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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

- "Tens a mania que és esperto !!" [com anexo]

- "Tens a mania que és esperto!!!"...

ouvi dizer na mesa ao lado e fiquei sem perceber se isso seria um elogio ou uma ofensa.

Observando a relação do pai com o filho de 5/6 anos, imaginei que ele dizia:

- "Tens a mania que és parvo!!!"...

pensei se isso seria um elogio ou uma ofensa... e continuei com dúvidas.

Resolvi ficar atento à conversa e percebi que falavam de uma cena na TV em que um mágico põe uma mulher dentro de uma caixa e depois espeta várias espadas por buracos existentes, tira as espadas e a mulher sai de lá a dançar toda "vivinha"... e o pai admirado perguntava como é que isso era possível.

E a criança tinha respondido:

- Oh pai ... é fácil,... todos sabem, ...o mágico engana-nos!!

Então o pai zangado respondeu que ele tinha a mania de ser esperto. 

Pensando na opinião emitida pelo pai, ela tem uma parte "Tens a mania que és..." significando que o filho fez auto-análise (introspecção) pensando sobre si próprio e concluindo algo, o que me parece muito válido para uma criança de 5/6 anos.
Portanto até aqui a resposta do pai parece-me um elogio.

Na verdade, desde o socrático "Conhece-te a ti mesmo" propondo introspecções que isso é considerado uma vantagem e um sinal de mérito pessoal, aliás muito aconselhado em diversas terapias de ajuda onde a etapa fundamental é obter esse auto-conhecimento.
Por exemplo, nos alcoólicos anónimos é fundamental afirmar-se com convicção "Sou alcoólico" para conseguir sair e ficar fora do aditismo.

Portanto à partida a frase começa com um elogio, logo a dúvida de ser elogio ou ofensa deverá procurar-se na continuação de..."ser esperto" ou na alternativa de "ser parvo".


deus Narciso

Por outro lado, "Ter a mania" e não "ter a certeza" de ser esperto ou ser parvo também não me parece negativo, pois significa apenas que não é hiper-assertivo acerca de si próprio e mantém uma espécie de dúvida saudável numa introspecção permanente, ou seja, não é um "Narcisopata", isto é, um constante auto-admirado cheio de certezas, um apaixonado por si próprio [ver o mito do deus Narciso].

E assim, a dúvida de ser ofensa ou elogio continuava, pois não percebia o que aquele pai pretendia comunicar, mas...


... em qualquer dos dois casos, de ser esperto ou de ser parvo, só há duas hipóteses ou a auto-análise é verdadeira ou é falsa e também em qualquer destes casos a situação é muito positiva, pois a etapa seguinte é pesquisar a verdade de ser parvo ou de ser esperto.
Salienta-se que em qualquer terapia de auto-conhecimento este é um momento ideal para a sua continuação e aprofundamento, portanto continuava a parecer elogio.

Porém não me sentia convencido e a minha "cegueira a compreender" (blindness understanding) mantinha-me num beco sem saída, afinal o pai elogiava ou ofendia???

Nesse momento,  faiscou-me (plop up) na memória a parábola de matar o mensageiro.

A parábola é simples, é só imaginar um indivíduo que vai ao Hospital e, ao receber o resultado do diagnóstico dizendo que tem uma doença terminal, dá um par de estalos a quem lho entregou.

Pode parecer uma anedota mas é uma reacção vulgar e comum a que se assiste normalmente nos debates políticos, conversas familiares, comentários e contra-comentários nas redes sociais, etc, todavia  numa variante mais "camuflada" pode ser, por exemplo,

...imaginar um pai e uma mãe que vão com a filha ao médico e este diz-lhes que a filha está doente ou drogada ou grávida.

A reacção vulgar é os pais contestarem a mensagem dizendo que não é verdade porque ela está normal, anda bem, come bem; ou não anda na droga porque é uma boa filha, temente a Deus, cumpridora, com valores familiares; ou que não está grávida porque não tem namorado pois ela conta-lhes tudo, é boa aluna e anda na catequese, etc.

PS- Este tipo de diálogo é habitual nas telenovelas, séries, filmes, etc, é sentido como realista e objectivo e não como uma "fuga-recusa à realidade", sendo portanto aceite como resposta válida e correcta.

Se se reparar, a essência destas duas histórias é a mesma, pois seguem o modelo de "Matar o Mensageiro", ou seja, é apenas uma "fuga-recusa à realidade".

A estrutura deste modelo é simples. Existem três elementos, Mensagem, sua Consequência e sua Causa, e a essência de "Matar o Mensageiro" é recusar a mensagem porque não aceita admitir as suas consequências.

Esta opção pode ser executada de uma forma primária matando quem a apresenta [é esta a origem do nome do modelo] ou, de uma forma menos primária, recusar o seu conteúdo e atacar com contra-argumentos ou destruir, desvalorar, amesquinhar, denegrir a fonte emissora.

Se se analisar comentários nas redes sociais e/ou debates TV politico-partidários esta dupla estratégia é óbvia e vulgar.

