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sexta-feira, 20 de março de 2015

A liderança desafiante

A vida nasce imatura e "amadurece" cá fora,
chama-se crescer e desenvolver.


Nalgumas espécies o "amadurecimento" é curto e rápido,
noutras é longo e lento.
Na espécie humana a imaturidade existe até morrer,
chama-se ter novas ideias, aprender e mudar.

Na prática, tudo isto:

nasceu nas (e das) imaturas novas ideias de muitos.

A civilização existe quando vivemos com as ideias de outros acrescentando complexidade. Não há limites, as suas possibilidades são infindas e as soluções são sempre um aglomerado de muitas ideias que provocam micro soluções, cujo conjunto é a SOLUÇÃO:


Este processo de ter muitas micro-soluções integradas e adaptadas ao problema obriga a haver muitos "micro" inventores a colaborar entre si, num sistema de interdependência. A situação que possibilita e potencia esse resultado constitui o "Scenius" ou "Genius Colectivo" tornado necessário pela complexidade de hoje, bem longe do auto-suficiente e eremita lider-inventor solitário, dono e criador de soluções.

O principio base é que todos temos "relâmpagos de génio" e a civilização é o que permite integrar rentavelmente esses "relâmpagos" individuais numa "luz colectiva".

Na verdade, a diferença entre Leonard da Vinci e Vietti-Teppa é uma questão de Scenius, isto é, no tempo de Leonardo da Vinci ainda não existia o resto dos inventores necessários para complementar a complexidade, por exemplo, a nível do material necessário:


O equipamento usado por Vietti-Teppa (Suiça) pesava 12 kg, mas uma tentativa feita no ano 2.000 por Adrian Nicholas (UK) pesava 85 kg, podemos imaginar quanto pesaria em 1843. O Scenius da época ainda estava demasiado imaturo para a ideia ser concretizável, faltavam "inspirações" de invenções de outros inventores.

Hoje, na complexidade actual, Liderar não é "Zombiar", isto é, estabelecer uma visão e impulsionar outros a segui-la, alternativa que poderá funcionar quando o problema-solução é conhecido e com baixa complexidade na sua aplicação.
Porém quando isso não acontece, isto é, quando não há solução prévia, quando é preciso criar uma alternativa nova, o óbvio de estabelecer a solução e "vender" a sua execução não é nada óbvio.
A execução vai exigir condições novas, "inspirações" de criatividade para micro-soluções que obrigam a reformular, alterar e talvez recusar a solução inicial.

A questão não é de impulsionar a cumprir a solução, mas de inspirar a comunidade a colocar em comum as suas "inspirações" pessoais de génio, colaborar e não conflituar na sua integração de modo a fazer nascer a nova alternativa. É um processo de Scenius e não de Génius.

Numa analogia teatral, não é uma questão de protagonismo no palco do "actor principal", mas sim de se criar nos bastidores as condições para todos quererem, poderem e terem boas representações no palco.

O exemplo mais flagrante desta realidade é a Pixar, sendo Ed Catmull o fazedor destes bastidores e todos os outros 250/300 participantes da comunidade serem os "actores principais".
A função de Ed Catmull como responsável é contornar e evitar tensões, positivar conflitos e unir diferentes opções, clarificar testes, consequências, riscos e vantagens de propostas, maturar as decisões parciais num todo coerente, etc.
Em síntese, Ed Catmull é o "ministro" da CDD" (Colaboração, Descoberta de aprendizagens, Decisão consensual) ou, por outras palavras, é o "ministro" das "Inter-acções positivas entre as diferenças", cujo funciograma de re-adaptação constante para construção de um filme é o seguinte:


Na verdade a civilização é um pêndulo que oscila entre:


Antigamente o normal era "fazer o que sempre se fez" e a excepção era "fazer o que nunca se fez AQUI". Quer isto dizer quer as reais novidades tinham sempre nascido em locais "controlados" por maturidades diferentes (ex., China e Europa), aí experimentados e depois importados por quem tinha disso uma VISÃO prévia. Esse era o lider, a visão era sua e motivava os outros a seguirem-na.
Problemas e crises eram resolvidos pelos lideres de visão, ou seja, pelos que viam as soluções.

Hoje, a complexidade é grande e não há locais isolados, por outro lado a situação inverteu-se, o normal é "fazer o que nunca se fez aqui ou noutro lado" e a excepção é "fazer o que sempre se fez". Verifica-se uma mudança constante, rápida e intensa e os problemas resultam, exactamente, de tudo ser diferente e se fazer o que sempre se fez.
As soluções ditas "normais" deixaram de fazer parte das soluções e passaram a fazer parte do problema, pois não só não resolvem como o aumentam. A História tem muitos exemplos deste "quid pro quo", por exemplo, na situação actual a austeridade faz parte da solução à crise ou parte do problema da crise? E se faz parte do problema da crise ela é solução para quem e para que problema.

