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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Pensar o que somos versus o que temos

Quatro perguntas e uma história...

1ª pergunta

Como ponto de partida, e como poderia dizer um discípulo de La Palisse... "se tivesse nascido noutro tempo e noutro paísEU não seria EU, mas sim, outro EU diferente".

Mas poderia também pensar... "em qualquer época e país, Eu seria sempre o mesmo… só teria linguagem, comportamentos, hábitos, etc…diferentes",

e por exemplo, EU em épocas diferentes... seria "O" mesmo EU???


Numa palavra, […Eu sou o que sou ...ou … Eu sou aquilo que "adquiri" e "tenho" ??...]

2ª pergunta 

...que não se "cala" e me espicaça: "Com tudo o que sou e o que tenho, afinal onde está o Eu???

Uma história:

O Manel tem um problema cardíaco e entra no Hospital para fazer um transplante com o coração que era da Maria. A operação foi um êxito e o Manel sai saudável com o novo coração.

A tecnologia evolui e a medicina também.

O Manel tem um problema cerebral e entra no Hospital para fazer um transplante com o cérebro que era da Maria. A operação é um êxito e o Manel sai saudável com o novo cérebro.

Na perspectiva da pergunta anterior, surge outra pergunta:

Depois da operação, quem sai do hospital é o Manel com o cérebro da Maria ou é a Maria com o corpo do Manel ??

Por outras palavras, o Manel continua vivo ou agora quem está vivo é a Maria "undercover" (disfarçada) sob o corpo que era o Manel???

A história pode ser ficção cientifica mas, se se tornar tecnicamente possível, os debates políticos nos partidos (quem é o líder?), teológicos nas religiões (quem é o pecador?), jurídicos nos tribunais (quem é o culpado?), económicos nos negócios (quem é o dono?) e amorosos nas famílias (quem me beija?) vão ser sérios e animados.

Continuando a prospecção de ideias, as perguntas "saltam", por ex., quando o Manel faz uma festa ou dá uma palmada a alguém, é a SUA mão que decide o que fazer ou é o SEU cérebro que opta e  "manda" a mão concretizar? 
Um filme:


Como se vê, é a mão do Miguel que executa a acção mas é o cérebro da Sam que decide o que fazer (festa ou palmada???) pois o cérebro do Miguel ficou "fora de jogo"… e, por graça dos deuses, ele fica calmo, feliz e não-consciente do que a SUA mão anda a fazer e até agradece aos qu'ridos lideres a sorte que tem de decidirem por ele.

Huau…!!! Huau…!!!, será isto apenas uma forma física (ligação-por-cabo) do que se chama "obedecer a quem manda"????, ou, por outras palavras, mandar é só...

[…fazer é o outro "engolir" as minhas decisões e executá-las em substituição das suas]

ou seja, é este mecanismo que, em termos psicológicos, se chama ser autoritário-obediente, em termos sociais ser ditadura-repressão e em termos culturais ser líder-liderado?

Bom, na verdade e na prática, apesar de não ser ficção cientifica, não andamos por aí "ligados-por-cabo" uns aos outros com relações de mandar-obedecer.

3ª pergunta

...e se for "ligação-wireless"?

Um filme:

Huau…!!! Huau…!!!, afinal parece que também há  "ligação-wireless" e não é ficção científica.

Bom, na verdade e na prática, apesar de não ser ficção cientifica, não andamos por aí a sofrer implantes cerebrais para se ficar "ligados-por-wireless"  em relações mandar-obedecer*.

[*] - Por enquanto (!!??)


4ª pergunta,

...e se for "ligação-por-educação" ???

Na verdade, educar é o educador incorporar padrões na mente dos educáveis, ou seja, uma espécie de implantes cerebrais de execução de comportamentos desejados, por exemplo, come carne versus não come carne, adoras este deus versus não adoras este deus, emigrante é bom versus emigrante é mau, saia curta versus saia comprida, etc. 
O nome técnico (diplomata) destes implantes cerebrais virtuais chama-se culturização nos bem-falantes, educação na sociedade, missionação na religião, marketing nos negócios, propaganda na política, o-que-deve-ser no fanatismo.

Todavia, de um modo simplex, são apenas automatismos comportamentais pré-estabelecidos que temos a par do que somos. A linguagem é um destes automatismos adquiridos:

No restaurante, dizia o dono perante o cliente francês e o inglês:
- Que chamem ao café: "cafê" ou "cófi"… percebe-se que se enganem, mas que chamem "lê" ou "milque" ao leite quando se sabe perfeitamente que é LEITE,... é uma parvoíce!![*]

[*] - Pode parecer uma anedota de implantes cerebrais virtuais mas, jornal 15 Mai 17, um responsável político diz que "…as mulheres não podem trabalhar de saia travada". Considerando que a saia travada obriga a ter as pernas juntas, qual era o trabalho no emprego em que ele estava pensando? Como acrescentou que [...a saia tem que ser larga…] os implantes culturais que ele usa devem estar bem enraizados acerca do trabalho das mulheres.

Uma história de implantes cerebrais virtuais:

O Manel trabalha numa empresa e namora a Maria. Combinaram, pelas 18:00 horas, horário normal de saída, irem passear e jantar fora.
À tarde, o chefe do Manel diz-lhe que tem que ficar até às 23:00 horas para terminar o trabalho.

O que faz o Manel sai às 18:00 e decepciona o chefe ou sai às 23:00 horas e decepciona a Maria?

A - A situação pode ser simples:

Por educação, o Manel tem um implante virtual no cérebro que decide "ao chefe nunca se diz não, não pensas mas fazes" e automaticamente bloqueia o seu sistema de tomada de decisões. 
córtex fica fora-de-jogo e, sem angústias nem hesitações, "ordens são ordens"[*] pelo que a sua decisão de sair e jantar com a Maria desaparece e a decisão do chefe ocupa o lugar.
O chefe é um líder e o Manel é um obediente.

[*] - Na vida militar este reflexo condicionador (Pavloviano?) tem um segundo reflexo condicionado, enxertado para reforço se há hesitações, é a aprendizagem "É uma ordem directa". Em 90% dos casos o córtex paralisa e bloqueia.
A recruta na vida militar pretende inserir esses dois reflexos condicionados a par de um terceiro da "obediência à voz única" vinda do símbolo de hierarquia, galão (oficial) ou divisa (sargento). (ver psicologia de re-educação e treino militar e outros)
A actividade diária de "ordem unida" (marchar ritmicamente em grupo formatado, cumprindo ordens) tem esses objectivos, reforçando a relação "normal" instrutor-recruta "a mão é tua, o cérebro é meu".


B - A situação pode ser complexa:

Por educação, o Manel mantém o seu córtex em pleno funcionamento[*]. 
Neste caso, qualquer uma das decisões tem diferentes vantagens, inconvenientes, pontos fortes e pontos fracos para ele e Maria, quer no momento presente quer no futuro. A integração de todas essas variáveis origina alternativas de diferentes custos e lucros… É PRECISO PENSAR E DECIDIR uma, outra ou aqueloutra das muitas possíveis, pois as probabilidades existentes são muitas (metodologia decisória "What If…"). 