Na prática, perante uma mensagem recebida há 5 estratégias vulgares:

1 - contra-argumentar nas consequências;
2 - pró-argumentar nas consequências;
3 - aproveitar a boleia para colaterizar e "vender" a sua ideia [...a propósito... bla,bla,bla...];
4 - matar o mensageiro, denegrir e atacar a fonte;
5 - centrar-se no problema e suas causas,  aprofundar a sua validade ( ser verdade ou mentira) e esquissar o "que fazer".

Como experiência, escolham SÓ uma das cinco hipóteses anteriores, a que pensam ser mais "adulta" e que gostariam de usar para comentar e depois leiam a noticia de 09:26 de 16 de Setembro de 2014, em Por Notícias Ao Minuto,

 [http://www.noticiasaominuto.com/politica/276198/a-democracia-portuguesa-esta-podre]

se link não funcionar clickar em 16-Set-2014


Notas do autor para aprofundar a mensagem

Se se analisar os 24 comentários surgidos até às 17:00 de 17 de Setembro de 2014 (cerca de 24 horas) e perguntar quantos foram os que escolheram também a vossa estratégia de resposta, podem identificar a que grupo pertencem.

Se mais de 90% das respostas não comentam o aprofundamento da degeneração democrática é porque esse não foi o problema que os afectou a ponto de procurarem criar uma rede social sobre ele.

Assim, sociologicamente falando, será utópico (representativo ou não??) dizer que, mantendo a percentagem, em cada 9 milhões de cidadãos portugueses, 8 milhões debatem "ao lado" desse problema, quer concordem ou não com o Henrique Neto???
E este padrão de "debater ao lado" dos problemas será hábito político nas assembleias e debates???

Podem também verificar qual foi a estratégia mais e menos escolhida, isto é, qual é a cultura dominante actualmente existente, ou seja, centrada no problema (degeneração e sugestões de colmatar) e/ou nos efeitos colaterais ou no desvalorar o mensageiro, ou aproveitar para fazer marketing (venda) das suas ideias.

Aplicando o modelo ao exemplo anterior do pai, mãe, filha onde é usada a estratégia dos contra-argumentos sobre a mensagem do médico se, fosse utilizada a estratégia de destruir a fonte da mensagem, poderiam "atacar" com o seu passado, suas dívidas, suas amantes, seus falhanços, coscuvilhices, etc...

Mesmo que essas informações sejam verdadeiras, não têm conexão com o problema da doença, droga ou gravidez da filha, pois servem apenas como instrumentos de "fugas-recusas ao problema" trazido pela mensagem. Não são sinais de força, são sinais de padrões psicológicos incorporados como técnica de vida,

[...são hábitos culturais diz a sociologia, 
que se instalam como hábitos relacionais diz a psicologia, 
que sobrevivem como vírus educativos diz a pedagogia...]

Regressando ao inicial "Tens a mania que és esperto!!!" e pensando na zanga e nos laivos agressivos da voz do pai [...por mim esquecidos e não considerados até agora...], parece-me que afinal a frase não é de elogio nem de ofensa é apenas de ataque de um adulto a uma criança por ela ter sido a fonte emissora da mensagem recusada:

- "... é fácil,... todos sabem, ...o mágico engana-nos!!"

Realmente esta destruição da fonte é uma das estratégias possíveis no modelo de "matar o mensageiro" quando se fica "zangado" com a mensagem.

Resolvi confirmar e, olhando para a criança, ela parecia que tinha perdido toda a energia, mirrada na cadeira de olhos vidrados no leite e no bolo. A agitação, a alegria e a conversa tinham desaparecido em segundos... e o meu café da manhã tinha perdido a graça.

Continuei preocupado com a minha "cegueira a compreender" (blindness understanding) pois ainda me  perguntava porque é que o pai tinha atacado. Porque largou o problema e amesquinhou a fonte de uma informação?? Que caixa de Pandora tinha sido aberta ???

E apareceu-me outro "plop up" na memória, o modelo de pesquisa da polícia com o seu "MMO - Motivo, Meios, Oportunidade" que é apenas um versão simplificada do modelo de construir e/ou diagnosticar estratégias com a trilogia "Objectivo, Recursos, Situação".

O cerne da questão está na integração destes três elementos, o que deve ser feito perseguindo o "caroço" do problema [...the home, the heart or the core of the problem...], em que errar ou acertar esta identificação significa a diferença entre parvoíce ou esperteza no pensar a solução. 

Podemos não saber pesquisar-encontrar, mas quando um "caroço" do problema nos é mostrado podemos sentir positividade, agradecer e aproveitar a hipótese para pensar sobre ela e aceitá-la ou não. 

Em alternativa, podemos ser invadidos por negatividade, adquirir consciência de como somos parvos e recusar a mensagem com as técnicas de "matar o mensageiro".  Os modelos de liderança negativa têm vários truques para o fazer desde o autoritarismo a acusações de falta de respeito, passando por protocolos burocráticos e verbalismos balofos.