Viver  é passear no contínuo do que "que já se fez" até ao "que ainda não se fez" nunca permitindo que acabem os sonhos, ou seja, o mundo do ... "que ainda não se fez" e onde se vai ser imaturo.


[Ver também 
"Innovate the Pixar Way: Business Lessons from the World's Most Creative Corporate Playground", Bill Capodagli, Lynn Jackson.
Pinçamentos: "LabThink - locais de pensar para sair de crises" clickar.
Pinçamentos: "LabThink: aprender a estudar para jovens" clickar.]


terça-feira, 17 de março de 2015

Estudar é natural (vrs Mar2015)





Estamos programados para "estudar".
Estudar é ensinar a si próprio, é fazer auto-ensino.

Auto-ensino é procurar o significado do que quer compreender, é procurar a resposta à simples pergunta “O que é que isto me diz”. 
É a actividade mental de procurar relações, diferenças e igualdades com tudo aquilo que para si já tem significado. 
Ensinar a estudar é ensinar a rentabilizar a construção de significados, aquilo que vulgarmente se chama compreender. 

Quando este auto-ensino é complementado com metodologias deturpadas que não facilitam e bloqueiam esta rede de significados tudo se resume a memorizar e aplicar padrões. O funcionamento “natural” perde-se e ficam processos de aprendizagem com “bugs”. É como começar a andar ou respirar defeituosamente pois [... estudar é tão natural como andar e respirar] são mecanismos naturais base da sobrevivência.

Como um vírus, essas deturpações são depois utilizadas na aprendizagem e estudar torna-se difícil, senão impossível, e desiste-se. Como solução ensina-se mais e estuda-se mais e os "bugs" reforçam-se pois não é um problema de quantidade mas sim de qualidade. Cada vez é mais difícil o aprender e aprende-se menos. O círculo vicioso está instalado.


Estudar é um processo automático que se faz sem se ter consciência do que se faz…é tão "instintivo" como andar.

Por exemplo, "qual é a diferença entre andar e correr?"

A resposta imediata é que correr é mais rápido que andar e os pés movem-se mais depressa. Não é verdade, pode-se andar mais rápido do que correr e com pés mais ligeiros. 
Se não se sabe a diferença como se explica verbalmente à criança a mudança de andar para correr?
Não se explica… mostra-se … ela que veja e aprenda.

"Qual é a diferença entre estudar e não-estudar ?"


A resposta imediata é que a diferença está em "se estuda sabe" e "se não estuda não sabe", mas não é verdade, saber ou não saber, não são diferenças são consequências. 
Assim, como explicar à criança a diferença entre estudar e não-estudar? Não se explica, nem se mostra porque não há nada para mostrar… pois nada não se vê.


Ver o Einstein a estudar não se vê nada, excepto talvez um sossegado olhar vago e distraído. Estudar acontece dentro da cabeça, no cérebro, ...ninguém vê. 

Em consequência, opta-se por explicar com "aquilo" que se vê, por exemplo, tirar apontamentos e fazer resumos.
Mas tirar apontamentos e fazer resumos é escrever o significativo, ou seja, é sempre o resultado de ter estudado, são consequências de ter pensado (estudado) o que possibilitou "extrair o sumo" (skimming), fazer relações, descobrir conexões, identificar igualdades e diferenças. Numa palavra, adquirir conhecimento.

Se este processo não acontece, esses apontamentos e esses resumos são um trabalho de copista, são "lixo mental" no caminho do conhecimento. Servem apenas para decorar e ser papagaio e eventualmente fazer show de sabedor nos cafés e nos exames:

...sabem muito e percebem pouco...
Estudar não é apenas escrever.  Uma sessão de estudo não é uma sessão de escrevinhar. Na verdade, nos conventos da Idade Média os copistas não eram estudiosos do conhecimento e actualmente, nos tribunais e assembleias, os anotadores e fazedores de actas não são estudiososo dos seus conteúdos.

Estudar não é apenas escrever. Uma sessão de estudo não é uma sessão de escrevinhar. Na verdade, nos conventos da Idade Média os copistas não eram estudiosos do conhecimento e, mesmo actualmente nos tribunais e nas assembleias, os anotadores e fazedores de actas não são estudiosos dos seus conteúdos. 

Escrever, se bem que importante, não é a actividade fundamental do Estudo. Na pré-História, em tribos primitivas e na sociedade actual, problemas são estudados e encontradas soluções sem qualquer utilização da escrita.      
...estudando sem papel nem lápis...
Os escritos dos inventores são apenas registos do resultado de terem estudado e esses registos podem funcionar, automática e simultaneamente, como nova matéria de estudo. Mas, [...estudar e registar não são a mesma face da moeda pois uma actividade não é a outra].

Se ao dar uma flor a uma criança ela depois conseguir explicar essa "flor" é porque conseguiu estudá-la sem precisar de papel nem lápis, nem apontamento e resumos. É óbvio que em situações complexas o método utilizado pode ser rentabilizado com papel e lápis mas eles são apenas facilitadores e rentabilizadores não são a essência do processo.