Não imagino o que ele fará, mas o único erro possível é a decisão não ser sua. Por outras palavras, se ficar a trabalhar não é porque o chefe mandou é porque ele PENSOU e decidiu ficar.

[*] - Da mosca ao ser humano (sobre)viver é decidir, i.é., corro-não corro, bebo-não bebo, luto-fujo,etc. Em cada segundo, tomamos decisões, optamos pelo mais correcto, recusamos o mais incorrecto, desde respirar a não-respirar se gases, debaixo água, etc.
Neste sentido, educar é preparar para a vida, ou seja, é preparar para tomar decisões. Educar "amarfanhando" a capacidade de tomar decisões e potenciando o córtex bloqueado (i.é., obedecer zombie "porque-sim") é despreparar para a vida.


A decisão-zombie "passadeira-atravesso" dá multa, tem que ser decisão-pensada "passadeira: atravesso? Sim ou Não??".

Um filme:


Bom, na verdade e na prática, a "ligação-por-educação" não é ficção cientifica, ela anda à solta "aí fora", na família, nos amigos, no trabalho, na sociedade.

Um história

Um dia em África,

desembarcando numa aldeia piscatória isolada, "esquecida" na costa, encontrei um homem (50 anos?) "derramado" contra uma árvores, quieto e abúlico, olhando o ar. 
Tinha um aspecto adoentado e, apesar de ser de cor negra, parecia-me cinzento. Perguntei se estava doente e o que tinha.  Disseram-me que não estava doente, que nada se podia fazer, era o "abico"*

*- Abico: mau olhado(?), bruxedo pelo nome (*), feitiço (?), quebranto (?)

Procurei saber o que era isso, mas a resposta foi estranha. Disseram-me que, quando se nasce, as mães dão dois nomes, o nome real que fica secreto entre ela e o filho(a) e o nome conhecido de todos.
Se alguém souber o nome secreto poderá fazer bruxedo para ele, é fazer "renascer para a morte". Isso é o "abico". Nestes casos, só há que esperar pela morte. 
Aquele homem, estava com o "abico", estava morrendo, nada se podia fazer.

Espantado olhava para ele e pensava que aquilo não era suicídio, nem "morte matada, mas morte morrida", como diria o poeta[*], pois tinha desistido de estar vivo. Mais tarde, percebi que era apenas simples "implante cerebral virtual" que aquela cultura instalava nos filhos.

[*]- João Cabral de Melo Neto, "Morte e vida severina".

Durante os anos que lá estive, em algumas povoações ao longo da costa com pessoas conhecidas, ás vezes perguntava se eles também tinham nome secreto. Ou não respondiam ou diziam que sim e, curiosos, perguntavam se eu tinha. Quando respondia que não, olhavam-me com pena e concluíam "não anda protegido".

Muito mais tarde, ao estudar "mentalizações culturais" relacionei com o implante virtual "mau olhado" da cultura tradicional do Portugal profundo. Nos meus recuerdos da infância lembro-me de "espreitadelas" de rezas para tirar "mau olhado" feitas por "especialistas".

Tudo se resumia a uma lenga-lenga que se dizia enquanto se deitavam gotas de azeite tiradas de uma colher sobre água quieta num prato. Quando funcionava, o azeite dissolvia-se na água e desaparecia, se não funcionava ficavam as gotas de azeite bem demarcadas sobre a água, vendo-se perfeitamente a sombra no fundo.

Já adolescente, no liceu por causa da aulas de Físico-Químicas, andei uma semana a deitar azeite na água (sem lenga-lengas) mas nunca consegui que elas desaparecessem. Acabei por concluir (com ajuda do professor num intervalo) que era um problema de luz, pois as bolhas estavam, mas as sombras desapareciam. Descansei… sempre me irritou baralharem-me os neurónios.

Como conclusão, nós somos o que somos somados ao que temos e realmente estamos cheios de implantes virtuais que, numa linguagem do senso comum, são as "manias" da sociedade em que vivemos. 
O paradoxo é que não podemos viver sem elas e temos que transmiti-las aos nossos filhos. O que podemos, e devemos, é não destruir mas potenciar a capacidade deles tomarem decisões[*], capacidade essa com que a natureza naturalmente nos equipou. Se o conseguirmos isso chama-se DEMOCRACIA.

[*] - A desculpa de educar não justifica destruir essa capacidade.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Pensar o desconhecido no conhecido

Hoje, o meu pequeno almoço arrastou-me para o passado e concentrei a atenção (meditar) em contemplar (pensar profundo) os meus "recuerdos".


Tudo começou com o café quase vazio e apenas duas mesas ocupadas. Numa mesa, uma jovem mulher falava em voz alta no telemóvel numa língua desconhecida com ...muitos "niet"(holandês???). Noutra mesa, dois portugueses conversavam em voz alta.

Como jogo, comecei a estar concentrado nas duas "conversas", procurando também "desconhecer" a linguagem portuguesa e torná-la "sons desconhecidos". O esforço era "copiar" a minha atitude mental de incompreensão perante o "holandês???" para a minha audição do portuguêsDentro de pouco tempo, as duas linguagens tornaram-se apenas sons SEM significados cognitivos, era como ouvir uma canção sem pensar a letra. Era divertido…

Depois os "recuerdos" chegaram…

Dezenas de anos atrás, tive conhecimento de uma escola filosófica oriental que tinha duas actividades complementares. Uma era procurar o conhecido no desconhecido, a outra era procurar o desconhecido no conhecido.
Esta segunda alternativa atraiu-me, aprofundei, e, na época, criei um jogo pessoal a que chamei "ciganada", ou seja, tornar-me nómada no conhecido até ele ser desconhecido, umas vezes com situações concretas,  outras com situações psicológicas do género das conversas atrás descrita de tornar o português uma língua desconhecida.

As situações concretas eram fáceis e divertidas. Começou em Londres, onde ia algumas vezes em trabalho com colegas, e costumava sair do hotel (de dia e depois de noite pelas 23 horas) sem mapa e sem destino. Aleatoriamente, dirigia-me sempre para algo que me chamava a atenção desde uma rua estreita, montra estranha, homeless, etc, até que "não sabia onde estava, nem como regressar". O meu problema começava nesse momento.
Na época, chegava a regressar ao hotel pelas 2 ou 3 da manhã. A minha colega, sabendo do que eu chamava um passeio nocturno, não acreditava ou dizia que era maluco.

Entretanto no café,  os "recuerdos" sucediam-se…

Quando estive em S.Diego (USA) resolvi passar a fronteira e ir a Tijuana (México) e fiz lá uma "ciganada". Em determinada altura, um mexicano idoso acenou-me, apontou-me um letreiro onde dizia "Out of bounds" e encolheu os ombros. Percebi a mensagem, por gestos perguntei para onde, ele apontou, agradeci, dissemos adeus e voltei para fora do "Out of bounds".

