia pois na verdade era um dilema (ou… ou). Fiquei à espera… com a esperança que dissesse TODOS ao estilo do Vasco Moscoso de Aragão dos "Velhos Marinheiros" de Jorge Amado… não o fez.

Resolvi ajudar com um trilema e acrescentei: - Se guardar na algibeira resolve?
Como dois amigos do mesmo clube, respondeu também "suavemente": - "siiimmm". Agradeci, dei uma dentada à frente dele, comecei a mastigar, acenei um adeus e fui-me embora. Ele continuava com o ecran azul.

No caso da avó e neta, esta não fez "go in", ele aconteceu. Foi a própria avó em auto-serviço que acrescentou esse factor ao pensar "não gosta de mim… sou de deitar fora". Assim, deu-se um curto circuito, fez-se ecran azul, ficou sem energia e precisou re-iniciar o sistema reavaliando a situação.

O que me espantou foi a continuidade da acção da neta, pois fez a técnica aconselhada pelos peritos para os casos de assédio. É a técnica do "tu não existes".

É uma técnica simples e de fácil aplicação. Constitui criar uma atitude na qual o perseguidor (narcisista) se torna transparente. É olhado mas não é visto, é ouvido como ruído, não é respondido, não é inter-agido pois não tem lugar nos actos do outro em que, por ex., está "distraído" vendo o telemóvel. 

A maior "dor" de um perseguidor narcisista não é ser combatido, argumentado, conflituado pois isso é a sua "alegria", o seu prazer, o seu objectivo.
O que lhe dói é "não existir", não ser polo de relação, não ser considerado interlocutor e, mais doloroso ainda, é nem sequer ser ignorado ou recusado, pois estas alternativas são ainda conexões, apesar de pela negativa.
A solução é simplesmente criar um "vácuo relacional" em que as interacções que emite não têm polo receptor qualquer que seja o formato, canal, mensagem, etc. Como exemplo e treino é experimentar, ao espelho, fazer o olhar de quem está a ver mas a pensar noutra coisa, ou seja, quem está à frente é apenas um objecto da paisagem,  mesmo se falante.

Na continuação, o que a criança fez foi não se deixar apanhar pela chantagem afectiva das lágrimas e tristeza (reforço da primeira tentativa) e foi passear. 

Eu fiquei à espera do resultado pois queria saber se haveria a segunda etapa (B). Não houve, ela voltou contente, as relações estavam normais, ela saía para ver a montra da tabacaria e o "sentar como uma senhora" não atacou mais. As duas pareciam felizes.

Afinal isto do educar vale para os dois lados… felizmente.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Convivialidade e a "dança das mesas"


Hoje, como é hábito, tomei o pequeno almoço num café-pastelaria do bairro, bom café, bons bolos, bom pão e almoços rápidos. Os habituais clientes são vizinhos, reformados ou não, trabalhadores do hospital próximo ou veraneantes da praia ao lado que aqui se encontram e se relacionam ao estilo de passageiros habituais de metro ou de comboio.

O café tem dez mesas no interior e outras dez na esplanada, das quais os habituais clientes têm as suas preferidas e, na sua falta, as desconsoladamente usadas para tomar café, ler emails, facebook, jornais, revistas, livros ou conversar.

Hoje aconteceu algo inesperado que me fez olhar e pensar de modo diferente o quotidiano habitual.

Cheguei ao café ligeiramente à frente de uma cliente para o seu pequeno lanche, com um repousante intervalo a meio da manhã 
Quando entrei, só havia duas mesas, uma era semi-desconsolada e outra semi-preferida, pois ambas eram no meio da sala sem os confortáveis peitoris das janelas para pôr o livro, revistas, mala, tablet, etc, o que obrigava a usar cadeiras debaixo da mesa. 

A mesa semi-preferida seria a minha escolha, porém a cliente atrás de mim era lá que se costumava sentar, longe do caminho e com vista para o exterior, saboreando assim alguns minutos relaxantes. Se estava ocupada ia para o balcão, comia e ia-se embora.

Como costumo ficar no café cerca de uma hora, comendo, lendo e escrevendo, decidi deixar essa mesa para ela e sentar-me na outra, procurando mudar logo que vagasse alguma das preferidas.

O estranho é que essa cliente quando passou por mim, além dos costumados ligeiros "bons dias", disse-me claramente "obrigado".
Fiquei admirado e a pensar porquê. O que se tinha passado? Eu apenas me tinha sentado numa mesa.

Abri o tablet, fui comendo, pensando e listando "recuerdos" de situações nesses pequenos almoços.

Ao fim de algum tempo a conclusão foi interessante pois percebi que tenho andado "mergulhado" em inter-acções activas, operacionais e comunicativas, com uma consciência zombie do que vivia.
Tenho sido um "sonolento semi-vivo em terra conhecida" quando afinal sou um "membro activo de uma comunidade desconhecida", cheia de partilhas e sincronismos.

Fiquei "zangado" comigo próprio pois, além de detestar ser zombie, um dos meus traumas (e tristeza existencial) é, várias vezes no passado, ter vivido situações para mim significativas e marcantes mas sentidas com a superficial rotina de serem normais e eu apenas um espectador distraído.
Na verdade, só alguns anos depois, percebi essa minha "fraude existencial" de [...ter vivido um hoje morrido…], muito pior do que […ter matado esse hoje à nascença…].

O budismo zen, com menos poesia e mais lógica, tem uma história sobre esta "fraude existencial", história essa que gosto muito e recordo muitas vezes.
Parafraseando:

[Num dia de calor, alguém veste fato de banho, dá mergulhos na água, sai, senta-se e passado algum tempo fica admirado por estar todo molhado.]

A opacidade ao "aqui-agora"do presente, perdendo o que está acontecendo, é como um turista que regressa com milhares de fotografias de por onde andou e sem nenhuns "recuerdos" existenciais do que lhe aconteceu.
Ou seja, é andar na vida como zombies, chorando em filmes e telenovelas que repetem cenas da família, da vida e do trabalho mas por onde passa (e vai continuar a passar) impunes e inócuamente.
Só, talvez na velhice se vai recordar essa vida morrida e chorando ao não conseguir "re-encontrar" o que se deixou fugir.