No caso deste pai e da mulher furada pelas espadas, olhar para o problema pelas espadas espetadas é estar a "pensar fora do problema", porque é óbvio que o problema não está aí pois a mulher estava viva depois da espetadela de espadas. Assim só pode estar naquilo que o mágico diz e faz, isto é,

- "... é fácil,... todos sabem, ...o mágico engana-nos!!"

ou seja, uma criança de 5 anos pensou bem "dentro do problema" enquanto que o pai com os seus 40 anos andou a pensar "fora do problema" nos [... entretantos colaterais...]. 

Como há a mania que qualquer adulto é sempre mais esperto que qualquer criança, ter uma prova concreta que foi parvo e a criança foi esperta não é fácil de aceitar... pois a verdade dói, sendo mais fácil e agradável matar o mensageiro.

PS - Quantos pais, professores e adultos já viram com este hábito???... apesar de embrulhado em desculpas educativas justificantes.

Por outro lado, é bom não esquecer que [...os chefes têm sempre razão...] e que [...a autoridade existe para garantir isso...] e que [...eu sou o educador cá do sítio...].


Uma proposta de uma pequena experiência para fazer,

Após verem o video...

- "Têm 5 segundos para dizer se o que acontece é verdade ou mentira e porquê!!!


Craig Knudsen

Acreditam ??? É verdade ou é mentira???

Qualquer que seja a resposta...porquê??

Apresentei este video a uma jovem de 11 anos e, sem limitar o tempo, fiz-lhe as mesmas perguntas.

Quando o video acabou, ficou quieta e calada e fiquei à espera contando os segundos em silêncio, quando cheguei a catorze ela disse num misto de afirmação e pergunta:

- É mentira...

-... porque não pode ter o mesmo tamanho com menos um bocado!!!

Uhau... aqueles neurónios estiveram activos.

Depois apresentei o esquema seguinte e pedi-lhe que "descascasse" o problema.
Perguntou como se fazia e eu disse-lhe que era tirando as "cascas" onde não podia estar a mentira até a poder agarrar. Riu-se e sentou-se melhor e mais atenta.

Não lhe disse a solução mas íamos conversando e eu apenas fornecia dados conectados com a pesquisa que fazia e com o "caroço" do problema. Ela tinha que transformar esses dados em informação e tirar conclusões.
Foi divertido e descobriu o "caroço".

Querem experimentar a "descascar o problema e encontrar o caroço"???

[...the core of the problem
is always the secret of the strategy...]


(Solução no fim)

Para terminar,

caíu-me nas mãos uma ed. Brasil (bilíngue), 2012, do "Encheirídion" de Epitecto (sec. I) que foi uma viagem interessante:


Epitecto, séc. I,

(apesar de posteriormente ter encontrado várias paráfrases das ideias):

[... se desejas melhorar, fica contente em passar por tolo ou insensato...]

[...não te esqueças que é impossível aprender o que achas que já sabes...]

e também encontrei uma "meditação" boa para adormecer:

...ou seja, não quero ser igual a mais um político de TV com a mania que é esperto,
...só peço que os deuses nunca me tirem a mania de que sou parvo e de continuar com a mania de ouvir os outros e  com a mania de pensar se terão ou não razão...  

não quero ser um Narcisopata de serviço prá família, prá amizade e prá sociedade.





Solução da pesquisa do caroço

1 - A jovem chegou à conclusão que o objecto maior e o menor tinham as mesmas medidas, o que achava estranho;

2 - Resolvi introduzir dados:
a- dei-lhe uma corda e um pau para servir de régua para medir a corda;
b- mediu e deu o resultado 10;
c- dei-lhe outra corda ligeiramente mais pequena e outro pau para servir de régua;
d- mediu e deu o resultado 12;
e- perguntei qual era a maior e respondeu que era a primeira;
f- resolvi chatear e disse-lhe que essa só media 10;
g- zangada respondeu que o pau com que media era maior;

3 - sorri e pedi-lhe para voltar ao problema do chocolate;
4 - ficou calada algum tempo a ver a apresentação e no fim disse que mediam 24 pedaços mas que os pedaços não eram iguais;
5 - resolvi chatear e disse que não tinham sido trocados;
6 - outra vez zangada disse que alguns foram cortados e ficaram mais pequenos;

Bati palmas, dei-lhe os parabéns porque tinha encontrado o "caroço" do problema.
Dei-lhe como prémio um "prende dedos" chinês, feito em papel, para "chatear" as amigas:


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

NÓS...e o nosso Cockpit privado


O cockpit do avião diz o que é o mundo e o que nele se pode "fazer", mostra a verdade e ...se não mostra é porque é mentira...
ASSIM só existe ...o que lá está, o que não está ...não existe.

Acreditar no cockpit é a principal religião do aviador... e as janelas do cockpit são cada vez mais pequenas:



Do mesmo modo na pilotagem da vida a nossa cabeça é o nosso cockpit.

O nosso mundo é só o que a cabeça nos mostra, acreditar na sua cabeça é o principal suporte da VERDADE dos crentes e chama-se fé, quer seja fé nos outros, nas ideias, nas políticas, nos partidos ou nos deuses.