Estive vários dias sozinho em Santiago (Chile) e um dos meus prazeres eram as "ciganadas" nocturnas nas zonas populares não turísticas. Tinha o "truque" de falar português próximo a grupos familiares e amigos que apanhavam o fresco da noite e, a partir daí, tinha companhia para o resto da noite.
Fazer "ciganadas" nas zonas ricas de Santiago era caminhar na solidão.

No Chile, nas zonas populares, o jogo era... dentro do conhecido "grupo familiar estranho" adquirir o desconhecido de "ser grupo amigo dentro do grupo estranho".
Nas zonas ricas, o grupo estranho era sempre só grupo estranho.

Como situação psicológica, um jogo que fazia várias vezes quando guiava na marginal era "destruir" o conhecimento do que ia aparecer a seguir à curva. 
Por exemplo, na subida a seguir à Praia de S.João tentava "não saber" que na descida estava o parque do casino. A técnica era provocar visualizações imaginadas (floresta, bairro de prédios altos, etc) até instalar a expectativa "do que será?". 
Por pouco êxito que tivesse, às vezes tinha a alegria da surpresa de ver "o que sabia que estava lá". Era uma espécie de "déjà vue" pré-fabricado.

Na prática, a aprendizagem procurada pela escola oriental é viver a vida por procurar conhecer o que não conhece e também procurar o constante desconhecido no que conhece.

Gostar de alguém é todos os dias ter o prazer
de encontrar o desconhecido que está nele (nesse alguém).
Zen

Para terminar esta manhã de "recuerdos de recuerdos", um exemplo, do que aconteceu na Páscoa deste ano, com a alegria de descobrir o desconhecido no conhecido.

Na família, uma criança (18 meses) sempre se relacionou comigo com um "ar cerimonioso e circunspecto", amoroso e sorridente mas diferente da familiaridade com pais e conhecidos habituais.

Por motivos particulares, nesse Sábado de Páscoa, pela primeira vez, andou 5 metros na minha direcção, esticou os braços para o alto para eu lhe pegar ao colo e depois apontou para onde queria ir. Fiquei espantado, não esperava e... este "desconhecido" que estava ao meu colo, e fazia parte daquele"conhecido que conhecia", foi a melhor prenda de Páscoa que podia ter.

A vida é, sempre e só, encontrar o desconhecido no que conhecemos.
Zen

…não é garantir a eficácia e eficiência das rotinas conhecidas.


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Novos militares são ANTI "RAMBO style"


Premissas
1- Considera-se "guerra" no sentido geral, isto é, desde batalha militar até briga hooligan, de debates agressivos a choques de claques, passando por violência doméstica e conflitos profissionais.
2- As situações podem ser gerais ou localizadas de países a grupos, de povoações até cidades ou regiões, dispersas ou organizadas, institucionalizados ou não.  
3- Basicamente consideram-se dois processos:
A - guerra "aberta" para ser "fechada";
B - guerra "fechada" para não ser "aberta"[*];
que, óbviamente, precisam de um pacote de táticas diferentes, todavia, podem ser sob a mesma perspectiva estratégica.

[*] - vide mais à frente, declarações Wang Yi (China) em 14Abr17.
    - Mindspace, Institute for governmente, UK


A lógica estratégica é simples:

-- casamento violento - o problema não são os cônjuges são as relações de luta;
-- democracia violenta - o problema não são os partidos são as relações de luta;
-- futebol violento - o problema não são as claques são as relações de luta;
-- guerra - o problema não são os protagonistas são as relações de luta.
-- etc;

e, como é óbvio, relações são sempre trocas que mutuamente se induzem.

ASSIM, os militares não serão técnicos de destruir adversários, mas sim técnicos de "anular relações de luta" e neste processo os "Rambos" e os "Brigões" são uma solução fora do problema. 
Pelo contrário, eles são o problema (luta) dentro do problema (relações de luta) e, como diz o ditado, "não é inteligente apagar o fogo com gasolina".

Nesta perspectiva, os novos militares são formados, inicialmente e no dia-a-dia, com competências profissionais em MT- Meditação Transcendental.




A pesquisa

Como militar formado em Escola Militar, o meu Ego "abriu a boca de espanto". Resolvi aprofundar…

Encontrei uma Tese de Doutoramento de Davis R. Leffler (Union Institute, University, Cincinnati, Ohio), 1997, com uma bibliografia de 200 referências quase todas dos anos 80 e 90, com pesquisas cientificas, dissertações e relatórios desde neurociência até sociologia de grupos e conflitos, passando por psicologia e ciências militares.

[Conventional military training involves physical conditioning to improve performance. However, it does not train the soldiers to develop their full mental and physical potential. Instead of striving to increase human performance, militaries devote their attention largely to increasing the destructive power, accuracy, and delivery speed of weaponry. (Heckler, 1990, October; Heckler, 1992).

Frequently, decisions must be made instantly, on an intuitive level. If these decisions and actions are incorrect, the consequences can be tragic, both in combat and in non-combat operations (The United States Marine Corps, 1994). For all these reasons, today’s military personnel are pushing the limits of human performance (Szafranski, 1994, November).]


Encontrei também (lista no fim) 31 referências de artigos sobre o tema (divulgação, científicos e militares) publicados em 18 países (US, Alemanha, França, Itália, Espanha, Rússia, Ukrânia, China, Dinamarca, Grécia, etc) e ainda descrições com estudos-análises de casos concretos no terreno com a UN (Ukcrânia, Congo, Somália, etc) de diversos efeitos positivos.

Esta diversidade de referências é complementada com cursos e formações em várias escolas militares, militarizadas e universidades, por exemplo, a Norwich University (US).


Resumo hiperconcentrado

No estilo "slogan", poderá dizer-se que tudo se centra em torno do conceito de meditação e do efeito maharishi:

Meditação
[religião_____________
rezar: falar com Deus
meditar:  ouvir  Deus]
Com a sua inserção na cultura ocidental, a meditação foi conceptualizada como "pensar profundo". 
Na verdade, as suas dezenas de estilos possíveis podem ser associados a diversas técnicas:

- contemplar (pensar profundo), 
- relaxar (não tensões), 
- rezar (conectar com transcendente), 
- auto-hipnose (assumir mensagens), 
- visualização (integrar imaginação)
- transe (estados alterados da consciência), 
- respiração (pranayama, qi-kong,etc)
- etc., 

todavia, isso não significa que estas técnicas sejam a essência da meditação.

Meditar é utilizar técnicas mentais de controle e concentração da atenção.