No caso dos pequenos-almoços e do café, o que descobri foi que os frequentadores habituais têm duas ou três mesas preferidas que ocupam sempre que podem, e as preferências não são as mesmas para cada um de nós. Aos sábados e domingos de manhã é tempo de crise pois há enchentes e a escolha não é fácil, pelo que  cada um se senta onde pode.

Depois, quando há uma vaga nas preferências, alguém agarra no seu jornal, livro, café, etc, e muda de mesa, o que origina que outro faz o mesmo para aquela que acabou de vagar e assim sucessivamente, até tudo estabilizar.
É uma autêntica "DANÇA DE MESAS" em que todos rodam em função das suas preferências, muitas vezes ajudados pelos empregados e/ou pelos próprios clientes.

Como curiosidade, alguns dos "recuerdos" que recordei:

- Ás vezes, quando um destes "habituais" chega e a "sua" mesa está vaga sem concorrentes, o empregado já lá colocou parte do seu pedido habitual;

- Já me tem acontecido (e também feito) que quando um destes "habituais" chega, outro que está de saída faz sinal, levanta-se e vai pagar ao balcão. Não é obrigação, é apenas, por delicadeza, um reconhecimento pessoal: [...tu existes, eu confirmo e deixo-te o lugar];

- Outro dia fiquei a ler até ao meio dia, o café estava praticamente vazio e o empregado veio falar comigo, perguntando se podia passar para outra mesa onde costumo também ficar que ele levava tudo. Uma vizinha reformada de 70/80 anos costuma almoçar na mesa onde eu estava para ver a animação da esplanada, e estava tristemente sentada noutro lado. Aceitei e quando saí fez-me um discreto sorriso.

- Outra vez um cliente que estava na esplanada veio ao balcão pedir um isqueiro. A empregada não tinha mas sorriu e pela montra indicou outro cliente na esplanada que tinha e não se importava de emprestar. Curioso fiquei a ver o resultado… funcionou. Quando saí e fui pagar dei-lhe os parabéns, admirou-se pois não se se lembrava de nada, na verdade era a confusão do domingo de manhã.

- Noutra manhã, vi o empregado sair, ir à rua, chamar um cliente que no passeio se ia embora, perguntando-lhe se ainda voltava. Ele disse que não, então o empregado respondeu que era melhor voltar porque outro cliente tinha-lhe dado a carteira que ele deixara na mesa. Ele regressou e os três ficaram agradavelmente na conversa.

A questão que se põe é se isto é um "Big brother" e uma "coscuvilhice de controlo" ou, por outro lado, é uma cumplicidade de empatia social e sincronismo?

É a velha questão se [...dar as mãos é protecção-apoio ou controlo-prisão…]:

Queixava-se a mulher ao marido:
- Quando namorávamos em casa de meus pais, estavas sempre a segurar-me as mãos. Agora sentas-te aí longe!!
Respondia o marido:
-É que dantes tinhas a mania de tocar piano!!!

Na verdade, a fronteira entre a proteccão e alter-ismo (outro-ismo, altruísmo) e o controlo e ego-ismo (eu-ismo) é ténue e difícil de observar, todavia os seus sinais são sempre óbvios e claramente identificáveis. Daqui resulta que, normalmente, só se reconhece a prisão e o controlo quando já é tarde e se está bem emaranhado. Por exemplo, protecção ou controlo:

"Gosta muito de mim, nunca me deixa ir sozinha para lado nenhum!!"

O critério para diagnóstico é simples, na protecção e altruísmo a área de liberdade cresce, no controlo e egoísmo a área de liberdade reduz. É só criar eventos críticos para teste, as reacções nunca enganam.

Aplicar pode ser difícil, pois há vários "bugs" culturais de "baralhamento"[*], por exemplo,  é preciso não confundir a "existência de bem" com a "ausência de mal" (ou vice versa), pois uma não implica a outra. 
Exemplo:

- o facto de "não odiar não significa gostar" e o facto de "não gostar não significa odiar";
- o facto de "não estar presa não significa estar livre" e o facto de "não estar livre não significa estar presa;"
- o facto de "não ser ditadura não significa democracia" e o facto de "não ser democracia não significa ditadura";
- etc etc;
[*] - ver efeito Dunning-Kruger

No caso da "dança das mesas", a opção entre convivialidade social ou controlo de coscuvilhice é simples, pois vive-se na fronteira entre os dois e quando se avança para coscuvilhice bloqueia-se, quando se propõe convivialidade social aceita-se. 
A necessidade de viver lúcido não é "chatice" é como procurar água e alimento… tem que ser feito… pois [… viver livre por dependência não é independência é estar cegamente preso…]

O método aconselha a regra das 3 etapas:

A - Na primeira vez, cai quem não sabe (ham !…ham !… o quê?);
B - Na segunda vez, cai quem quer (uff... uff… outra vez?);
C - Na terceira vez, cai quem é parvo (grrr !.. grrr !… só a mim!).

PS - Por enquanto, penso (?!!?) que vivo na convivialidade social mas já sofri alguns ataques de redução da minha liberdade, por exemplo, imposições de amizade, ou de presença, ou de conversa, ou de opiniões, etc, sempre com a intenção de se ficar com o hábito relacional de vida controlada. 
Foram todas "amigavelmente" 😎 resolvidas e não se repetiramisto é, não houve etapas B, todavia, também "inexplicavelmente" 😇 passaram a ser um convívio demasiado " formal" e distante, ao estilo de "tu não existes".


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Pensar o que somos versus o que temos

Quatro perguntas e uma história...

1ª pergunta

Como ponto de partida, e como poderia dizer um discípulo de La Palisse... "se tivesse nascido noutro tempo e noutro paísEU não seria EU, mas sim, outro EU diferente".

Mas poderia também pensar... "em qualquer época e país, Eu seria sempre o mesmo… só teria linguagem, comportamentos, hábitos, etc…diferentes",

e por exemplo, EU em épocas diferentes... seria "O" mesmo EU???


Numa palavra, […Eu sou o que sou ...ou … Eu sou aquilo que "adquiri" e "tenho" ??...]