Como é que os pais ensinam os filhos a andar ?

Não ensinam, apoiam, põem a criança em pé e esperam que ele se "desenrasque", aprenda por si, descubra e ensine a si próprio.
Mais tarde, se o automatismo do andar ou do correr tem bugs, podem não perceber o que acontece e julgar que tudo está bem. Só quando, talvez na escola com a Educação Física, a acção precisa de eficácia é que o problema surge.
Com o estudar sucede o mesmo. Possivelmente, eles também já não sabem estudar mas só na escola é exigida essa eficácia e por isso, então, transforma-se em problema. 

Todos sabemos correr mas é vulgar ensinar a correr bem, todos sabemos pensar mas é invulgar ensinar a pensar bem.

Como é que os pais ensinam uma criança a brincar ? 

Não ensinam, dão brinquedos e esperam que ele se "desenrasque", invente brincadeiras, histórias, lógicas, mundos alternativos e, com a programação automática que tem, experimente, pense, conclua, reformule e aprenda a usar o brinquedo, isto é, brinque.

Quando não aprende, os pais ensinam, mostram como se brinca, visualizam-lhe a brincadeira, ele imita (abençoados os neurónios espelho) e aprende.

Com maior ou menor dificuldade todos o fazem pois estas programações de andar e estudar são instrumentos essenciais da sobrevivência ao permitir repetir sucessos e não-repetir insucessos pois ambos são aprendizagens importantes. Na perspectiva evolutiva não há erros, há apenas êxitos de "como não fazer".

Na escola não aprendem. Porquê ???

Porque o seu estudar já tem bugs. Tal como ao "andar mal" há hábitos motores disfuncionais sem disso ter consciência, também no não-aprender pode haver padrões disfuncionais aprendidos não conscientes e não saber que existem, quais são, porquê e como os corrigir. 

Alguns jovens (10,11 anos) chegam a choramingar: - "Os meus pais zangam-se comigo, querem que eu estude, mas eu não sei como fazer, não consigo…eu leio e não aprendo". 

Felizmente, esta aprendizagem negativa não afecta outras áreas. Eles continuam a saber estudar jogos de computador, como jogar futebol, como enganar o autoritarismo, como fazer o que querem, etc. 
A inteligência não desapareceu, ela tem é um "bug", um vírus que afecta a área especifica daquele tipo de aprender - o escolar - e, às vezes, também contamina outras áreas. 

Por experiência pessoal com um grupo de jovens dos 11 aos 14 anos e com dificuldades escolares tentava que aprendessem a tabuada pelo processo aleatório (e não de cantilenas). Um cigano tentava, cheio de boa vontade, mas sem resultados. 
Em conversa perguntei-lhe por quanto vendia, quando na feira com a mãe, entregava 4 ténis por 8 euros cada? Resposta imediata "Quero 32 euros!" 

Fiquei estupefacto porque realmente ele vivia um total e angustiado bloqueio anti-tabuada. Depois de várias tentativas nos dias seguintes concluí que o contexto "euros e vendas" ativava e operacionalizava os processos mentais de cálculo. Para a sobrevivência na vida de feira era fundamental dominar a tabuada, porém na escola tudo era bloqueado não conscientemente e com angústias. 

A principal dificuldade do estudar está no pensar, sem isto operacionalizado tudo o resto pode complicar em vez de facilitar.
Aprender sem pensar são apenas automatismos anti-conhecimento [...sabe mas não percebe]. Pode fingir bem mas mais tarde ou mais cedo tudo vai desmoronar.

Por exemplo, ao decorar a tabuada cantarolando sequência de números aprende-se a cantar mas não a utilizar a codificação necessária. Quando quiser multiplicar 8x7 não se começa a cantarolar 8x1=8, 8x2=16, etc. até chegar a 8x7=56. 
Estes processos de memorização para efeitos colaterais são bem salientados por Aldous Huxley com Tommy no seu livro “Admirável mundo novo”, pag 38, Ed. Livros Brasil, Lisboa, com o exemplo do “rio Nilo”.

É o mesmo que ensinar nadar em seco em cima de um banco, esquecendo que aprender significa captar sinais, torná-los significativos, integrá-los e criar novas redes neurais.

Ensinar a nadar não é ensinar a mexer braços e pernas num banco é ensinar a locomover-se rentavelmente no meio aquático, portanto, sem água não existe nadar. Do mesmo modo, ensinar a tabuada não é ensinar a cantar mas sim ensinar a pensar com números.

PS – Os bebés nadam sem técnicas de bruços, crawl, etc, pois nadar é fundamentalmente flutuabilidade e coordenação água-ar (respirar) e sem água isso não se treina. Depois a locomoção pode ser desde o “gatinhar” (nadar à cão) até aos bruços, crawl, mariposa, costas, etc.