Há dezenas de estilos de meditação, budismo (zazen e outros), taoismo, cristianismo, islamismo, hinduísmo, yoga (raja), etc, que diferem apenas no modo como treinam e experienciam esse controlo e concentração da atenção, podendo ou não, consoante as escolas, complementar preferencialmente com as técnicas atrás citadas. Como exemplo, alterando "mantras" (indutores cognitivos) a meditação pode passar do budismo a cristianismo ou islamismo, etc, com facilidade.  

De qualquer modo, a atenção controlada, focalizada e concentrada, independente do estilo usado, tem efeitos neurais (soma) e mentais (psico) com nítidos resultados na integração psicosomática.

Efeito Maharishi

O efeito maharishi é a ligação da meditação individual ao fenómeno grupal.
No plano da eficácia, segundo estatísticas em experiências realizadas, há uma relação entre o tamanho do grupo total e o tamanho do grupo com competência em meditação transcendental. 
A relação eficaz é "o grupo de meditação transcendental ser a raiz quadrada de 1% do grupo total" quer seja país, região, cidade, organização, etc.

Como exemplo e prospectivando no caso português, seria necessário um grupo de 300 pessoas para funcionar em efeito Maharashi. Na verdade, com uma população de 10.813.834 habitantes em que 16% são menores que 14 anos, a raiz quadrada de 1% de 9.083.620 pessoas (84%) é 300.

Porém, e extrapolando para o contexto da sociedade portuguesa, isto levanta uma questão interessante no plano da contaminação cultural.

Se se considerar que os estilos convencionais de "guerra" se podem agrupar em:

1º estilo - "destruição física" dos protagonistas, popularizado no modelo "rambo";

2º estilo - "destruição psy" forçando o abandonar, fugir e submeter-se à derrota.  Este estilo é a essência da ameaça, ultimatum, propagandas e manifetações de poder que são a base do estilo"brigão" (também conhecido por luta de galos) bem expresso na luta de machos da mesma espécie no reino animal: gorilas, leões, veados, etc. que nunca procuram a "destruição física" (morte) do adversário mas a sua submissão.

3º estilo - "destruição do lutar" por recriar a relação de luta para CO-operação e CO-laboração, em que a guerra não é ganha nem perdida, é "metamorfoseada". Para a cultura "rambo" e "brigão" esta alternativa é considerada derrota, pois o importante não é resolver o problema é ganhar a luta.

Um exemplo em 14 Abril 2017, referente à relação USA-Coreia do Norte:

Wang Yi, o chefe da diplomacia chinesa, no decorrer de uma conferência de imprensa conjunta com o homólogo francês Jean-Marc Ayrault, defendeu que:

A) …o diálogo é a única saída possível.  (3º estilo)
B)  no dossier nuclear norte-coreano, o vencedor não será aquele que tiver as propostas mais duras ou que mostrar mais os músculos. (2º estilo), (sem se referir diretamente às ameaças do Presidente norte-americano).
C) Se ocorrer uma guerra, o resultado será uma situação em que ninguém sairá vencedor"  (1º estilo), (...alertou o ministro chinês).

Se se conectar os estilos de guerra com o efeito Maharishi e analisar a situação em Portugal, uma questão fica em aberto.

O grupo Maharishi anteriormente modelizado para Portugal propõe 300 pessoas o que, comparado com o grupo de 230 deputados da Assembleia da Republica, significa que este grupo de deputados está a 77% do potencial máximo de contaminação cultural para a sociedade portuguesa. 
Porém, se se considerar que a sua actuação é difundida, partilhada e comentada intensamente nas redes sociais e no mass media, a questão importante é saber qual é o estilo (rambo, brigão ou colaborativo) que está a ser  "vitaminado" (driven into) na sociedade portuguesa.

Convencionalmente, os debates democráticos estão longe do estilo "rambo" e do estilo "colaborativo", mas vivem do estilo "brigão" argumentativo, oscilando entre entre o "soft" (troca de ideias), o "roughy"  (troca de bicadas) e o "hard" (troca de estalos):

link: Bicadas                                                   link: estalos
Na verdade, neste estilo, os debates são "brigas" argumentativas tentando assustar o outro e forçá-lo à desistência ou demonstrar a sua "fraqueza" afastando-lhe os adeptos, exactamente como o padrão de luta dentro da mesma espécie, no reino animal (gorilas, etc).

Assim, a pergunta a fazer é saber  qual o estilo disseminado culturalmente na sociedade portuguesa?

Se se analisar o massmedia que circula em Portugal o estilo "brigão" torna-se conspícuo.
Desde as diversas manifestações sociais aos comentários online passando por destruições de carros nos conflitos laborais e opiniões expressas em manifestações e conferências, com brigas de claques (politicas, futebolistas, …) e agressões a árbitros, agressões domésticas, "brincadeiras" estudantis, etc, tudo origina as duas perguntas:

1ª - Foram aprendizagens obtidas com o ensinamento oriundo de debates democráticos?
2ª - A tendência será passar para o estilo "brigão hard" e depois "rambo" e depois políticas autoritárias ou, em sentido contrário, evoluir para o "estilo colaborativo"?

Como mnemónica, uma história
Dois irmãos andavam sempre ao estalo. Para acabar com o hábito os pais resolveram dar estalos nos dois quando isso acontecia. Foi um êxito, funcionou, pois com os estalos acabararm com os estalos.

Cresceram e adultos usavam o que aprenderam, isto é, resolviam tudo ao estalo (agressão fisica e /ou psicológica), quer na familia, quer no trabalho, na politica e com amigos. Na verdade, o que os pais lhes tinham ensinado é que ao "estalo" se resolve tudo.

A relações humanas funcionam sempre com uma forma (ex., um estalo) e um conteúdo (ex., não dar estalo). Quando há contradição entre ambos, o córtex "opta" sempre por aprender a forma e esquecer o conteúdo e depois generaliza como regra. 
Neste caso, a educação resultante foi [...obedece sempre a quem bate e bater sempre para te obedecerem…], padrão a que às vezes se chama "bullying".

Meditação e treino, um exemplo

O andar/cross pode ser uma actividade física com esforço muscular e cardio-pulmonar ou uma actividade psíquica com esforço mental. 
Nesta última alternativa encontra-se o andar meditativo, por ex. o "Theravada walking meditation" feito nos mosteiros Tailandeses para treino mental (dos mais elaborados) para a atenção e concentração.

Para evitar pensar sobre o percurso ele só tem 10 metros que se repetem com mudanças diferenciadas de direcções para evitar rotinas. Pela mesma razão o percurso não é circular pois essas mudanças são fundamentais para exigir atenção.


Quão longe se está da exaustão mecânica do cross militar com seus eventuais internamentos hospitalares de alunos. 
Nas horas de "cross" Theravada, a actividade mental é constante e esforçada, existe atenção activa no corpo, desde a sola dos pés aos olhos semicerrados, na procura de um contante "momento presente". Por exemplo, cada passada tem seis etapas diferentes a conscientalizar. 