2ª pergunta 

...que não se "cala" e me espicaça: "Com tudo o que sou e o que tenho, afinal onde está o Eu???

Uma história:

O Manel tem um problema cardíaco e entra no Hospital para fazer um transplante com o coração que era da Maria. A operação foi um êxito e o Manel sai saudável com o novo coração.

A tecnologia evolui e a medicina também.

O Manel tem um problema cerebral e entra no Hospital para fazer um transplante com o cérebro que era da Maria. A operação é um êxito e o Manel sai saudável com o novo cérebro.

Na perspectiva da pergunta anterior, surge outra pergunta:

Depois da operação, quem sai do hospital é o Manel com o cérebro da Maria ou é a Maria com o corpo do Manel ??

Por outras palavras, o Manel continua vivo ou agora quem está vivo é a Maria "undercover" (disfarçada) sob o corpo que era o Manel???

A história pode ser ficção cientifica mas, se se tornar tecnicamente possível, os debates políticos nos partidos (quem é o líder?), teológicos nas religiões (quem é o pecador?), jurídicos nos tribunais (quem é o culpado?), económicos nos negócios (quem é o dono?) e amorosos nas famílias (quem me beija?) vão ser sérios e animados.

Continuando a prospecção de ideias, as perguntas "saltam", por ex., quando o Manel faz uma festa ou dá uma palmada a alguém, é a SUA mão que decide o que fazer ou é o SEU cérebro que opta e  "manda" a mão concretizar? 
Um filme:


Como se vê, é a mão do Miguel que executa a acção mas é o cérebro da Sam que decide o que fazer (festa ou palmada???) pois o cérebro do Miguel ficou "fora de jogo"… e, por graça dos deuses, ele fica calmo, feliz e não-consciente do que a SUA mão anda a fazer e até agradece aos qu'ridos lideres a sorte que tem de decidirem por ele.

Huau…!!! Huau…!!!, será isto apenas uma forma física (ligação-por-cabo) do que se chama "obedecer a quem manda"????, ou, por outras palavras, mandar é só...

[…fazer é o outro "engolir" as minhas decisões e executá-las em substituição das suas]

ou seja, é este mecanismo que, em termos psicológicos, se chama ser autoritário-obediente, em termos sociais ser ditadura-repressão e em termos culturais ser líder-liderado?

Bom, na verdade e na prática, apesar de não ser ficção cientifica, não andamos por aí "ligados-por-cabo" uns aos outros com relações de mandar-obedecer.

3ª pergunta

...e se for "ligação-wireless"?

Um filme:

Huau…!!! Huau…!!!, afinal parece que também há  "ligação-wireless" e não é ficção científica.

Bom, na verdade e na prática, apesar de não ser ficção cientifica, não andamos por aí a sofrer implantes cerebrais para se ficar "ligados-por-wireless"  em relações mandar-obedecer*.

[*] - Por enquanto (!!??)


4ª pergunta,

...e se for "ligação-por-educação" ???

Na verdade, educar é o educador incorporar padrões na mente dos educáveis, ou seja, uma espécie de implantes cerebrais de execução de comportamentos desejados, por exemplo, come carne versus não come carne, adoras este deus versus não adoras este deus, emigrante é bom versus emigrante é mau, saia curta versus saia comprida, etc. 
O nome técnico (diplomata) destes implantes cerebrais virtuais chama-se culturização nos bem-falantes, educação na sociedade, missionação na religião, marketing nos negócios, propaganda na política, o-que-deve-ser no fanatismo.

Todavia, de um modo simplex, são apenas automatismos comportamentais pré-estabelecidos que temos a par do que somos. A linguagem é um destes automatismos adquiridos:

No restaurante, dizia o dono perante o cliente francês e o inglês:
- Que chamem ao café: "cafê" ou "cófi"… percebe-se que se enganem, mas que chamem "lê" ou "milque" ao leite quando se sabe perfeitamente que é LEITE,... é uma parvoíce!![*]

[*] - Pode parecer uma anedota de implantes cerebrais virtuais mas, jornal 15 Mai 17, um responsável político diz que "…as mulheres não podem trabalhar de saia travada". Considerando que a saia travada obriga a ter as pernas juntas, qual era o trabalho no emprego em que ele estava pensando? Como acrescentou que [...a saia tem que ser larga…] os implantes culturais que ele usa devem estar bem enraizados acerca do trabalho das mulheres.

Uma história de implantes cerebrais virtuais:

O Manel trabalha numa empresa e namora a Maria. Combinaram, pelas 18:00 horas, horário normal de saída, irem passear e jantar fora.
À tarde, o chefe do Manel diz-lhe que tem que ficar até às 23:00 horas para terminar o trabalho.

O que faz o Manel sai às 18:00 e decepciona o chefe ou sai às 23:00 horas e decepciona a Maria?

A - A situação pode ser simples:

Por educação, o Manel tem um implante virtual no cérebro que decide "ao chefe nunca se diz não, não pensas mas fazes" e automaticamente bloqueia o seu sistema de tomada de decisões. 
córtex fica fora-de-jogo e, sem angústias nem hesitações, "ordens são ordens"[*] pelo que a sua decisão de sair e jantar com a Maria desaparece e a decisão do chefe ocupa o lugar.
O chefe é um líder e o Manel é um obediente.

[*] - Na vida militar este reflexo condicionador (Pavloviano?) tem um segundo reflexo condicionado, enxertado para reforço se há hesitações, é a aprendizagem "É uma ordem directa". Em 90% dos casos o córtex paralisa e bloqueia.
A recruta na vida militar pretende inserir esses dois reflexos condicionados a par de um terceiro da "obediência à voz única" vinda do símbolo de hierarquia, galão (oficial) ou divisa (sargento). (ver psicologia de re-educação e treino militar e outros)
A actividade diária de "ordem unida" (marchar ritmicamente em grupo formatado, cumprindo ordens) tem esses objectivos, reforçando a relação "normal" instrutor-recruta "a mão é tua, o cérebro é meu".