O bebé assim que nasce, a sua primeira actividade é APRENDER... aprender a respirar ao ar livre… e essa aprendizagem vai ser utilizada até morrer.
Daí em diante, até aos 3 anos, tem a curva mais intensa e acelerada de aprendizagem da sua vida, desde controlar o corpo, braços e pernas, andar, falar, dominar um idioma, usar objectos, identificar rostos, vozes, animais e pessoas até conseguir, com apaixonada curiosidade, aprender tudo que o rodeia.

Isto é possível porque estudar é muito simples, é receber sinais, conectá-los com os existentes, torná-los significativos, e tudo isso é feito em cada segundo que vivemos.
A palavra-chave desta ideia é "torná-los significativos", quando isto é bloqueado todo o aprender desaparece.

Quando um sinal se "cola" a outros como uma consequência reflexa e colateral a significância não acontece (vide o Tommy do Aldoue Huxley), a compreensão é nula e o aprender não existe. É domesticação e não aprendizagem e isso é mau.

O pior acontece quando esta forma de aprender se instala como única e fica como um novo padrão automático. Por analogia é como alguém que tem o marchar como forma única de andar e depois não consegue dançar na discoteca. Por semelhança, os efeitos negativos do aprender defeituoso só se tornam preocupantes quando afectam áreas de aprendizagem obrigatória, por exemplo, na escola.

A importância da significância

Como exemplo, um coferencista fala do uso de RSS na internet, nos computadores e nos telemóveis. Um ouvinte pergunta o que é isso e ele responde de forma objectiva, sucinta e directa:

- "O RSS é um formato padronizado em linguagem XML originado a partir do DDF e segue as definições W3C".


A resposta é correcta mas só em poucas mentes conseguirá "colar" a ideias já existentes, pelo que escorregará para o "balde do lixo". F
elizmente será anulada e quem fala perderá um ouvinte e talvez outros que não perguntaram. A significância obtida foi zero, a compreensão foi nula mas a memória pode decorar e repetir corretamente.
Se o ouvinte decorar e ficar domesticado, responderá sem erros num exame, o professor dirá que estudou bem e todos ficarão contentes porque o aluno respondeu como aprendeu mas não compreendeu nada e não sabe o que quer dizer. 
Explicar não é dar respostas às dúvidas, é dar informação que possibilite significância e compreensão, que faça "empowerment" (aumento da capacitação-autonomia-fortalecimento) na clarificação da dúvida.


Isto só acontece se informação entrada tem possibilidade de se "agarrar" a alguma já existente e criar uma "porta de entrada" que [...permita, atraia, transforme e incorpore...] a nova informação que se vai apresentar. 
A energia e o imã destas conexões são a significância pessoal que adquire para quem aprende.

Na actual pedagogia surge a corrente do ensino "WIIFM?" que significa "What's In It For Me?", ou seja, em português vernáculo "o que é que eu tenho a ver com isso?" como sendo a principal e primeira pergunta que está na cabeça de qualquer aluno e a que o ensinante tem que responder em primeiro lugar e a ela voltar várias vezes.


Resumindo, só se pode explicar a partir da mente do outro, pelo que a primeira etapa é pesquisar "o que ele sabe" e começar por aí. Portanto o factor-crítico-de-sucesso se para poder explicar não é aquilo que se sabe sobre o assunto, mas sim aquilo que se sabe sobre aquilo que o outro sabe sobre o assunto.


Regressando ao exemplo do RSS, uma possível resposta para criar as primeiras "pontes informativas" e “ancorar” (Psy francês: ancrage) algum significado susceptível de se colar a outros existentes, poderia ser:


- "O RSS é um processo para permitir e acelerar a troca de conteúdos na Internet e possibilitar actualizações rápidas. É muito usado na divulgação de notícias.

A resposta à pergunta não-consciente de "o que é que eu tenho a ver com isso?" estaria dada, ou seja, "na Internet  com o RSS é tudo mais rápido e actualizado". 
A partir daqui é que a explicação vai começar, orientada pelas dúvidas "como é que faço?", "o que preciso?", "quais os custos/riscos?" e a dúvida crucial "como é que funciona?". 
No planeamento da explicação ou conferência seriam as respostas a estas "questões previsionais" que orientariam a definição do que dizer.


Vulgarmente em vez de se motivar pela criação de significâncias, motiva-se por pressão de valores morais ou por chantagem afectiva ou ainda por ameaças físicas de desgraças no presente ou no futuro. 
Estas técnicas de "motivação colateral” (querer aqueloutro) e "motivação às avessas" (querer evitar aquilo) é o contrário da motivação, pois esta é um movimento PRÓ (querer aquilo) enquanto que as "motivações colateral e ás avessas" funcionam como movimento ANTI (querer qualquer outra coisa mas não aquilo).