Por experiência pessoal, a primeira dificuldade é encontrar seis diferenças no movimento de cada perna-pé, a segunda é conseguir ter consciência das seis e a terceira é ligar, pelo menos, consciência de duas passadas seguidas, pé direito (6) e pé esquerdo (6). 
Depois a complexidade aumenta com alargamento de atenção e concentração a mais pormenores.

Por fim, com algum treino, em 30m de andar meditativo, o "momento presente" torna-se diferente, rico e cheio de potencialidades, com uma atenção que não se dispersa e se concentra, podendo ser, mais tarde, aplicada a problemas, textos, pessoas, situações, etc. 
Viver cada momento de "acto a pensamento" torna-se fácil, sem esforço, óbvio e automático. Quão longe se está dos objectivos (eventualmente úteis) do cross militar.

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Artigos



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cerveau. Algérie Patriotique.
ROMANIA: Dr. David Leffler (7 March 2015). Către Obama și Netanyahu: Există o alternativă viabilă. Cadran Politic.
ALGERIA: Dr. Atmane Kouider, David Shapiro, M.A. and Dr. David Leffler (27 June 2014). Interview - Trois experts expliquent le stress post-traumatique dû au terrorisme et à la guerre. Algérie Patriotique.
FRANCE: Maj. Gen. (Ret.) Kulwant Singh, Dr. David Leffler and David Shapiro (12 June 2014). Conseil: une approche éprouvée pour le traitement du stress lié à la guerre et à la violence. Journal de Bangui.
GUINEA: Maj. Gen. (Ret.) Kulwant Singh, Dr. David Leffler and David Shapiro (25 May 2014). Présentation éditorial : « Un Général Recommande une Approche Éprouvée pour le Soulagement du Stress lié à la Guerre et à la Violence ». Le Express Guinee (in French).
SENEGAL: Maj. Gen. (Ret.) Kulwant Singh, Dr. David Leffler and David Shapiro (14 May 2014). Pour une Méditation Transcendantale en Afrique : Un général recommande une approche éprouvée pour le soulagement du stress lié à la guerre et à la violence. Senetoile News.
UKRAINE: Maj. Gen. (Ret.) Kulwant Singh, Dr. David Leffler and David Shapiro (8 May 2014). Перевірена стратегія запобігання заворушенням в Україні. Evening Lugansk. Expired original link: In Ukrainian - http://www.eveninglugansk.com/society/1/5520.htm
UKRAINE: Maj. Gen. (Ret.) Kulwant Singh, Dr. David Leffler and David Shapiro (8 May 2014). General Recommends Proven Approach for Relief from Stress of War and Violence. Evening Lugansk. Expired original link: In Russian - http://www.eveninglugansk.com/society/1/5519.htm
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URUGUAY: Teresa Studzinski and Dr. David Leffler (28 January 2014). Invincible Defense Technology die Lösung für den Frieden. Politaia.org.
LITHUANIA: Teresa Studzinski and Dr. David Leffler (28 Januar 2014). Syrien: Eine bewährte Lösung um anhaltenden Friede zu schaffen – Ein wissenschaftlich bestätigten Ansatz. Baltisch Rundschau.
DENMARK: Maj. Gen. (Ret.) Kulwant Singh and David Leffler (4 January 2014). Hjem Op- Ed En gennemprøvet strategi til End Konflikt i Sydsudan. Sundhed Meditation.
ARMENIA: Teresa Studzinski and Dr. David Leffler (3 October 2013). Սիրիայի ճգնաժամը լուծելու գիտականորեն ապացուցված առաջարկ. 168hrs News and Analysis.
DOMINICAN REPUBLIC: Teresa Studzinski and Dr. David Leffler (7 December 2013). Una solucion comprobada para la crisis de Siria. Diario Digital.
GREECE: Lieutenant Colonel (Ret.) Gunter Chassé (German Air Force, Retired) and Dr. David Leffler (6 July 2012). Για το ΝΑΤΟ μια « Εξυπνη Αμυνα» είναι μια «Ακατανίκητη Αμυνα». Red Star.
RUSSIA: Lieutenant Colonel (Ret.) Gunter Chassé (German Air Force, Retired) and Dr. David Leffler (6 July 2012). Умная оборона" для НАТО это "Несокрушимая оборона. Red Star.
ITALY: Lieutenant Colonel (Ret.) Gunter Chassé (German Air Force, Retired) and Dr. David Leffler (21 maggio 2012). La "difesa intelligente" di cui la NATO ha bisogno è la "Difesa Invincibile." Meditazione Trascendentale. 
ARMENIA: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired) and Dr. David Leffler (30 January 2010). ԿԱՍԵՑՆԵԼ
ԱՌՃԱԿԱՏՈՒՄԸ` ՀԱՆԳՑՆԵԼՈՎ ՔԱՂԱՔԱԿԱՆ ԿՐԱԿԸ Armenian translation of "Halting Confrontation in Armenia by Smothering the Political Fire". Iragir Am
GERMANY: Dr. Kurt Kleinschnitz and Dr. David Leffler (25 January 2010). Die perfekte militärische Intervention in Afghanistan -- German translation of "The Perfect Military Intervention in Afghanistan" which was published in Op-Ed News, ME Peace, The Liberian Dialogue, Nhatky, There Are No Sunglasses, Sengambia News, and Colombo Times.
GERMANY: Dr. Kurt Kleinschnitz and Dr. David Leffler (25 January 2010). Vorschlag an Präsident Obama zur Beendigung des Afghanistan-Konflikts -- Press Release, ("Proposal to President Obama to end the conflict in Afghanistan") published by Deutsche Nachrichten Agentur (in German) based on the article "The Perfect Military Intervention in Afghanistan" by Dr. Kurt Kleinschnitz and Dr. David Leffler which was published in Op-Ed News, ME Peace, The Liberian Dialogue, Nhatky, There Are No Sunglasses, Sengambia News, and Colombo Times.
CHINA: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired), Dr. John Hagelin and Dr. David Leffler (19 January 2010). Utilizing Powerful Peace-Creating Technologies to Combat Cyber Warfare - Article published by EDN China (in Chinese) by Maj. Gen. Kulwant Singh and Dr. Leffler about combating cyber warfare with Invincible Defense Technology. The English version was originally published by Military Writers.
GERMANY: Dr. Kurt Kleinschnitz and Dr. David Leffler (16 December 2009). Vorschlag an Präsident Obama zur Beendigung des Afghanistan-Konflikts. German translation of "The Perfect Military Intervention in Afghanistan" which was published in Op-Ed News, ME Peace, The Liberian Dialogue, Nhatky, There Are No Sunglasses, Sengambia News, and Colombo Times.
GERMANY: Dr. Michael Larrass, Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired) and Dr. David Leffler (18 May 2009). Die "Bombe der Stille"- Unbesiegbare Verteidigungstechnologie für Sri Lanka (German translation of "Bomb of Silence"- Invincible Defence Technology for Sri Lanka"), The Colombo Times. This paper was originally accepted for publication by the Defence Review
Committee
for the Sri Lankan Ministry of Defence. Unfortunately, it was never published there and the publication is now defunct. (English)
FRANCE: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired), Dr. John Hagelin and Dr. David Leffler (19 Janvier 2009). A l'attention de Monsieur Joseph Kabila, Président de la République démocratique du Congo Une solution scientifiquement vérifiée pour apporter la paix en République démocratique du Congo, (French translation of "Attn: President Joseph Kabila--A Scientifically Verified Option to Bring Peace to the Democratic Republic of Congo") Congo Watch. Original Article: http://congowatch.blogspot.com/2009/01/attn- president-joseph-kabila.html
KOREA: Dr. David R. Leffler (2008, September 25), Korean translation of "Global Views: An Overlooked, Proven Solution to Terrorism." The Seoul Times, Original article: http://theseoultimes.com/ST/?url=/ST/db/read.php?idx=733
SPAIN: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired) and Dr. David Leffler (2007, January 3). La Defensa Invencible Delfinlandia. Delfinlandia.
HUNGARY: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired), Dr. Kurt Kleinschnitz & Dr. David R. Leffler (2004, November 11). A terrorizmus csendes ellenszere. (Hungarian translation of "The Silent Antidote to Terrorism") Medátció
portál
. (English, Hungarian)
SPAIN: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired) & Dr. David R. Leffler (2003, October 14). La Defensa Invencible Contra El Terrorismo (Spanish translation of "Invincible Defense Against Terrorism") Share the World's Resources. (Deutsch, English, Español)
GERMANY: Major General Kulwant Singh (Indian Army, Retired) & Dr. David R. Leffler (2003, October 14). Unbesiegbare Verteidigung gegen Terrorismus (German translation of "Invincible Defense Against Terrorism") Share the World's Resources. (Deutsch, English, Español)
SPAIN: Lieutenant General José Villamil (Ret.) with Dr. David Leffler (2003, January 29). Proyecto: Coherencia. (Spanish translation of "Project: Coherence") India Defence Consultants. (English, Español, Français