B - A situação pode ser complexa:

Por educação, o Manel mantém o seu córtex em pleno funcionamento[*]. 
Neste caso, qualquer uma das decisões tem diferentes vantagens, inconvenientes, pontos fortes e pontos fracos para ele e Maria, quer no momento presente quer no futuro. A integração de todas essas variáveis origina alternativas de diferentes custos e lucros… É PRECISO PENSAR E DECIDIR uma, outra ou aqueloutra das muitas possíveis, pois as probabilidades existentes são muitas (metodologia decisória "What If…"). 

Não imagino o que ele fará, mas o único erro possível é a decisão não ser sua. Por outras palavras, se ficar a trabalhar não é porque o chefe mandou é porque ele PENSOU e decidiu ficar.

[*] - Da mosca ao ser humano (sobre)viver é decidir, i.é., corro-não corro, bebo-não bebo, luto-fujo,etc. Em cada segundo, tomamos decisões, optamos pelo mais correcto, recusamos o mais incorrecto, desde respirar a não-respirar se gases, debaixo água, etc.
Neste sentido, educar é preparar para a vida, ou seja, é preparar para tomar decisões. Educar "amarfanhando" a capacidade de tomar decisões e potenciando o córtex bloqueado (i.é., obedecer zombie "porque-sim") é despreparar para a vida.


A decisão-zombie "passadeira-atravesso" dá multa, tem que ser decisão-pensada "passadeira: atravesso? Sim ou Não??".

Um filme:


Bom, na verdade e na prática, a "ligação-por-educação" não é ficção cientifica, ela anda à solta "aí fora", na família, nos amigos, no trabalho, na sociedade.

Um história

Um dia em África,

desembarcando numa aldeia piscatória isolada, "esquecida" na costa, encontrei um homem (50 anos?) "derramado" contra uma árvores, quieto e abúlico, olhando o ar. 
Tinha um aspecto adoentado e, apesar de ser de cor negra, parecia-me cinzento. Perguntei se estava doente e o que tinha.  Disseram-me que não estava doente, que nada se podia fazer, era o "abico"*

*- Abico: mau olhado(?), bruxedo pelo nome (*), feitiço (?), quebranto (?)

Procurei saber o que era isso, mas a resposta foi estranha. Disseram-me que, quando se nasce, as mães dão dois nomes, o nome real que fica secreto entre ela e o filho(a) e o nome conhecido de todos.
Se alguém souber o nome secreto poderá fazer bruxedo para ele, é fazer "renascer para a morte". Isso é o "abico". Nestes casos, só há que esperar pela morte. 
Aquele homem, estava com o "abico", estava morrendo, nada se podia fazer.

Espantado olhava para ele e pensava que aquilo não era suicídio, nem "morte matada, mas morte morrida", como diria o poeta[*], pois tinha desistido de estar vivo. Mais tarde, percebi que era apenas simples "implante cerebral virtual" que aquela cultura instalava nos filhos.

[*]- João Cabral de Melo Neto, "Morte e vida severina".

Durante os anos que lá estive, em algumas povoações ao longo da costa com pessoas conhecidas, ás vezes perguntava se eles também tinham nome secreto. Ou não respondiam ou diziam que sim e, curiosos, perguntavam se eu tinha. Quando respondia que não, olhavam-me com pena e concluíam "não anda protegido".

Muito mais tarde, ao estudar "mentalizações culturais" relacionei com o implante virtual "mau olhado" da cultura tradicional do Portugal profundo. Nos meus recuerdos da infância lembro-me de "espreitadelas" de rezas para tirar "mau olhado" feitas por "especialistas".

Tudo se resumia a uma lenga-lenga que se dizia enquanto se deitavam gotas de azeite tiradas de uma colher sobre água quieta num prato. Quando funcionava, o azeite dissolvia-se na água e desaparecia, se não funcionava ficavam as gotas de azeite bem demarcadas sobre a água, vendo-se perfeitamente a sombra no fundo.

Já adolescente, no liceu por causa da aulas de Físico-Químicas, andei uma semana a deitar azeite na água (sem lenga-lengas) mas nunca consegui que elas desaparecessem. Acabei por concluir (com ajuda do professor num intervalo) que era um problema de luz, pois as bolhas estavam, mas as sombras desapareciam. Descansei… sempre me irritou baralharem-me os neurónios.

Como conclusão, nós somos o que somos somados ao que temos e realmente estamos cheios de implantes virtuais que, numa linguagem do senso comum, são as "manias" da sociedade em que vivemos. 
O paradoxo é que não podemos viver sem elas e temos que transmiti-las aos nossos filhos. O que podemos, e devemos, é não destruir mas potenciar a capacidade deles tomarem decisões[*], capacidade essa com que a natureza naturalmente nos equipou. Se o conseguirmos isso chama-se DEMOCRACIA.

[*] - A desculpa de educar não justifica destruir essa capacidade.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Pensar o desconhecido no conhecido

Hoje, o meu pequeno almoço arrastou-me para o passado e concentrei a atenção (meditar) em contemplar (pensar profundo) os meus "recuerdos".


Tudo começou com o café quase vazio e apenas duas mesas ocupadas. Numa mesa, uma jovem mulher falava em voz alta no telemóvel numa língua desconhecida com ...muitos "niet"(holandês???). Noutra mesa, dois portugueses conversavam em voz alta.

Como jogo, comecei a estar concentrado nas duas "conversas", procurando também "desconhecer" a linguagem portuguesa e torná-la "sons desconhecidos". O esforço era "copiar" a minha atitude mental de incompreensão perante o "holandês???" para a minha audição do portuguêsDentro de pouco tempo, as duas linguagens tornaram-se apenas sons SEM significados cognitivos, era como ouvir uma canção sem pensar a letra. Era divertido…

Depois os "recuerdos" chegaram…

Dezenas de anos atrás, tive conhecimento de uma escola filosófica oriental que tinha duas actividades complementares. Uma era procurar o conhecido no desconhecido, a outra era procurar o desconhecido no conhecido.
Esta segunda alternativa atraiu-me, aprofundei, e, na época, criei um jogo pessoal a que chamei "ciganada", ou seja, tornar-me nómada no conhecido até ele ser desconhecido, umas vezes com situações concretas,  outras com situações psicológicas do género das conversas atrás descrita de tornar o português uma língua desconhecida.

