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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Vida, sonhos, filmes e neurónios




"Eu tenho um cérebro, meu caro Watson, e o resto de mim é um mero apêndice."
Sherlock Holmes





Uma hipótese surpreendente (ver Francis Crick) é considerar que a nossa consciência e sentido de existência pessoal são só o resultado da actividade de biliões de pequenas entidades que se juntaram numa caixa e aí vão funcionando, os chamados "neurónios dentro dum crânio". Em resumo, em relação a eles seremos apenas os seus transportadores que, presos ao crânio, os levamos de um para outro lado.

Vamos imaginar que a neurociência se desenvolve tanto que é possível ter um cérebro numa cuba de nutrientes, receber estímulos e funcionar como se estivesse num ser vivo.

A consciência e a personalidade criadas por si, e para si próprio, nunca saberão se são parte de um ser vivo ou algo solitário encerrado numa cuba. São iguais nos dois casos. 

(ver o filme "The Matrix").

Dizer que a vida na cuba não é real, é o mesmo que dizer que a vida fora dela também não é, pois fora do cérebro não há cérebro só há estímulos e dentro dele não há estímulos, só há consciência e personalidade.

UHhau..! UHhau..! O absurdo desta hipótese permitirá pensar...



…que, para além das cinco provas da existência de Deus de S.Tomás de Aquino, esta hipotese possa ser a 6ª prova com o absurdo da eventual Sua não-existência, fundamentada e nascida deste ilógico da NeuroCiência?? 
Complementar-se-ia assim a alternativa do Ponto Omega do Padre Jesuíta Teilhard du Chardin?




Por outras palavras, seremos uma espécie de imagem televisiva (um holograma produzido algures) com a "mania que é gente" ou seremos gente que produz imagens televisivas que funcionam em auto-consumo? Como diria o poeta: - "That is the question!"...






...para entrar nesta discussão com o apoio da Física [Quântica, Hologramas, Teoria das cordas, etc]  poder-se-á ter como arranque o "The Holographic universe", de Michel Talbot, e o "The self-Aware Universe", de Amit Goswami, Ph.D, Prof. de Física, Univ. Oregon.




Uma questão interessante para complicar o problema é: -"E se não existissem as tais entidades (neurónios) dentro do crânio???" Ainda seríamos NÓS??

Uma notícia:

Dr Lionel Feuillet, 
Department of Neurology, Faculté de Médecine de Marseille, Université de la Méditerranée, Assistance Publique hôpitaux de Marseille—Hôpital de la Timone, Marseille, France


Em 2007, dá entrada no Hôpital de la Timone, Marseille, France, um funcionário público de 44 anos com fraqueza na perna esquerda. Por motivo de diagnóstico foi feito um scan ao crânio e estava "oco":



Pai de 2 filhas e um QI cerca de 75, com uma vida normal apesar de em vez do córtex ter toda a cavidade central preenchida com um fluido que, em pessoas normais, serve para amortecer o contato do cérebro com o crânio. Segundo o Dr. Lionel Feuillet, - “Isso não evitou o seu desenvolvimento, nem o impediu de construir redes sociais”.

Para simplificar, e sem entrar na discussão se o córtex faz falta ou se tudo se encontra algures e ele é só uma espécie de receptor-sintonizador (tipo TV ou telemóvel), o facto é que vivemos, sonhamos e vemos filmes.

Para cada um de nós qual é a diferença e a igualdade de cada uma daquelas situações ?

Num exemplo, o orgasmo como actividade orgânica pode ser detonado por três estímulos diferentes.
Há orgasmos com estímulos ao vivo, com estímulos fílmicos e com estímulos a sonhar. Em qualquer um, eles entram para o córtex e este activa o corpo. Ou seja, há igualdade no resultado e diferenças no início.
Mas se tudo vai para o córtex: - "O que acontece lá??"

É simples, no córtex o activador de orgasmos não distingue diferenças nas três situações de estimulação. O córtex responde da mesma maneira em cada uma delas.

Uma possível explicação começou no século passado com os italianos Giacomo Rizzolati e Vittorio Gallasse. Trabalhando com primatas, repararam que neurónios pré-motores activavam-se do mesmo modo com uma acção quer quando a faziam quer quando a viam. Não havia diferença. Chamou-se a este tipo de neurónios os "neurónios espelho".

Por exemplo, antes do neurónio motor controlar o aparelho neuro-muscular para abrir uma porta, os neurónios espelho eram activados de uma certa maneira. Simplesmente, essa exacta activação também acontecia se apenas vissem abrir a porta, apenas neste caso os neurónios motores não eram activados a seguir.

Noutro exemplo, jogar futebol ou ver jogar futebol na TV tem o mesmo efeito nos neurónios espelho, apesar de nos neurónios motores ser diferente. Todavia em caso de muita activação, o bloqueio dos neurónios motores escapa ao controlo. É vulgar além dos gritos e das conversas com a "TV-jogadores", também surgirem impulsos neuro-musculares, semi voluntários, de pontapés entusiasmados.
PS - Por segurança, convém estar longe dos fanáticos quando vêem futebol na TV.

Será que viver, sonhar ou ver filmes tem a mesma activação nos neurónios espelho, apenas com conexões diferentes nos neurónios motores? 

No caso dos orgasmos, o processo é semelhante ao futebol, apenas a "fuga ao controlo" e a conexão com efeitos neuro-musculares-sexuais tem origem hormonal, fazendo a ligação directa "neurónios espelho-neurónios motores" e o orgasmo aparece. Numa palavra, "está tudo na nossa cabeça".

Em conclusão:

Os três estímulos são iguais e são diferentes, em:

A realidade provoca estímulos, mas ela não é facilmente controlável, tem que se "negociar com ela", ou seja, procurar a vida que se quer viver.

Os sonhos são anárquicos, provocam o que querem, oscilando entre o pesa-delo e o leve-delo, só se sabe depois de acabar. São incontroláveis, apesar das técnicas do "sonho lúcido" (lucid dream) que os tentam influenciar, mas mesmo com treinos são mais as surpresas que os controlos.

Os filmes são totalmente controláveis e pode-se alterar instantaneamente as situações que os neurónios espelho estão a viver. Com os DVD's, em segundos, sai-se das agruras da guerra para os musicais de Hollywood ou para as brincadeiras do Pato Donald, chora-se com um, canta-se com outro e ri-se com aqueloutro.


Com as drogas os estímulos ficam incontroláveis e nem se sabe bem onde estão. Acaba-se por controlar só o bilhete mas não a viagem…e o que é pior é que depois vive-se dentro da bilheteira.


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