terça-feira, 7 de março de 2017

Rabejador, café entornado e Trump


Hoje no café, fui "despertado" do meu livro por um conflito em surdina delicada na mesa ao lado. O empregado tinha entornado um pouco de café na mesa quase sujando o jornal.

Com a mesa já limpa e nova chávena de café, o conflito de argumentos decorria sobre quem era o culpado. Durou mais de 5 minutos com várias tentativas de me fazer tomar posição nesse debate. Depois, várias vezes, o conflito regressou a mim para, alternadamente, eu me decidir a favor do interlocutor.

O meu livro passou para segundo plano e comecei a pensar na relação entre um "factor irrelevante" e uma "consequência retumbante", os fanatismos e as discussões. 

A questão que me perseguia era saber porque que as pessoas ficam presas no anzol de um incidente desprezável e daí não saem. Lembrou-me o mestre budista que diz que [...todos sabem tirar a pedra do sapato mas não conseguem tirar a "pedra" da cabeça...]

Anarquicamente (como é costume) os meus neurónios trouxeram-me a história do "rabejar o tigre" e o "Trump".
PS- Uma técnica para tirar a "pedra" da cabeça é pôr lá mais "pedras" diferentes e os neurónios que se entendam...

Rabejar o tigre

Depois de uma tourada, um grupo de forcados, festejava na cervejaria. No meio das conversas, alguém disse que o rabejador segurava o touro mas não era capaz de fazer o mesmo ao tigre do circo que estava na cidade. 
Discussões arrastem apostas e estas fizeram o rabejador ir ao circo experimentar.

Entrou na jaula e depois de algumas tentativas conseguiu, todos bateram palmas e voltaram para a cervejaria muito divertidos.

Uma hora depois alguém notou que o rabejador ainda não tinha voltado. Admirados regressaram ao circo.
Lá chegados, viram o rabejador ainda agarrado ao rabo do tigre e por ele arrastado de um lado para outro. Perguntaram porquê e ele respondeu que tinha conseguido agarrar o tigre mas agora não sabia como largar.

Trump

Esta história trouxe-me à ideia uma foto de Donald Trump na Casa Branca depois de ganhar as eleições


será uma atitude de  "…e agora???!!!" acerca de:

- não posso mais guiar os meus carros de marca…
- andar no meu óptimo avião…
- visitar as minhas discotecas e clubes…
- dar as minhas festas…
- vou ficar preso na Casa Branca…
- tenho que obedecer ao não pode fazer isto, aquilo e aqueloutro…
- etc…

"Cádê" a minha liberdade de andar por onde quero, fazer o que me apetece, guiar os meus carros, etc, pois vou estar sempre rodeado de fiscais e controladores ??? e ainda paparazzi escondidos???
Quanto tempo vou aguentar??? … raizopartiça que raio de velhice!!!!!

Pois, eu sei ...agarrar… agarrei e como des-agarro?

Exactamente como quando se pensa "Como é que me meti nisto???"


domingo, 5 de março de 2017

Conversas no automóvel e o livre arbítrio

Tema
Livre arbítrio ou determinismo ? 
São temas para discussões religiosas, filosóficas e escolares... ou são problemas constantes do dia-a-dia, quer para fazer compras, falar com o chefe, casar, votar, etc?
O senso comum chama SORTE ou AZAR quando o determinismo abafou o livre arbítrio.

Índice
1 - Carro e circunstâncias
2 - Poker e livre arbítrio
3 - Diagnóstico e exemplos
   - A esplanada ou jogos relacionais
   - A zanga ou cartas em jogo
   - A árvore ou cartas  jogadas 
4 - Conclusão

1 - Carro e circunstâncias

No Reino Unido (UK) foi feito um estudo sobre o modo como dois casais se sentam num automóvel e qual o padrão usado, o qual parece variar com as culturas a que pertencem. Como resumo:

 A - Working class
Neste caso os casais distribuem-se por "homens à frente - mulheres atrás"-
Na prática é como se houvesse uma conversa para homens e uma conversa para mulheres, coexistentes mas independentes. Portanto, institucionalizam-se duas entidades: homens e mulheres.

 B - Medium class 
Aqui os casais distribuem-se por "casal à frente - casal atrás". Isto significa que a conversa é colectiva entre os quatro, todos falando com todos, ou funcionam por casal com conversas independentes.
Na prática, este isolamento por casal é raro ou será rápido pois, se prolongado, é considerado descortês.

 C - Upper class
Neste padrão os casais separam-se, ficando "homem e cônjuge do outro à frente - homem e cônjuge do outro atrás".
É uma espécie de padrão de acolhimento em que cada um funciona como responsável por acolher, i.é., "fazer sala"com o outro. As conversas são simultaneamente públicas (todos ouvem) e privadas (diálogos independentes).
Na prática, cada um tem duas pertenças, uma em standby como membro do casal e outra activa como participante de uma função social. 