As situações concretas eram fáceis e divertidas. Começou em Londres, onde ia algumas vezes em trabalho com colegas, e costumava sair do hotel (de dia e depois de noite pelas 23 horas) sem mapa e sem destino. Aleatoriamente, dirigia-me sempre para algo que me chamava a atenção desde uma rua estreita, montra estranha, homeless, etc, até que "não sabia onde estava, nem como regressar". O meu problema começava nesse momento.
Na época, chegava a regressar ao hotel pelas 2 ou 3 da manhã. A minha colega, sabendo do que eu chamava um passeio nocturno, não acreditava ou dizia que era maluco.

Entretanto no café,  os "recuerdos" sucediam-se…

Quando estive em S.Diego (USA) resolvi passar a fronteira e ir a Tijuana (México) e fiz lá uma "ciganada". Em determinada altura, um mexicano idoso acenou-me, apontou-me um letreiro onde dizia "Out of bounds" e encolheu os ombros. Percebi a mensagem, por gestos perguntei para onde, ele apontou, agradeci, dissemos adeus e voltei para fora do "Out of bounds".

Estive vários dias sozinho em Santiago (Chile) e um dos meus prazeres eram as "ciganadas" nocturnas nas zonas populares não turísticas. Tinha o "truque" de falar português próximo a grupos familiares e amigos que apanhavam o fresco da noite e, a partir daí, tinha companhia para o resto da noite.
Fazer "ciganadas" nas zonas ricas de Santiago era caminhar na solidão.

No Chile, nas zonas populares, o jogo era... dentro do conhecido "grupo familiar estranho" adquirir o desconhecido de "ser grupo amigo dentro do grupo estranho".
Nas zonas ricas, o grupo estranho era sempre só grupo estranho.

Como situação psicológica, um jogo que fazia várias vezes quando guiava na marginal era "destruir" o conhecimento do que ia aparecer a seguir à curva. 
Por exemplo, na subida a seguir à Praia de S.João tentava "não saber" que na descida estava o parque do casino. A técnica era provocar visualizações imaginadas (floresta, bairro de prédios altos, etc) até instalar a expectativa "do que será?". 
Por pouco êxito que tivesse, às vezes tinha a alegria da surpresa de ver "o que sabia que estava lá". Era uma espécie de "déjà vue" pré-fabricado.

Na prática, a aprendizagem procurada pela escola oriental é viver a vida por procurar conhecer o que não conhece e também procurar o constante desconhecido no que conhece.

Gostar de alguém é todos os dias ter o prazer
de encontrar o desconhecido que está nele (nesse alguém).
Zen

Para terminar esta manhã de "recuerdos de recuerdos", um exemplo, do que aconteceu na Páscoa deste ano, com a alegria de descobrir o desconhecido no conhecido.

Na família, uma criança (18 meses) sempre se relacionou comigo com um "ar cerimonioso e circunspecto", amoroso e sorridente mas diferente da familiaridade com pais e conhecidos habituais.

Por motivos particulares, nesse Sábado de Páscoa, pela primeira vez, andou 5 metros na minha direcção, esticou os braços para o alto para eu lhe pegar ao colo e depois apontou para onde queria ir. Fiquei espantado, não esperava e... este "desconhecido" que estava ao meu colo, e fazia parte daquele"conhecido que conhecia", foi a melhor prenda de Páscoa que podia ter.

A vida é, sempre e só, encontrar o desconhecido no que conhecemos.
Zen

…não é garantir a eficácia e eficiência das rotinas conhecidas.


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Novos militares são ANTI "RAMBO style"


Premissas
1- Considera-se "guerra" no sentido geral, isto é, desde batalha militar até briga hooligan, de debates agressivos a choques de claques, passando por violência doméstica e conflitos profissionais.
2- As situações podem ser gerais ou localizadas de países a grupos, de povoações até cidades ou regiões, dispersas ou organizadas, institucionalizados ou não.  
3- Basicamente consideram-se dois processos:
A - guerra "aberta" para ser "fechada";
B - guerra "fechada" para não ser "aberta"[*];
que, óbviamente, precisam de um pacote de táticas diferentes, todavia, podem ser sob a mesma perspectiva estratégica.

[*] - vide mais à frente, declarações Wang Yi (China) em 14Abr17.
    - Mindspace, Institute for governmente, UK


A lógica estratégica é simples:

-- casamento violento - o problema não são os cônjuges são as relações de luta;
-- democracia violenta - o problema não são os partidos são as relações de luta;
-- futebol violento - o problema não são as claques são as relações de luta;
-- guerra - o problema não são os protagonistas são as relações de luta.
-- etc;

e, como é óbvio, relações são sempre trocas que mutuamente se induzem.

ASSIM, os militares não serão técnicos de destruir adversários, mas sim técnicos de "anular relações de luta" e neste processo os "Rambos" e os "Brigões" são uma solução fora do problema. 
Pelo contrário, eles são o problema (luta) dentro do problema (relações de luta) e, como diz o ditado, "não é inteligente apagar o fogo com gasolina".

Nesta perspectiva, os novos militares são formados, inicialmente e no dia-a-dia, com competências profissionais em MT- Meditação Transcendental.




A pesquisa

Como militar formado em Escola Militar, o meu Ego "abriu a boca de espanto". Resolvi aprofundar…

Encontrei uma Tese de Doutoramento de Davis R. Leffler (Union Institute, University, Cincinnati, Ohio), 1997, com uma bibliografia de 200 referências quase todas dos anos 80 e 90, com pesquisas cientificas, dissertações e relatórios desde neurociência até sociologia de grupos e conflitos, passando por psicologia e ciências militares.

[Conventional military training involves physical conditioning to improve performance. However, it does not train the soldiers to develop their full mental and physical potential. Instead of striving to increase human performance, militaries devote their attention largely to increasing the destructive power, accuracy, and delivery speed of weaponry. (Heckler, 1990, October; Heckler, 1992).

Frequently, decisions must be made instantly, on an intuitive level. If these decisions and actions are incorrect, the consequences can be tragic, both in combat and in non-combat operations (The United States Marine Corps, 1994). For all these reasons, today’s military personnel are pushing the limits of human performance (Szafranski, 1994, November).]