Crianças habituadas a estas motivações dão a resposta normal de "Tanto me faz!" pois já aprenderam que "querer qualquer coisa" está fora dos seus interesses. Porém o diagnóstico que lhes fazem é que estão "desmotivadas e sem vontade" quando na realidade estão "motivadas e com vontade" de não querer nada daquilo:

[...estudar é procurar o que para mim tem significado por se ter "colado" ao que já sei e
procurar suas significações (positivas, negativas, interrogadas), repetindo até me sentir satisfeito].

Sublinhar um texto não é sublinhar o importante, nem sequer o que disseram que é importante. É sublinhar a nova significância que "faiscou" na mente e fez um "Ah! Ah! Ah".  Ao integrar-se estas "faíscas" constrói-se, instintivamente, o conjunto que lhes dá significado. É assim que a criança naturalmente estuda as diferenças entre cão e gato e não os confunde.


Em resumo:

[... estudar é procurar ver o TODO com base em DETALHES e de ambos ter uma visão conjunta.
É auto-ensinar, é explicar-a-si-próprio.
Explicar é descobrir conexões significativas (positivas, negativas ou interrogadas) entre o novo e significados já existentes, criando uma nova rede de saberes.
Explicar-a-si-próprio é como respirar, quando acaba é para recomeçar pois há sempre conexões novas a fazer.]

domingo, 8 de março de 2015

Motivação 1.0, 2.0 e 3.0 e métodos de liderança


Harry Harlow, Professor de Psicologia na Universidade de Wisconsin, ao estudar o comportamento dos primatas obteve um resultado inesperado numa experiência que realizou quando colocou 8 macacos Rhesus perante o seguinte problem-solving:


ou seja, para encontrar a solução de levantar a tampa "C" era preciso uma sucessão de 3 etapas pela seguinte ordem:

1º - Tirar o espigão "A";
2º - Afastar o gancho "B";
3º - Levantar a rampa "C".

Os investigadores colocaram aparelhos dentro das jaulas para os habituar a eles e depois poderem prepará-los e induzi-los a fazer o teste dentro de uma semana.

Mas, sem qualquer influência exterior, algo estranho aconteceu. 

Quase imediatamente, começaram a manipular o aparelho, concentrados, determinados e alegres. Em pouco tempo encontraram a sequência solucionadora que depois repetiam, chegando alguns a demorar apenas 60 segundos. Ninguém os ensinou a tirar o espigão, afastar o gancho e/ou abrir a tampa e, muito menos, a exacta sequência necessária.

O mais estranho não foi a sua "habilidade" mental, foi a não-existência de impulsor motivacional para o fazer.

Na verdade, os três impulsores básicos biológicos comer, beber e sexo (motivação 1.0, ver Daniel Pink) não estavam presentes e os dois impulsores sociais prémio e castigo (motivação 2.0, ver Daniel Pink) também não.

A questão que se levantou a Harry Harlow era saber qual era o motivador em jogo que impulsionava os macacos, considerando que nenhum dos outros motivadores estava ainda actuando.

Pensando em situações motivacionais, há seitas religiosas que usam a motivação 1.0 (comer, beber, sexo) através de orgias para alcançar Deus, enquanto outras usam a motivação 2.0 (prémio, castigo) acenando com o Céu e o Inferno.

Do mesmo modo na política, há partidos que propõem Poder, Riqueza, Estatuto  usando  a motivação 1.0  possibilitando recursos para "comer, beber, sexo", enquanto outros mais ascetas usam o Prémio-Castigo da motivação 2.0 propondo lutas entre partidos SEM asneiras/subornos (Céu) versus partidos COM asneiras/subornos (Inferno), uns atraindo "chicos espertos" e os outros "missionários moralistas".

Ainda hoje nas empresas (e nas escolas) a dominante é o Prémio-Castigo da motivação 2.0 (salário/prémios versus despedimento) apesar de após Elton Mayo, com a sua teoria das relações humanas, a influência da motivação 1.0 ter sido trazido à ribalta .

Considerando Cristo, Buda e a própria cosmologia hindu (além do trivial não conheço muito do Alcorão e Maomé) parece-me que motivavam e motivam também fora da motivação 1.0 e 2.0 . A questão que surge é - " Qual será ela?".

Qualquer que seja a hipótese da motivação 3.0, não me parece que o Workólico  esteja usando as duas primeiras, nem que elas sejam dominantes nas manifestações políticas, apesar de existir uma percentagem de manifestantes que procura viver teias relacionais (motivação 1.0) e/ou catarse céu-inferno por anti-partido versus pro-partido (motivação 2.0).


Regressando aos macacos, na altura Harry Harlow resolveu reforçar a motivação com comida e o resultado foi negativo pois criou rupturas. 
Muitas vezes isto acontece nas empresas com os prémios de desempenho, pois esquece-se que ganhar o 1º prémio pode ser obtido por se tentar ser o melhor e/ou tentar que os outros sejam piores. Numa palavra, "pode ser pior a emenda que o soneto" para se criar motivação, pois só depende do tipo de "inteligência estratégica" usada pelos concorrentes e da "cegueira" dos organizadores.