Uma experiência
(Com base em Richard Wiseman, psiquiatra)






R. Wiseman convidou participantes para uma entrevista.
No caminho entre a sala de espera e o gabinete da entrevista colocou, caída no chão, uma nota de dinheiro.

A entrevista decorria sobre os temas "feliz e infeliz, optimista e pessimista, azar ou sorte, possibilidades e oportunidades". No final perguntava se tinham apanhado o dinheiro caído no chão.

Se bem que o dinheiro estivesse sempre no mesmo local e igualmente disponível para ser percepcionado, só pessoas "optimistas o tinham visto" porque as "pessimistas não tinham reparado".

A atitude pessoal encastrada na mente tinha controlado, agudizado ou reduzido, a "cegueira perceptiva" (blind perception), isto é, [...a mente instalada controlava o modo como viam o mundo e pilotavam o seu caminho nele...].

Poder-se-á dizer que o educar é construir nos outros um cockpit igual ao seu, a psicanálise é mudar instrumentos (crenças, atitudes, interpretações,...) dos cockpit's privados dos outros, a psicologia é estudar características (perfis) dos cockpit's individuais, a sociologia é estudar modelos de cockpit's existentes e/ou possíveis nas sociedades, a política é aferir, regular e controlar os cockpit's dos outros (suas decisões, preferências,...), etc.

Há dois filmes interessantes de Roberto Benigni que mostram bem o que é um optimista com essa crença instalada no cockpit que pilota a sua vida.
Talvez ver estes filmes possa ser um remédio saudável para quem anda num estilo de "Kalimero" viciado em desgraça do tipo "...não me digam pra reagir...":

A VIDA É BELA                      O TIGRE E A NEVE



Um exemplo
(Com base em Joshua Greene)





A tribo foi à caça e caçou um mamute, as famílias estão felizes pois não haverá fome, todos têm comida para comer,... mas para isso há várias hipóteses:

1 -  cockpit A
As refeições são privadas. Cada família tira um bocado para levar para casa, quem tem mais filhos leva mais quantidade, quem tem menos filhos leva menos. 

2 -  cockpit B
As refeições são privadas. Cada família tira um bocado para levar para casa, MAS todos levam a mesma quantidade. Quem tem mais filhos faz os bifes mais pequenos, quem tem menos filhos faz os bifes maiores. Não há "abonos pra filhos".

3 -  cockpit C
Ninguém leva nada para casa, as refeições são colectivas. Todos comem juntos e tiram o que precisam para se alimentar.

4 -  cockpit D
Quem matou o mamute fica com metade, os que levaram o mamute para a tribo, arrastando-o durante quilómetros, ficam com o resto a dividir entre si em formato A, B ou C.
O importante é quem caça, não quem arrasta.  

5 -  cockpit E
Quem arrastou o mamute durante quilómetros fica com tudo e dividem entre si. Quem caçou se quer comer tem que arrastar.
O caçar não é importante, o arrastar é que é. A divisão é feita em formato A, B ou C.

Estas 5 tribos viviam isoladas e felizes obedecendo aos seus cockpit's iguais.
Um dia encontraram-se e misturaram-se, a felicidade desapareceu, os conflitos e discussões tornaram-se quotidianas, a fome surgiu...os cockpit's já não são iguais.

A solução foi simples e fácil,

6 -  cockpit F
O mamute passa a ter só um dono, alguém que não caça, nem arrasta, mas fica com tudo.
Depois distribui bocados como lhe apetece e a quem lhe apetece, faz regras e cumpre regras. Nasceu a política.
O problema deixou de ser caçar e arrastar, passou a ser "instalar" esse "DONO" do mamute e obrigar a obediência.
Gerir a obediência do grupo torna-se mais importante do que caçar e arrastar, pois faz a diferença entre obedecer e sobreviver ou não-obedecer e não-sobreviver.
[...para ficar dono do mamute, é preciso que haja crise...] sem ela ou caça ou arrasta...!!!!

Séculos depois, todos estes cockpit's [A, B, C, D, E, F,...] adquirem nomes: república, monarquia, liberalismo, socialismo, colectivismo, comunismo, estado social, social democracia, democracia social...

A História diz-nos que quando os selvagens entram na civilização largam as peles, mas levam consigo os seus cockpit's e acrescentam outros, como por exemplo, instalando instrumentos para proteger a moralidade através de "medir o tamanho da pele à mostra nas pernas das mulheres":

Canal História
Analisar estes cockpit's não só é interessante como também é divertido.
Por exemplo neste caso, perguntar porque é que não se preocupavam com o tamanho da pele à mostra no braço, no pescoço ou até na ponta do nariz é uma pergunta interessante.
Ou seja, porque é que aqueles cm2 de pele à mostra faziam faíscas nos neurónios sociais a ponto de criar uma profissão digna PPM - Polícias da Pele à Mostra...!!!¿¿¿ para manutenção da moral?

Aliás o ar diligente, preocupado e cuidadoso do fiscalizador PPM¿¿¿ e da assistência [...reparar que...ninguém se ri..., mas as crianças têm um ar espantado...] mostra bem a importância daqueles cm2 de pele à mostra para o funcionamento da sociedade e da sua moral.