Encontrei também (lista no fim) 31 referências de artigos sobre o tema (divulgação, científicos e militares) publicados em 18 países (US, Alemanha, França, Itália, Espanha, Rússia, Ukrânia, China, Dinamarca, Grécia, etc) e ainda descrições com estudos-análises de casos concretos no terreno com a UN (Ukcrânia, Congo, Somália, etc) de diversos efeitos positivos.

Esta diversidade de referências é complementada com cursos e formações em várias escolas militares, militarizadas e universidades, por exemplo, a Norwich University (US).


Resumo hiperconcentrado

No estilo "slogan", poderá dizer-se que tudo se centra em torno do conceito de meditação e do efeito maharishi:

Meditação
[religião_____________
rezar: falar com Deus
meditar:  ouvir  Deus]
Com a sua inserção na cultura ocidental, a meditação foi conceptualizada como "pensar profundo". 
Na verdade, as suas dezenas de estilos possíveis podem ser associados a diversas técnicas:

- contemplar (pensar profundo), 
- relaxar (não tensões), 
- rezar (conectar com transcendente), 
- auto-hipnose (assumir mensagens), 
- visualização (integrar imaginação)
- transe (estados alterados da consciência), 
- respiração (pranayama, qi-kong,etc)
- etc., 

todavia, isso não significa que estas técnicas sejam a essência da meditação.

Meditar é utilizar técnicas mentais de controle e concentração da atenção.

Há dezenas de estilos de meditação, budismo (zazen e outros), taoismo, cristianismo, islamismo, hinduísmo, yoga (raja), etc, que diferem apenas no modo como treinam e experienciam esse controlo e concentração da atenção, podendo ou não, consoante as escolas, complementar preferencialmente com as técnicas atrás citadas. Como exemplo, alterando "mantras" (indutores cognitivos) a meditação pode passar do budismo a cristianismo ou islamismo, etc, com facilidade.  

De qualquer modo, a atenção controlada, focalizada e concentrada, independente do estilo usado, tem efeitos neurais (soma) e mentais (psico) com nítidos resultados na integração psicosomática.

Efeito Maharishi

O efeito maharishi é a ligação da meditação individual ao fenómeno grupal.
No plano da eficácia, segundo estatísticas em experiências realizadas, há uma relação entre o tamanho do grupo total e o tamanho do grupo com competência em meditação transcendental. 
A relação eficaz é "o grupo de meditação transcendental ser a raiz quadrada de 1% do grupo total" quer seja país, região, cidade, organização, etc.

Como exemplo e prospectivando no caso português, seria necessário um grupo de 300 pessoas para funcionar em efeito Maharashi. Na verdade, com uma população de 10.813.834 habitantes em que 16% são menores que 14 anos, a raiz quadrada de 1% de 9.083.620 pessoas (84%) é 300.

Porém, e extrapolando para o contexto da sociedade portuguesa, isto levanta uma questão interessante no plano da contaminação cultural.

Se se considerar que os estilos convencionais de "guerra" se podem agrupar em:

1º estilo - "destruição física" dos protagonistas, popularizado no modelo "rambo";

2º estilo - "destruição psy" forçando o abandonar, fugir e submeter-se à derrota.  Este estilo é a essência da ameaça, ultimatum, propagandas e manifetações de poder que são a base do estilo"brigão" (também conhecido por luta de galos) bem expresso na luta de machos da mesma espécie no reino animal: gorilas, leões, veados, etc. que nunca procuram a "destruição física" (morte) do adversário mas a sua submissão.

3º estilo - "destruição do lutar" por recriar a relação de luta para CO-operação e CO-laboração, em que a guerra não é ganha nem perdida, é "metamorfoseada". Para a cultura "rambo" e "brigão" esta alternativa é considerada derrota, pois o importante não é resolver o problema é ganhar a luta.

Um exemplo em 14 Abril 2017, referente à relação USA-Coreia do Norte:

Wang Yi, o chefe da diplomacia chinesa, no decorrer de uma conferência de imprensa conjunta com o homólogo francês Jean-Marc Ayrault, defendeu que:

A) …o diálogo é a única saída possível.  (3º estilo)
B)  no dossier nuclear norte-coreano, o vencedor não será aquele que tiver as propostas mais duras ou que mostrar mais os músculos. (2º estilo), (sem se referir diretamente às ameaças do Presidente norte-americano).
C) Se ocorrer uma guerra, o resultado será uma situação em que ninguém sairá vencedor"  (1º estilo), (...alertou o ministro chinês).

Se se conectar os estilos de guerra com o efeito Maharishi e analisar a situação em Portugal, uma questão fica em aberto.

O grupo Maharishi anteriormente modelizado para Portugal propõe 300 pessoas o que, comparado com o grupo de 230 deputados da Assembleia da Republica, significa que este grupo de deputados está a 77% do potencial máximo de contaminação cultural para a sociedade portuguesa. 
Porém, se se considerar que a sua actuação é difundida, partilhada e comentada intensamente nas redes sociais e no mass media, a questão importante é saber qual é o estilo (rambo, brigão ou colaborativo) que está a ser  "vitaminado" (driven into) na sociedade portuguesa.

Convencionalmente, os debates democráticos estão longe do estilo "rambo" e do estilo "colaborativo", mas vivem do estilo "brigão" argumentativo, oscilando entre entre o "soft" (troca de ideias), o "roughy"  (troca de bicadas) e o "hard" (troca de estalos):

link: Bicadas                                                   link: estalos
Na verdade, neste estilo, os debates são "brigas" argumentativas tentando assustar o outro e forçá-lo à desistência ou demonstrar a sua "fraqueza" afastando-lhe os adeptos, exactamente como o padrão de luta dentro da mesma espécie, no reino animal (gorilas, etc).

Assim, a pergunta a fazer é saber  qual o estilo disseminado culturalmente na sociedade portuguesa?