A conclusão de Harry Harlow foi que era preciso ver com outros olhos a problemática da motivação e "abandonar grande parte do lixo teórico" com que pensamos (close down large sections of our theorical junkyard).

 Autonomia versus automatia

Parece que uma grande diferença entre motivação 2.0 e a possível motivação 3.0 estará em que a primeira exige conformidade (automatismo) e a segunda compromisso (autonomia).

O método do Prémio-Castigo aplicado a um acto vai fazer com que o acto passe a ser secundário e o principal passe a ser o SIM-PRÉMIO (a chamada motivação colateral) ou, se não o prémio, pelo menos o NÃO-CASTIGO (a chamada motivação inversa). 
Viver a vida com motivações pela inversa parece ser um castigo inventado por um Deus maquiavélico, cuja religião são princípios culturais definidos pela negativa.

O compromisso, irmão gémeo da cumplicidade, exige impulsores motivacionais mais "sofisticados" que os biológicos básicos e os sociais básicos, como ficou revelado na experiência dos macacos.

Pensando na actual política em Portugal não me parece que uma nova proposta motivante possa ter como alicerce a habitual motivação 1.0 mobilizadora de "chicos espertos" em procura do básico "Poder Estatuto Dinheiro", nem apoiar-se na motivação 2.0 atraindo "missionários" de combate ao Mal e/ou na procura do Bem.

Passeando fora das estruturas comunicativas "oficiais" vemos que na sua periferia existem vários manifestos de vozes fora de motivação 1.0 e 2.0. 
A situação actual de uma sociedade quieta não é o "quietismo português" mas, talvez e apenas, o "standby português" na sua expectativa de arranque. Só falta o sinal de partida com uma proposta do tipo motivação 3.0. A motivação já existe, só falta expressá-la, é outra espécie de descoberta de um caminho marítimo que já existe só falta percorrê-lo.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Intuição, sensibilidade e pensar


Quando temos um estímulo é automático criar-se no cortex um significado e nascer lá uma decisão que provoca nos músculos uma reacção de resposta. É um mecanismo de sobrevivência:

tanto melhor quanto mais a sensibilidade e intuição reagem a estímulos minúsculos, num automatismo rápido e eficaz e, aparentemente, sem o peso e a lentidão da lógica e do raciocínio. 

O desenvolvimento desta capacidade exige pensar sobre o que foi feito [o debriefing da Pedagogia Experiencial] procurando as lógicas e raciocínios que funcionaram "undercover" ("por baixo da mesa", isto é, não clandestinos mas não conscientes) na tomada de decisão. 

É o treino desta 2ª fase que, mais tarde, permite manter a lógica e o raciocínio a funcionar em paralelo com os automatismos, sendo este o segredo das artes marciais e dos desportos de risco, porque:

"Coragem não é não ter mêdo,
é ter mêdo e fazer...pensando enquanto faz"
Zen

Nesta perspectiva propõe-se uma pequena actividade de decisão:

1 - Duas mulheres deitadas;
2 - Uma tem energia activa: olhar directo-aberto, boca em rir discreto, cabelo solto.
3 - Outra tem energia passiva: olhar pensativo-enevoado, boca séria-contida, cabelo arrumado.
4 - Tem que tomar um opção, escolhendo a hipótese 1 ou 2.

FIXE OS CRITÉRIOS

NÃO PENSE, OLHE, SINTA E ESCOLHA

SE NÃO TEM LÓGICA...ÓPTIMO... É A INTUIÇÃO A ESCOLHER!!!


FOTOS



Já decidiu ? Precisa escolher uma!
Então uma possível análise:

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Árvores a cair e o pensar


As perguntas do Hermengardo:


Numa ilha deserta só com árvores, se uma árvore se partir e cair....

...faz barulho ao bater nas outras e no chão?



A resposta é  SIM ou NÃO?

Quer pensar sobre isso?

Já sabe? Então...

se já sabe, a ...

Resposta do Hermengardo (Pensador) é:
clickar aqui

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Labthink, aprender a estudar para jovens

Ref: 
Blog Pinçamentos "Labthink, locais de pensar para sair das crises, 11 Fev 2015 (Clickar aqui)


Aprender a estudar não é aprender a decorar é aprender a construir significados, na gíria diz-se perceber. Saber responder é decidir o que faz dizendo ou agindo, não é reagir com automatismos instalados de ideias ou actos, na gíria diz-se treinado. 

Assim, estudar é o universo dos significados e das decisões, duas forças inerentes à vida desde os animais às pessoas:

Um cão estudando:
- O que isto significa??
- O que vou fazer??
Dificultar o desenvolvimento destas duas capacidades em crianças, jovens e adultos é definhar a sua alegria de viver.
Mas quando, pelo contrário, eles sentem que isso foi potenciado então o rir transborda e a energia de fazer é intensa. O ensino é bom quando esta mudança acontece e acontece sempre que se aprende, é o momento de "AhAhAh!!!!" da pedagogia.