PS- Aquele pai quando chega a casa explica ao filho que a sua profissão é importante porque é andar a medir os cm2 de pele à mostra nas pernas das mulheres... ou seja, ele é um importante fiscalizador de moralidades.

Como conclusão, cada um vê o mundo em função das características do cockpit que lhe encastraram ao "educá-lo" e em função dele define e escolhe o papel social que irá desempenhar.

Na Idade Média ninguém quereria ser corredor de automóveis porque esse modelo não estava disponível na sociedade. A vida de cada um de nós terá mais ou menos cores e pormenores ou será mais ou menos evoluída e boçal consoante os modelos disponíveis na sociedade em que se vive.

...ainda não sabe...
o que lhe vão encastrar....
Se colocaram na criança um cockpit que tem um factor (uma crença) de que há um Deus do Sol então rezará ao Sol e a chuva será apenas água, mas se lhe colocaram que há um Deus da Chuva então rezará à chuva e quererá molhar-se porque será receber uma benção de deus.

Mais tarde, obedecendo ao seu cockpit matará os "outros" porque são heréticos e hereges pois adoram deuses falsos quando só o seu é "O" verdadeiro.

Porém há outras conclusões possíveis.

Cockpit todos temos que ter... a questão é saber se "viver é ficar com o que nos calhou ou se viver é alterar-lhe os formatos" procurando outros mundos, outros olhares, outras pilotagens.

Talvez viver seja apenas a aventura de mudar o próprio cockpit vendo o mundo com outros olhos, pois [...viajar não é ver outros mundos é ver com outros olhos...] e assim "a maçã da Eva será apenas um símbolo do bilhete para a aventura de alterar cockpit's":


Uma última observação, 

para aqueles a quem não somos indiferentes e se preocupam connosco, eles costumam dar-nos um precioso conselho tradicional, nascido da "psicologia natural" da amizade, que é:

"...tens que reagir..."


mas que na prática significa apenas [...altera, por pouco que seja, o cockpit com que andas a pilotar a tua vida...].

Aparentemente, é um conselho difícil de explicar e que enfurece quem o recebe.
Na verdade os cockpits bloqueados são masoquistas, sofrem, adoram ser vítimas e têm raiva a quem os agita no narcótico... e aplaudem e agradecem a quem os embala nele.

Porém a vida "escreve direito por linhas tortas" e segue a teoria do caos em que "no Japão, um bater de asas de borboleta pode originar um tornado no Texas", ou seja, o truque é fazer alterações desprezáveis e esperar que a vida se enfureça, zangue e arranque em força. 

O truque é atacar rotinas, desde mudar o penteado até passar por outras ruas ou alterar as cores com que se veste... e se de repente reparar em algo novo, então nesse momento o cockpit já foi alterado,... JÁ REAGIU.

Talvez a conclusão seja que o segredo é fomentar "pequeninas diferenças" na solidez do cockpit pessoal, pois é na existência delas que tudo se baseia... é bom não esquecer que desde há milhões de anos que a sobrevivência da espécie humana se baseia "na pequeníssima diferença" (...Vive la petite difference!!) por causa da qual todos nascemos.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Pedido de demissão, OK ou não-OK?

Vi hoje uma notícia que me incomodou bastante por 2 razões, uma pelo que aconteceu, outra pela "bagunça" moral e ética de sociedades com suas reacções no respeitante à dignidade do Pedido de Demissão em casos de irresponsabilidade e/ou arresponsabilidade,

(Realçado nosso)
também habituais em Portugal, 
(exemplo, caso Desastre Entre-Rios)


O problema é simples,
ou
A - não tem culpas de irresponsabilidade no processo e o pedido de demissão não é aceite e continua em funções para resolver as consequências do acontecido;

ou 
B - têm culpas de irresponsabilidade no processo e o pedido de demissão não é aceite, para em seguida ser demitido.

O Pedido de Demissão é uma acção de dignidade pessoal por assumir uma posição pessoal e/ou profissional ANTES DA BRONCA e não para ser uma fuga a essa "bronca", um escamoteamento ou uma "graciosidade" (saída pela tangente) a problemas de responsabilidade... e quem aceita está a fazer o mesmo "jogo".

A cultura militar na História é muito clara, pois um Comandante ou um General irresponsável não pede a demissão é demitido; pedir a demissão é uma honra que não lhe é permitida.

Aliás o ministro Jorge Coelho é claro quando diz que "a culpa não pode morrer solteira". Se é culpado não tem direito a Pedir-a-Demissão e se pede não deve ser consentida para poder ser demitido. Se não é culpado "ficar bem com sua consciência" significa ficar a resolver as consequências do que aconteceu, não significa abandonar a situação de desgraça... e deixar que outros fiquem a tratar das "emendas".

Ou seja, trata-se de:

Pedido de Demissão ser uma posição pessoal ou uma fuga pessoal ?
Ser um estilo de "Estou aqui !" ou de "Adeus até ao meu regresso!" ?