O interessante desta análise é a conclusão de que a disposição dos assentos de um automóvel obriga á activação da cultura dominante de "géneros não se misturam" ou "casais não se separam" ou "acolhimento é a responsabilidade social".

O primeiro "livre arbítrio" é um livre arbítrio condicionado* ás três disposições possíveis A, B, C. Depois o segundo "livre arbítrio" é o tipo de conversa condicionado pela primeira escolha.

A vida é uma rede emaranhada de livres arbítrios e condicionamentos (circunstâncias) numa confusão lógica onde cada um começa e acaba e como se influenciam.

[*] - Livre arbítrio condicionado ou determinismo flexível… ou, numa perspectiva existencialista, só temos o livre arbítrio que a nossa circunstância permite. 

1 - Poker e livre arbítrio



A vida é uma espécie de jogo de poker pois, em ambos, existe o livre arbítrio de jogar com as cartas que o baralho deu, quer ao próprio, quer aos outros, quer a ninguém.
Noutras palavras, as cartas (no poker) e as circunstâncias (na vida) são a matéria-prima com que o livre arbítrio é fabricado.*
[*] - Como diz o ditado "sem ovos não se fazem omeletes", mas com ovos pode fazer-se bolos, gemadas, bebidas ou … pintos. A diferença é feita, não pelos ovos mas, pela decisão do livre arbítrio.

O poker é exactamente como a vida, a política, a economia, etc, onde o livre arbítrio é ser livre de decidir mas está preso no determinismo conhecido ou não conhecido. Se tudo corre bem chama-se sorte, se corre mal chama-se azar.

Na verdade, apesar destes determinismos, o livre arbítrio humano oscila com quatro pequenos graus de liberdade:

A - livre arbítrio decidido dentro de regras, rotinas, protocolos existentes;

B - livre arbítrio decidido nas fronteiras dessas áreas, dentro de prováveis lógicos;

C - livre arbítrio decidido fora dessas áreas, dentro de possíveis extrapolados;

D - livre arbítrio decidido por não-arbítrio, usando moeda-ao-ar;

Neste momento, não se considera esta alternativa por ser uma espécie de antinomia* com a essência definida por recusa a essa essência, do tipo "é… porque não é", ou seja, é um "livre arbítrio feito depois de estar feito" (i.é., escolhido pela moeda).
[*] - antinomia: um conflito/contradição entre duas leis, proposições, princípios, ideias.

Utilizando o poker como analogia, poder-se-á dizer que as decisões das jogadas são o livre arbítrio de cada jogador sobre as circunstâncias existentes, isto é, as cartas distribuídas e as jogadas dos outros jogadores.

Um bom jogador não é o que tem bom jogo (boas circunstâncias) mas é o que faz boas jogadas (bom livre arbítrio). 
Um exemplo interessante é a Batalha de Aljubarrota entre Portugal e Castela (1385).
Castela tinha boas "cartas", um maior exército com uma das melhores cavalarias da época, e Portugal um menor exército com uma fraca cavalaria.
As "jogadas" feitas, isto é, o modo como as cartas e as circunstâncias foram usadas, foram más por parte de Castela e boas por parte de Portugal que venceu a batalha.

Estratégia é o uso do livre arbítrio que cria circunstâncias para adulterar o livre arbítrio dos outros e favorecer o próprio.
In brevis, na Batalha de Aljubarrota a estratégia de Portugal criou circunstâncias que desconcertaram o livre arbítrio dos castelhanos originando más decisões em consequência.

O interessante é que tudo isto está implícito no jogo do poker. Antes do jogo começar, nunca se procura prever as cartas, mas procura-se prever as jogadas, tentando definir o perfil dos jogadores*.
Tradicionalmente e de um modo simplista, há 4 perfis padrões para encaixar o jogador:
[*] - Por exemplo, procurar previamente vê-lo jogar.

1- looser - vai sempre a jogo
1.a - activo - toma iniciativas de criar circunstâncias (por ex. faz apostas)
1.b - passivo - acompanha as circunstâncias (por ex. iguala as apostas)

2 - Tight - só vai a jogo se tem cartas boas
2.a - passivo - acompanha as circunstâncias se tem cartas boas
2.b - activo - provoca circunstâncias se tem cartas óptimas

3 - Diagnóstico e exemplos

3.1 - A esplanada ou jogos relacionais

Na dinâmica de assentos de automóvel versus padrão de conversas, o cerne da questão parece estar nos padrões de interacção e comunicação que desse modo são activados entre as pessoas.
Nesta perspectiva surge uma pergunta,

 "…e se não houver automóvel, surgirão também os padrões A, B e C atrás descritos?"

Resolvi pesquisar na área (Cascais)


Restaurantes e espanadas são bons locais a observar pois permitem escolher (livre arbítrio) quer o condicionante de "como sentar" quer o padrão de "como conversar".
Decididos estes, dada a flexibilidade dos lugares (ao contrário do automóvel), pode assistir-se a uma sucessiva mutabilidade entre os padrões A, B e C e suas nuances de sentar e conversar, se bem que normalmente haja um dominante.

Nos restaurantes o padrão mais vulgar é o todos falam com todos (padrão B), com suas conversas tipo "trocas" (fazer sala) ou "passa-tempo" (bla bla bla) ou "contacto" (info-afectivas), variando também consoante a idade e cultura.

Todavia, nas esplanadas, dada a sua informalidade, os padrões são mais expressivos, mais variáveis e com mais altos e baixos relacionais. Os três estilos A, B e C são vulgares.

Dois casais reformados tem vulgarmente o padrão A, homens conversam e mulheres conversam. Isolam-se em temas diferentes com conversas de "sala" e/ou "passa-tempo" e/ou "info-afectivas" por exemplo de hobbies (futebol e telenovela,). Porém quando o tema é família (filhos ou netos) passam para o padrão B, casal-casal,  mas raramente o padrão C.

É interessante notar que casais de namorados/casados em torno dos 20 anos também usam muito o padrão A, ou seja, eles conversam e divertem-se entre si e elas fazem o mesmo. Só passam a conversa colectiva (padrão B), todos com todos, por razões operacionais, isto é, decidir o que vão fazer, comer, etc.

Um caso particular é o casal de avós com um casal de neto/a e namorado/a. Na conversa, o padrão  B de casal-casal é o dominante,  mas o padrão C também é comum com diálogo de acolhimento um-a-um cada avô com um dos jovens.
Há uma certa formalidade diluída em afectividade, quer por parte dos jovens quer por parte dos mais idosos. Numa palavra, é o clima de "delicadeza e afecto" característico do padrão C, com percentagens relativas variáveis.