Se se analisar o massmedia que circula em Portugal o estilo "brigão" torna-se conspícuo.
Desde as diversas manifestações sociais aos comentários online passando por destruições de carros nos conflitos laborais e opiniões expressas em manifestações e conferências, com brigas de claques (politicas, futebolistas, …) e agressões a árbitros, agressões domésticas, "brincadeiras" estudantis, etc, tudo origina as duas perguntas:

1ª - Foram aprendizagens obtidas com o ensinamento oriundo de debates democráticos?
2ª - A tendência será passar para o estilo "brigão hard" e depois "rambo" e depois políticas autoritárias ou, em sentido contrário, evoluir para o "estilo colaborativo"?

Como mnemónica, uma história
Dois irmãos andavam sempre ao estalo. Para acabar com o hábito os pais resolveram dar estalos nos dois quando isso acontecia. Foi um êxito, funcionou, pois com os estalos acabararm com os estalos.

Cresceram e adultos usavam o que aprenderam, isto é, resolviam tudo ao estalo (agressão fisica e /ou psicológica), quer na familia, quer no trabalho, na politica e com amigos. Na verdade, o que os pais lhes tinham ensinado é que ao "estalo" se resolve tudo.

A relações humanas funcionam sempre com uma forma (ex., um estalo) e um conteúdo (ex., não dar estalo). Quando há contradição entre ambos, o córtex "opta" sempre por aprender a forma e esquecer o conteúdo e depois generaliza como regra. 
Neste caso, a educação resultante foi [...obedece sempre a quem bate e bater sempre para te obedecerem…], padrão a que às vezes se chama "bullying".

Meditação e treino, um exemplo

O andar/cross pode ser uma actividade física com esforço muscular e cardio-pulmonar ou uma actividade psíquica com esforço mental. 
Nesta última alternativa encontra-se o andar meditativo, por ex. o "Theravada walking meditation" feito nos mosteiros Tailandeses para treino mental (dos mais elaborados) para a atenção e concentração.

Para evitar pensar sobre o percurso ele só tem 10 metros que se repetem com mudanças diferenciadas de direcções para evitar rotinas. Pela mesma razão o percurso não é circular pois essas mudanças são fundamentais para exigir atenção.


Quão longe se está da exaustão mecânica do cross militar com seus eventuais internamentos hospitalares de alunos. 
Nas horas de "cross" Theravada, a actividade mental é constante e esforçada, existe atenção activa no corpo, desde a sola dos pés aos olhos semicerrados, na procura de um contante "momento presente". Por exemplo, cada passada tem seis etapas diferentes a conscientalizar. 

Por experiência pessoal, a primeira dificuldade é encontrar seis diferenças no movimento de cada perna-pé, a segunda é conseguir ter consciência das seis e a terceira é ligar, pelo menos, consciência de duas passadas seguidas, pé direito (6) e pé esquerdo (6). 
Depois a complexidade aumenta com alargamento de atenção e concentração a mais pormenores.

Por fim, com algum treino, em 30m de andar meditativo, o "momento presente" torna-se diferente, rico e cheio de potencialidades, com uma atenção que não se dispersa e se concentra, podendo ser, mais tarde, aplicada a problemas, textos, pessoas, situações, etc. 
Viver cada momento de "acto a pensamento" torna-se fácil, sem esforço, óbvio e automático. Quão longe se está dos objectivos (eventualmente úteis) do cross militar.

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Artigos



ALGERIA: Dr. David Leffler (24 March 2015). Contribution d’un expert américain : comment prévenir le terrorisme en influant sur le
cerveau. Algérie Patriotique.
ROMANIA: Dr. David Leffler (7 March 2015). Către Obama și Netanyahu: Există o alternativă viabilă. Cadran Politic.
ALGERIA: Dr. Atmane Kouider, David Shapiro, M.A. and Dr. David Leffler (27 June 2014). Interview - Trois experts expliquent le stress post-traumatique dû au terrorisme et à la guerre. Algérie Patriotique.
FRANCE: Maj. Gen. (Ret.) Kulwant Singh, Dr. David Leffler and David Shapiro (12 June 2014). Conseil: une approche éprouvée pour le traitement du stress lié à la guerre et à la violence. Journal de Bangui.
GUINEA: Maj. Gen. (Ret.) Kulwant Singh, Dr. David Leffler and David Shapiro (25 May 2014). Présentation éditorial : « Un Général Recommande une Approche Éprouvée pour le Soulagement du Stress lié à la Guerre et à la Violence ». Le Express Guinee (in French).
SENEGAL: Maj. Gen. (Ret.) Kulwant Singh, Dr. David Leffler and David Shapiro (14 May 2014). Pour une Méditation Transcendantale en Afrique : Un général recommande une approche éprouvée pour le soulagement du stress lié à la guerre et à la violence. Senetoile News.
UKRAINE: Maj. Gen. (Ret.) Kulwant Singh, Dr. David Leffler and David Shapiro (8 May 2014). Перевірена стратегія запобігання заворушенням в Україні. Evening Lugansk. Expired original link: In Ukrainian - http://www.eveninglugansk.com/society/1/5520.htm
UKRAINE: Maj. Gen. (Ret.) Kulwant Singh, Dr. David Leffler and David Shapiro (8 May 2014). General Recommends Proven Approach for Relief from Stress of War and Violence. Evening Lugansk. Expired original link: In Russian - http://www.eveninglugansk.com/society/1/5519.htm
UKRAINE: Dr. David Leffler and Dr. Mykola Didukh (12 March 2014). Перевірена стратегія запобігання заворушенням в Україні. Агентство Стратегічних Досліджень (АСД) [Agency Strategіchnih Doslіdzhen (ASD)]. 