As sociedades que baralham Princípios, confundem ilegitimidades com estratégias e espertezas, subornos com negócios, políticas com legalidades, devassidão com democracia, justiça com burocracia, exploração com rentabilidade, miséria com austeridade, sacrifício com degradação, evolução com destruição, ... mudaram de nome, já não são uma sociedade... são apenas uma SUCIADADE.





sábado, 16 de agosto de 2014

Pensar com "areias movediças"

é a palavra que arrasta
as "areias movediças"






No Café duas mães conversam, uma lamenta-se do casamento da filha:

- "A Luísa e o marido andam zangados e descobri que a causa é porque ...@?@##@?@... portanto decidi que ...@?@##@?@..."


É assim que tudo começa... pois aquilo que vulgarmente se considera uma análise causa-consequência é na realidade uma análise consequência-causa e elas são diferentes.

Quando uma análise consequência-causa é considerada como causa-consequência fomenta um portanto que origina "naturalmente" uma "bagunça lógica" e faz mergulhar os raciocínios nas "areias movediças" do pensar confuso.
Para o evitar é preciso impedir duas armadilhas:

1ª - confundir análise "causa-consequência" e "consequência-causa";
2ª - confundir lógica linear e lógica em rede;


Qualquer desses métodos podem ser utilizados em análises prospectivas do que irá acontecer, isto é, o futuro, ou retrospectivas do que já aconteceu, isto é, o passado.
Consoante o que se pretende, alteram-se métodos e variáveis, pelo que uma síntese muito concentrada se pode resumir como:

A) Causa --> Consequência

Neste método o ponto de partida é sempre a causa e tem a consequência como ponto de chegada. Faz parte do método a análise do processo de transformações que une os dois.
Podem suceder 4 hipóteses que são:


Como se repara as 3 alternativas A, B, C têm todas a consequência como a incógnita a clarificar (saber o que não se conhece) sendo este o objectivo do método.
A alternativa D é uma situação híbrida comum a este tipo de análise e ao seguinte, pois é uma pesquisa do "como acontece" e não de "o que acontece".

Exemplo:

- O João amealhou dinheiro, portanto comprou o carro..!!!

A causa "amealhou dinheiro" levou à consequência "comprou o carro".


B) Consequência --> Causa

Ao contrário do anterior, neste caso o ponto de partida é consequência e tem a causa como a incógnita a clarificar (saber o que não se conhece), sendo este o ponto de chegada, o objectivo do método. Do mesmo modo, a análise do processo de transformações que une os dois faz parte do método.
Também podem suceder 4 hipóteses (inversas das anteriores) que são:


As conclusões são semelhantes, pois as 3 alternativas E, F, G têm todas a causa como incógnita. A alternativa H corresponde à alternativa D anterior, mas desenvolve-se em sentido contrário. Os dois métodos podem funcionar como avaliação crítica  e confirmante um do outro.

No exemplo anterior do "casamento da Luísa", a mãe conhecia bem a consequência e procurava a causa, estando portanto a viver a alternativa E, F, ou G, ou seja,  fazendo uma análise consequência-causa.
Na vida quotidiana (social, familiar e até profissional) esta é a situação mais comum, muitas vezes sem se usar metodologias apropriadas.

Em complemento desta falta metodológica,

existe um vírus mental que sobrevive clandestino nos processos mentais e se entretém a corroer o raciocínio.

Este vírus cola a verdade de conhecer que a "causa A origina a consequência B" à certeza de considerar como verdade que a "consequência B é originada na causa A", o que não é necessariamente verdade, por ex.:

se o fogo causou fumo...então...
se há fumo a causa é fogo!

(ex, fumo de água oxigenada com permanganato de potássio não tem fogo)

As conclusões verdadeiras das análises "causa-consequência" não são inerentemente verdadeiras nas análises "consequência-causa".

Retornando ao exemplo anterior da verdade "causa --> consequência":

- O João amealhou dinheiro, portanto comprou o carro..!!! 

não permite concluir como verdadeira a "consequência --> causa":

- O João comprou o carro, portanto amealhou dinheiro...!!!

Como é evidente, existem outras alternativas que podem ser a causa de comprar o carro, desde ter uma herança até ter casado com mulher rica ou ganhar o euromilhões.

A conclusão resumo é que uma verdade "causa-consequência" não origina, por inerência, que a sua inversão "consequência-causa" seja verdadeira todavia, normalmente, esta inerência é feita ao pensar "racionalmente" com este vírus "a ajudar", por ex.:

[... sendo verdade de que quando chove o chão está molhado, 
não é verdade que, com chão molhado, tenha chovido...
...apenas existe um TALVEZ tenha!]

é a palavra que fixa
as "areias movediças"






Na lógica linear primária os talvez's são praticamente inexistentes. Se "A" conduz a "B" então "B" conduz a "A", ou seja, a inversão da "causa-consequência" coincide com a "consequência-causa", ou em esquema:
... prego espetado segura-se à madeira, 
madeira segura-se ao prego espetado...