Um LabThink de aprender a estudar não é centrado na matéria a saber (o "O QUÊ" do estudo) mas sim na forma de construir significados e tomar as suas "próprias" decisões (o "COMO" do estudo). Em analogia [...é um carrocel de significados e decisões que anda cada vez mais depressa...], depois de instalado contamina tudo e o viver transforma-se.

Quando é feito em grupo onde a rede é potenciada, surge o contexto de Scenius e não de "genius fechados no baú". Mesmo quando alguns padrões de luta e competição já estão instalados eles são, normal e saudavelmente, diluídos e transformados, não em estilo caridadezinha de quem pode a quem não pode, mas em estilo cumplicidade [... o que fazes... estou nessa também...], situação muita óbvia para quem assiste.

Na prática

Encontro inter jovens
Scenius:

* Organização: Grupo local de famílias
* Tema: Aprender a estudar
* 1 dia, Setembro 2014, 
* 15 participantes, dos 8 aos 14 anos




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

LabThink - locais de pensar para sair das crises

O que são LabThink?

São Laboratórios onde os "Pensares" nascem. A sua essência não é argumentar e contra-argumentar mas sim "ouvir e pensar", não é um local de luta para vencer mas um local de "entrançar" e criar, não é um local para procurar o errado na ideia do outro e combater esquecendo o certo, mas para encontrar o certo e progredir esquecendo o errado.

A realidade é um supermercado de sinais,
ela não dá nada a ninguém, 

cada um tira o que pode e quer.

Dado não é informação

Exemplo:
Guerra num país
Um País que se encontrava em paz passou a estar em guerra.
As evidências dessa mudança são sinais (dados) captados pelos observadores.
Imagine-se quatro observadores:

1. O Senhor «A», preocupado com o filho a trabalhar nesse País, apenas percepciona os referentes a perigo de vida e “não vê” os outros. Assim, toma a decisão de comprar e enviar um bilhete de avião para o seu regresso a casa.

2. O Senhor «B», fotógrafo noutro País, percepciona uma óptima situação para reportagens fotográficas, "esquece" os perigos de vida, entusiasma-se, compra um bilhete de avião e vai para lá. 


3. O Senhor «C», jogador na Bolsa, percepciona sinais de desequilíbrio económico. Perigo de vida e fotografias não fazem parte das suas preocupações pelo que se apressa a vender acções.

4. O Senhor «D», também jogador da Bolsa, percepciona os mesmos sinais, mas as suas preocupações são ganhos potenciais pelo que começa a comprar acções.


Para estes quatro diferentes indivíduos os dados (sinais recebidos da situação) são os mesmos mas os significados por eles produzidos (informações) são diferentes.

Os dados são as pegadas do acontecimento, as diferenças produzidas no real, enquanto que as informações são os significados do acontecimento, as diferenças produzidas no observador, e são estes significados que são utilizados para conclusões e decisões.

Segundo Paul Watzlawick,  informação é o dado ao qual o observador deu significância, ou seja, a que deu importância e relevância suficiente para o considerar significativo e pensar sobre ele. 

Dado é a diferença, informação é a diferença feita sobre a diferença

Pensar é alterar ou manter a significância de um facto ou, por outras palavras, é gerir a informação gerada pela evidência.

Em conclusão: sem observador não há informação só há dados, e cada observador constrói a sua informação a partir deles . Esta conclusão tem uma consequência interessante e muito importante:

As mesmas PALAVRAS são,
para quem fala, informações com significados claros,
para quem ouve, são dados sobre os quais constrói significados.
Nem sempre os dois significados coincidem portanto
cada um pode estar a pensar com informações diferentes.  

Na observação do real acontece o mesmo, cada um vê o que pode e dá-lhe o significado que consegue, construindo assim a sua informação. Chama-se a este processo compreender a situação. Em esquema:

Mesmos dados disponíveis, diferentes dados retirados
 portanto informações diferentes
Num circuito comunicativo (hierárquico ou outro) há uma gradual perda de dados e de significados:

[...mais alto na hierarquia, mais longe da realidade...]

O poder do "Não"

Quando há transmissão de informação-dados entre dois observadores, o segundo apenas pode pensar e decidir sobre o que recebeu do primeiro e sobre isso ele poderá decidir SIM ou NÃO.
Simplesmente sobre o que não lhe foi transmitido, a sua decisão nunca poderá ser SIM, pois ele nem sequer sabe que esses dados-informações existem. Este é o poder do NÃO de quem informa. 