RUSSIA: Dr. Mykola Didukh and Dr. David Leffler (31 January 2014). [ Технологія Непереборного Захисту ] Доведена стратегія запобігання обурення в Україні - думка вчених. Новый Вечерний Луганск.
RUSSIA: Dr. Mykola Didukh and Dr. David Leffler (31 January 2014). [ Технология Непреодолимой Защиты ] Доказанная стратегия предотвращения возмущения в Украине - мнение учёных. Новый Вечерний Луганск.
URUGUAY: Teresa Studzinski and Dr. David Leffler (28 January 2014). Invincible Defense Technology die Lösung für den Frieden. Politaia.org.
LITHUANIA: Teresa Studzinski and Dr. David Leffler (28 Januar 2014). Syrien: Eine bewährte Lösung um anhaltenden Friede zu schaffen – Ein wissenschaftlich bestätigten Ansatz. Baltisch Rundschau.
DENMARK: Maj. Gen. (Ret.) Kulwant Singh and David Leffler (4 January 2014). Hjem Op- Ed En gennemprøvet strategi til End Konflikt i Sydsudan. Sundhed Meditation.
ARMENIA: Teresa Studzinski and Dr. David Leffler (3 October 2013). Սիրիայի ճգնաժամը լուծելու գիտականորեն ապացուցված առաջարկ. 168hrs News and Analysis.
DOMINICAN REPUBLIC: Teresa Studzinski and Dr. David Leffler (7 December 2013). Una solucion comprobada para la crisis de Siria. Diario Digital.
GREECE: Lieutenant Colonel (Ret.) Gunter Chassé (German Air Force, Retired) and Dr. David Leffler (6 July 2012). Για το ΝΑΤΟ μια « Εξυπνη Αμυνα» είναι μια «Ακατανίκητη Αμυνα». Red Star.
RUSSIA: Lieutenant Colonel (Ret.) Gunter Chassé (German Air Force, Retired) and Dr. David Leffler (6 July 2012). Умная оборона" для НАТО это "Несокрушимая оборона. Red Star.
ITALY: Lieutenant Colonel (Ret.) Gunter Chassé (German Air Force, Retired) and Dr. David Leffler (21 maggio 2012). La "difesa intelligente" di cui la NATO ha bisogno è la "Difesa Invincibile." Meditazione Trascendentale. 
ARMENIA: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired) and Dr. David Leffler (30 January 2010). ԿԱՍԵՑՆԵԼ
ԱՌՃԱԿԱՏՈՒՄԸ` ՀԱՆԳՑՆԵԼՈՎ ՔԱՂԱՔԱԿԱՆ ԿՐԱԿԸ Armenian translation of "Halting Confrontation in Armenia by Smothering the Political Fire". Iragir Am
GERMANY: Dr. Kurt Kleinschnitz and Dr. David Leffler (25 January 2010). Die perfekte militärische Intervention in Afghanistan -- German translation of "The Perfect Military Intervention in Afghanistan" which was published in Op-Ed News, ME Peace, The Liberian Dialogue, Nhatky, There Are No Sunglasses, Sengambia News, and Colombo Times.
GERMANY: Dr. Kurt Kleinschnitz and Dr. David Leffler (25 January 2010). Vorschlag an Präsident Obama zur Beendigung des Afghanistan-Konflikts -- Press Release, ("Proposal to President Obama to end the conflict in Afghanistan") published by Deutsche Nachrichten Agentur (in German) based on the article "The Perfect Military Intervention in Afghanistan" by Dr. Kurt Kleinschnitz and Dr. David Leffler which was published in Op-Ed News, ME Peace, The Liberian Dialogue, Nhatky, There Are No Sunglasses, Sengambia News, and Colombo Times.
CHINA: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired), Dr. John Hagelin and Dr. David Leffler (19 January 2010). Utilizing Powerful Peace-Creating Technologies to Combat Cyber Warfare - Article published by EDN China (in Chinese) by Maj. Gen. Kulwant Singh and Dr. Leffler about combating cyber warfare with Invincible Defense Technology. The English version was originally published by Military Writers.
GERMANY: Dr. Kurt Kleinschnitz and Dr. David Leffler (16 December 2009). Vorschlag an Präsident Obama zur Beendigung des Afghanistan-Konflikts. German translation of "The Perfect Military Intervention in Afghanistan" which was published in Op-Ed News, ME Peace, The Liberian Dialogue, Nhatky, There Are No Sunglasses, Sengambia News, and Colombo Times.
GERMANY: Dr. Michael Larrass, Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired) and Dr. David Leffler (18 May 2009). Die "Bombe der Stille"- Unbesiegbare Verteidigungstechnologie für Sri Lanka (German translation of "Bomb of Silence"- Invincible Defence Technology for Sri Lanka"), The Colombo Times. This paper was originally accepted for publication by the Defence Review
Committee
for the Sri Lankan Ministry of Defence. Unfortunately, it was never published there and the publication is now defunct. (English)
FRANCE: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired), Dr. John Hagelin and Dr. David Leffler (19 Janvier 2009). A l'attention de Monsieur Joseph Kabila, Président de la République démocratique du Congo Une solution scientifiquement vérifiée pour apporter la paix en République démocratique du Congo, (French translation of "Attn: President Joseph Kabila--A Scientifically Verified Option to Bring Peace to the Democratic Republic of Congo") Congo Watch. Original Article: http://congowatch.blogspot.com/2009/01/attn- president-joseph-kabila.html
KOREA: Dr. David R. Leffler (2008, September 25), Korean translation of "Global Views: An Overlooked, Proven Solution to Terrorism." The Seoul Times, Original article: http://theseoultimes.com/ST/?url=/ST/db/read.php?idx=733
SPAIN: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired) and Dr. David Leffler (2007, January 3). La Defensa Invencible Delfinlandia. Delfinlandia.
HUNGARY: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired), Dr. Kurt Kleinschnitz & Dr. David R. Leffler (2004, November 11). A terrorizmus csendes ellenszere. (Hungarian translation of "The Silent Antidote to Terrorism") Medátció
portál
. (English, Hungarian)
SPAIN: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired) & Dr. David R. Leffler (2003, October 14). La Defensa Invencible Contra El Terrorismo (Spanish translation of "Invincible Defense Against Terrorism") Share the World's Resources. (Deutsch, English, Español)
GERMANY: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired) & Dr. David R. Leffler (2003, October 14). Unbesiegbare Verteidigung gegen Terrorismus (German translation of "Invincible Defense Against Terrorism") Share the World's Resources. (Deutsch, English, Español)
SPAIN: Lieutenant General José Villamil (Ret.) with Dr. David Leffler (2003, January 29). Proyecto: Coherencia. (Spanish translation of "Project: Coherence") India Defence Consultants. (English, Español, Français