Porém mesmo em lógicas lineares, elas podem ter alternativas (os talvez's) pois a conexão "A" para "B" pode não ser equivalente à conexão "B" para "A", em esquema:

...se mulher bonita causa vestido bonito, 
vestido bonito causa, ou não (talvez), mulher bonita...

Como exemplo, a colagem desta causa-consequência à sua consequência-causa funciona como "truque" para motivações em passagem de modelos:
- "Ela estava tão bonita....!!!!"
 ...portanto... 
- "Eu também vou ficar...!!!".

Porém a vida real não vive com esta simplicidade, as lógicas não são lineares pois os talvez's invadem as situações:



[... um bater de asas em Tóquio
pode ser causa de 
um tornado no Texas...]

Efeito borboleta, Teoria do caos.




Na verdade na vida tudo é mais complexo que um mero processo linear, a mesma consequência pode ser originada por causas diferentes e várias causas integradas podem originar uma consequência, além de que vários factores externos podem, de modo variável, influenciar estas causas:


Do mesmo modo, também a mesma causa pode originar consequências diferentes, dependendo das "causas da causa" e de factores que a influenciam: 



A habitual análise causa-consequência pode ter complexidades "escondidas" pelo que o uso da decisão automática ...portanto... sem considerar os "talvez's" pode ter  resultados inconsequentes.

Isto não significa fugir a análises e muito menos fugir a decisões, significa apenas fugir a não considerar os muitos "talvez's" envolvidos:


Na vida real as situações são um fluir de causas e consequências numa rede de interacções que se podem pesquisar para saber para onde vão e por onde [...análise "causa-consequência"...] ou donde vêm e por onde [...análise "consequência-causa"...] através de um emaranhado de evidências e inferências.

Esta dupla, evidências entrelaçadas com inferências, está sujeita a opções lógicas, umas conscientes outras subconscientes como por ex. o uso de certos paradigmas.

O resultado destes três factores aparece nos "talvez's", obrigando a uma sua cuidadosa avaliação para evitar as "areias movediças" do pensar onde acontecem tantos afogamentos... é preciso treinar a caça aos "talvez's".


O prazer de jogar o "Kakuro" (um jogo de "talvez's" com números) é o prazer desta caçada, pois nele, quanto mais difícil é, maior é a "bagunça dos talvez's".
Considerando que só há um resultado, o progresso aumenta a eficácia do "desbagunçar" o emaranhado com a alegria de, por fim, conseguir no nível difícil passar de 2 horas para 10 minutos.

Muitas vezes, sem o parecer, a bagunça tem lógica, é só preciso pesquisá-la caminhando pelos TALVEZ's e separando o "trigo do joio":




segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Teste Experiencial Q.I.(inteligência) para autoteste e comparação_VERS2


Na vida só se chega depois de partir,
no pensar só se parte depois de chegar.

... se não sei para onde vou, 
nunca tenho destino, 
nunca posso dizer que cheguei...

Uma pedra não chega, apenas cai.
Budismo Zen

Ser racional [...diferente de ser intuitivo...] é um processo simples, é só usar o que já está em arquivo. Ninguém aplica lógicas a dados que não tem, o jogo é manipular o que está no arquivo pessoal e, com esse material, construir e/ou encontrar outros dados e assim construir informação.

O valor do que se encontra depende donde se partiu e como isso foi utilizado, quem usa dados quer bons quer maus mas usa-os MAL só  pensa "asneiras".  Mas quem usa BEM com qualquer deles obtém algo de valor quer afirmando, negando ou transformando. O segredo está em como se usa, não no que se possui.

Este uso pode ser feito de dois modos diferentes, por "intenções internas"ou por "intenções externas".

Uma história:

Comprou um DVD e à noite, em casa e sozinho, vê o filme.
A história emotivamente angustiante fá-lo sofrer mas, ao mesmo tempo, prende-o e vicia-o no seu desenrolar com um misto de vítima e cúmplice dessa tortura e a que não consegue fugir... e assim vive cerca de 2 horas.
Tentou relaxar, pensar que é um filme, criar outras perspectivas, fazer outras interpretações, comentar em voz alta, desfazer empatias, criar sintonias, ... tudo em vão, está apanhado, viciado na história.
Não há "auto-psicanálise" que resolva!!... o filme acaba e está feito num "trapo velho encharcado" derramado no sofá.

É assim que se sofrem problemas na vida, política, emprego, amigos, família, etc, num processo de pensar "dentro do dentro" (inside in) ou tecnicamente com "intenções internas", procurando influenciar as situações mas fechados dentro delas, de dentro para dentro.

Para sair deste circulo vicioso é preciso pensar "de fora dele para dentro dele", ou seja, [...tornar-se observador de toda a situação, incluindo-se a si próprio nela...], numa técnica de "intenções externas", pensando "fora do dentro" (outside in).

A primeira acção a fazer é pensar "onde se quer chegar", ou seja, [...qual é o meu objectivo...] e depois partindo deste ponto de chegada [...definir um caminho que vá até ao ponto de partida...] e com base nesse caminho seleccionar os [...recursos úteis possíveis e utilizá-los logicamente...].
Pensar é um processo inverso da execução, o ponto de partida e o ponto de chegada estão trocados.