3.2 - A zanga ou cartas em jogo

A história:

Num Domingo à tarde, dois casais amigos vão passear, homens à frente e mulheres atrás. Os donos do carro estão zangados entre si.
Música ambiente permite isolamento nas conversas "por género", os homens estão com estilo "passa-tempo" e as mulheres com estilo "info-afectivas" dialogando sobre a zanga.
No banco de trás, amigas desde crianças, o tema era implicado, intimo  e delicado.
Subitamente a música pára, o silêncio aparece e as conversas ficam públicas.

O marido condutor fica zangado com a indiscrição do seu casamento e censura as mulheres pela leviandade.
Todos se manifestam e um conflito nasce, desenvolve-se e resolve-se: zangam-se, deixam de se falar e o passeio acaba.

O livre-arbítrio funcionou. 

Análise das circunstâncias da zanga 
ou "Definir a árvore das circunstâncias"

1 - O livre arbítrio funcionou dentro do determinismo criado pelas suas circunstâncias;
2 - Como exemplo e esquecendo outros, pode considerar-se quatro layers (estratos, níveis) iniciais:
     . O conflito prévio 
     . Amizade antiga entre as mulheres
     . Confidência
     . Música ter parado

Se uma ou várias destas circunstâncias não tivessem existido aquele livre arbítrio não teria acontecido, mesmo mantendo outros layers, ex., cultura instalada, zanga clandestina, etc.
Em esquema:


Cada uma destas circunstâncias existe porque foram originadas por outras circunstâncias, por exemplo, o conflito do casal aparece porque se enraíza no casamento e este no namoro, etc, cada um deles teve um livre arbítrio que criou o layer seguinte.
Toda a vida funciona deste modo, em sandwiches sucessivas de circunstâncias e livre arbítrios, cada uma influenciada por outros conjuntos semelhantes.

No caso da amizade antiga, ela pode ter nascida de pais emigrantes que chegaram no mesmo navio e se instalaram no mesmo local, etc. Daqui a sua vizinhança, encontro, crescimento comum e amizade com raízes afectivas.
Em esquema:

Na verdade, os alicerces de cada livre arbítrio são uma miríade de pequenas circunstâncias que se enredam e criam condições para decisões (livre arbítrio) por sua vez criadoras de outras circunstâncias.

Como exemplo (história verdadeira), um avô que tem AQUELE neto porque: 

"...há 60 anos um amigo esqueceu-se de um documento no trabalho e foi lá buscá-lo às 21:00 com a futura mulher e uma amiga. Como esse avô tinha ficado a trabalhar até mais tarde e já devia ter saído* há 30 minutos, conheceu-a, saíram juntos e mais tarde casaram e tiveram o pai daquele neto.
Agora, 60 anos depois nasce o neto apenas porque alguém ficou a trabalhar até mais tarde e outro esqueceu um documento. 
Como diz o poeta […a vida é uma bola de neve que se alimenta de pequenas e fortuitas coincidências…].

[*] - Uma espécie do [...bater das asas da borboleta em Tóquio que provoca em tornado em Nova Iorque…] da teoria do caos.

Há um autor que propõe um jogo pessoal e interessante. Descobrir 10 decisões pequeninas e desprezáveis no passado que hoje se sabe terem originado um inflexão drástica na nossa vida. Como exemplo, na história do avô foi ele ter decidido ficar mais alguns minutos a trabalhar e com isso começar a linha conducente ao neto que hoje existe.

Segundo este autor, é um jogo de descobrir os nossos "bater das asas da borboleta" que provocaram os tornados da nossa vida.
Todos temos as nossas "bater de asas" e os nossos "tornados" a construir o nosso passado.

3.3 - A árvore ou cartas jogadas


Esta oliveira, em função das circunstâncias geológicas, atmosféricas, etc, que lhe "caíram em cima", usou o seu "livre arbítrio" para se sustentar, crescer e viver 34 séculos.

Que circunstâncias (cartas a jogar) a vida apresentará á jovem oliveira e o que ela "decidirá" para alcançar a mesma idade de mais 33 séculos?

Do poker à vida humana, animal, vegetal tudo funciona do mesmo modo: circunstâncias e livre arbítrio.

No caso humano, as opções a tomar chamam-se decisões pois contêm parâmetros susceptíveis de serem manipulados com o objectivo de alterar as circunstâncias no provável e/ou no possível.

4 - Conclusão

Exemplo de livre arbítrio e circunstâncias:

a. Andar de fato e gravata a passear de automóvel por Lisboa não fez parte do livre arbítrio de Afonso Henriques, Rei de Portugal nas circunstâncias de 1147.


b. Andar de armadura e a passear de cavalo por Lisboa não faz parte do livre arbítrio de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa nas circunstâncias de 2017.

O livre arbítrio é sempre expressão do grau de liberdade usado sob e sobre os determinismos das circunstâncias existentes. 
Esse grau de liberdade do livre arbítrio pode funcionar em 3 padrões distintos:

A - orientar-se pelass regras, rotinas, protocolos existentes,
      ou seja, funciona dentro do previsível institucionalizado. 
      Ex., o burocrata com o livre arbítrio dentro do trilho das circunstâncias.

B - orientar-se pela zona de conforto criada pelos prováveis institucionalizados,
      ou seja, procura algo fora da rotina e das regras mas dentro das lógicas inerentes.
      Ex., o criador "eu também" com o livre arbítrio fora do trilho mas no provável existente. 
                            
C - orientar-se fora da zona de conforto, apoiado em possibilidades lógicas,
      ou seja, o criador de diferença com o livre arbítrio longe do trilho mas usando-o como referência.

A diferença criada pelo padrão C, inovar fora do sistema instalado, pode ser de essência desviante (diferença positiva, progressiva) ou desviada  (diferença negativa, regressiva). 

[*] - Ex., Picasso foi um desviante na pintura da época pois criou nova linguagem de comunicação pictórica que só foi aceite quando se aprendeu a "ler" a nova escrita. 

Como exemplo de um padrão C de livre arbítrio desviado, a decisão de deputados andarem à pancada na circunstância  do Parlamento Nacional, Turquia 2016:


Na verdade, este livre arbítrio está fora das regras-protocolos habituais de um Parlamento democrático e nem sequer está dentro das suas probabilidades. 
Como obviamente isso aconteceu, a pancadaria estava dentro do possível da circunstância política em causa.
Todavia, como é uma regressão e não uma melhoria do diálogo democrático, é uma diferença desviada

Como exemplo de um padrão C de livre arbítrio desviante, uma opção do Presidente da Republica Portuguesa na circunstância de Cascais, Portugal em Nov. 2016:


Esta opção de um Presidente da República está fora das regras-protocolos habituais e fora das probabilidades de suas zonas, pois parto do princípio que o engraxador não é um guarda-costas e que a área não está vedada aos cidadãos.
Como obviamente isso aconteceu, significa que estava dentro do possível da circunstância política do quotidiano de Portugal em Novembro 2016.
Todavia, o clima que expressa é consequência e causa de um estilo de relações inter-cidadãos que é diferença desviante positiva para o diálogo democrático adulto, existente e possível.