Este poder de "dizer NÃO" pode ser inconsciente ou conscientemente usado como estratégia clandestina mas, em qualquer dos casos, a consequência é a mesma, isto é, o 2º interlocutor é controlado pelo primeiro.
Em esquema:


Ref.: "Sistemas de informação e sistemas de dados, empowerment das pessoas", 
Nelson Trindade, Paula Silveira, in "Sistemas de Informação Organizacionais", Cap.17, 
Obra colectiva, Ed.Silabo, Lisboa, 2005

Em conclusão:

Existem sempre 3 tipos de dados-informação:

A. o-que-sabe;
B. o-que-não-sabe (mas sabe que não sabe);
C. o-que-não-sabe-que-não-sabe;

sendo esta última a mais importante no pensar em sistemas complexos, por exemplo, no caso de estratégias militares.
O núcleo central da estratégia é actuar orientado por aquilo que é impensável para o adversário, ou seja, aquilo que ele-não-sabe-que-não-sabe. Pode acontecer que o dado exista na sua Base de Dados mas ele não é usado para construir informação pois só se percebe depois ou, como diz o ditado, [...depois de casa arrombada, trancas na porta...] apesar do dado "portas sem tranca" já existir, todavia ele não tinha significância, isto é, não era informação.

Genius e Scenius


Einstein era um Génius e tinha um córtex.
A comunidade é um Scenius e tem um córtex.

Brian Eno, um músico inglês, criou o conceito de Scenius. Segundo ele enquanto que o génio está conectado com os genes, Scenius está conectado com grupos e lugares, ou "cenas", que são geradoras de criatividade:

[...Scenius representa a inteligência e a intuição da totalidade de uma cena cultural. 
É a forma comunal do conceito de génio...]


Exemplos:
Scenius (ambiente-contexto) do nascimento de empresas:


APPLE

Steve Jobs
Steve Wozniak






MICROSOFT

Bill Gates
Paul Allen




Scenius (ambiente-contexto) diferentes para a criação e conversa de ideias diferentes,



A - onde se reunia o grupo de Picasso


Paris, Montmartre
Café Lapin Agile
com o dono Frédé e sua guitarra



B - onde se reuniam grupos na Alexanderplatz

Berlim 1933





Estes grupos existiram e existem na Literatura, na Pintura, na Ciência, na Política, no Desporto em que como exemplo, há um caso conhecido e estudado sobre Alpinismo, o Campo 4 em 1930, USA, Yosemite.

LabThink

São Laboratórios onde os "Pensares" nascem. A sua essência não é argumentar e contra-argumentar mas sim "ouvir e pensar", não é um local de luta para vencer mas um local de "entrançar" e criar, não é um local para procurar o errado na ideia do outro e combater esquecendo o certo, mas para encontrar o certo e progredir esquecendo o errado.

O Scenius precisa ser estruturado com base em:

A. Mútua apreciação;
B. Rápida troca/partilha de instrumentos, técnicas e resultados;
C. Rede partilhada dos efeitos e consequências do sucesso obtido;
D. Tolerância  interna e externa para a "novidade";

Os três "bugs" críticos em "jogo" e positivamente apoiados no LabThink são:

1. Encontrar a "falha" existente no saber que-não-sabe-que-não-sabe;
2. Encontrar outros significados para o saber-que-sabe, isto é, construir outras informações com os mesmos dados;
3. Colmatar a falha existente no saber-que-não-sabe ou pelo menos receber pistas de como a resolver.

Na solução de crises e problemas estes três factores são os bugs escondidos e clandestinos que favorecem as soluções que não solucionam ou até pioram as situações.

Na prática

A - Encontro inter Câmaras Municipais, 2007
Scenius: 

vídeo 3m20s - clickar

* Organização: Instituto do Ambiente
* Tema: Mudar o presente para garantir o futuro
* 1 dia, Março 2007, 
* Cerca de 140 participantes, 18 grupos de 7/8 pessoas
* Hierarquias e técnicos das Câmaras Municipais
* Local: Museu Marítimo de Ílhavo




B - Encontro Repsol, 2011
Scenius: 

vídeo 2m - clickar

* Organização: Repsol
* Tema: Equipas empreendedoras
*1 Tarde (4 horas), 3, 4 e 5 Maio 2011
* 3 grupos de 20 participantes
* Hierarquias e técnicos
* Resultados: 25 conclusões estruturadas


C - Fórum de Ideias - Câmara Municipal de Oeiras, 2012
Scenius: 

vídeo - 2m30s
* Organização: Câmara Municipal de Oeiras, Fórum de ideias
* Tema: Como motivar trabalhadores em tempo de crise
* 1 dia (5 horas), em 14 e 18 Maio 2012
* 2 grupos de 40 participantes
* Hierarquias e técnicos
* Resultados:
142 ideias, 42 projectos criados dos quais 12 foram seleccionados e estruturados pelos participantes.


A grande diferença é que os grupos acabam cheios de energia e motivação para agir num clima de cooperação e colaboração, em que o [...dia seguinte é o futuro a ser mudado...].