Na "intenção externa" procura-se influenciar a situação de fora das suas fronteiras para dentro da sua dinâmica, posicionando-se como um observador exterior de si próprio e fazendo parte da situação ou, na gíria, "puxando a cadeira atrás mas deixando-se lá ficar", uma espécie de OBE (Out-of-Body-Experience) mental sem nada de parapsíquico, apenas uma técnica de visualização que é, apenas, "ficar atrás dos olhos".

Regressando à história mas agora com "intenções externas".

O 1º passo é definir o que se quer. No caso, por exemplo, duas alternativas poderão acontecer:

Alternativa A

Objectivo: sair da tortura do filme.

Solução: Sair da situação filme, ver-se como um espectador fora dele e actuar tirando o DVD e colocando outro!

Alternativa B

Objectivo: sair da tortura do filme mas ver o filme

Solução: Continuar na situação filme (vivendo-o), mas também sendo espectador fora dele e controlar a velocidade da projecção, de mais rápida a média ou normal!

Na primeira alternativa muda de conexão, na segunda fica com dupla conexão (double bind).
Neste segundo caso, apesar de continuar dentro da situação, o indivíduo adquire um papel duplo de participante e de observador externo, possibilitando influenciar a situação com intenções externas, no exemplo, não alterando as emissões no seu conteúdo mas controlando a sua recepção. Esta é a técnica usada, por exemplo, pela censura democrática e/ou ditatorial nos massmédia.

Esta técnica dá muito resultado quando em situações de "recepção" de autoritarismo se decide  acrescentar o "double bind" de observadores do autoritário que continuará "feliz" com suas momices.

Existem várias possíveis soluções de "saídas pela tangente", mas uma das mais propostas e usadas é observar e listar detalhes das momices autoritárias para imitar em palhaçadas de representação com amigos. 

PS - Em situações militares, como normalmente o autoritário, por formatação cultural, está egocentrado na sua própria autoridade (perception blindness) este processo é fácil e eficaz de ser gerido, influenciando exageros ridículos inócuos com satisfações terapêuticas para o autoritário.
Segundo alguns autores é a técnica de [...usar birras para adormecer o bebé...], tudo depende do nível de "perception blindness" do autoritário e das condições do contexto. 
Quando se consegue este "double bind" de "intenção externa" a situação não só é divertida como é também rentável.

É de salientar que indivíduos sujeitos a manipulação negativa (autoritarismo, repressão psicológica, violência doméstica ou política, etc) normalmente lutam, quase sempre, com modelos de "intenções internas" para evolução da situação, criando ciclos repetitivos (aditismo?) de aceitação-->luta-->derrota-->aceitação, e poucos usam modelos de "intenções externas" para mutação da situação.

Em resumo, a coluna vertebral do ciclo de pensar é:

1º - o que quero?
2º - como faço?
3º - o que preciso?

O nível de Q.I. pode avaliar-se pela eficiência e eficácia de cada fase, do equilíbrio do conjunto e pelo reduzido número (zero?) de tentativas falhadas e emendadas, ou seja, pensa-se muitas vezes mas só se faz uma vez.
Numa palavra, a prova crítica é "...pensou com simulações mentais mas, quando decidiu, fez bem à primeira!"



Teste Q.I.

A pessoa (criança ou adulto) é colocada perante uma situação com objectos, tendo que diagnosticar o que são, para que servem, como se usam e com eles, só com eles e sem os alterar-danificar, realizar o projecto, só tendo uma alternativa de execução.

O projecto é tirar o chocolate que está na caixa "B".

Esquema dos objectos:


No teste, nada é dito ou explicado. Todos os significados e conclusões têm que ser obtidos por observação directa do real e, depois, com esses dados criar informação, construir um fluir de acções que possibilite a obtenção do chocolate.
Na prática esta é a essência da inteligência, ou seja, optar por decisões e elaborar uma estratégia.


Como experiência, veja quantos segundos/minutos leva a elaborar a estratégia e sua sequência lógica (começo...etc...e fim), depois compare com os resultados do video a seguir.

marque o tempo e
divirta-se com o resultado  

... AGORA...
Como fará???


Para esclarecimento da situação e substituindo conclusões da observação directa que não é possível, informa-se que:

1 - A caixa "B" do chocolate tem paredes de vidro transparente, é estreita (5 cm) e funda.

2 - As caixas "D" tem, cada uma, uma pedra colocada ao fundo, mas cabendo entre as grades. A sua profundidade é ligeiramente mais pequena que o pau "Z" pendurado na corda e com um nó folgado.

3 - A caixa "G", de vidro e fechada, tem uma base basculante que carregada com pesos se abrirá. Lá dentro tem um pau comprido. A sua única abertura é uma chaminé no "telhado" com um diâmetro ligeiramente maior que as pedras.


Para resolver
qual foi a dificuldade que sentiu 
numa escala de 1(min) a 10 (max)?

Pense um valor (!!!!!!) antes de ver o video